terça-feira, 11 de agosto de 2015

Não está perfeito, e depois?

No início deste blog, mencionei o hábito da escrita. Opinião que todos os escritores parecem partilhar. Se procurares na internet conselhos sobre escrita as respostas vão ser: disciplina, disciplina, disciplina!

Ora, eu a disciplina não somos as melhores amigas. Mesmo antes de começar a escrever este post estava a ter uma luta interna com o meu cérebro. Ele queria ver o próximo episódio de Salem, mas eu não o deixei. E antes mesmo de escrever a primeira palavra deste post estava a partilhar um momento especial com um pacote de batatas fritas, e neste momento o meu cérebro está a ponderar se deve sair à rua e comprar mais (pouco importa se acabei de almoçar à bocado). 

Tudo isto para evitar fazer algo de produtivo.

Mas... DISCIPLINA!!!

É verdade, ou não? Se uma página for cerca de 500 palavras, e escreveres uma página por dia ao fim de um ano -- bem, eu nunca fui génio a matemática, mas acho que a calculadora funciona bem -- tens 365 páginas, e 182500 palavras (quase o dobro de "Sombras"). 

Então, porque não estás tu com o rabo sentado a escrever essas dolorosas 500 palavras por dia? Quer dizer não é nada certo? O teu objetivo são 1500 por dia, o que num dia bom completas numa manhã. Se passares o dia a escrever chegas até às 5000. E as outras pessoas não trabalham 5 dias por semana, 8 horas por dia? Porque razão haverias de ser diferente?

O que nos está a impedir de escrever aquelas miseráveis 500 palavras, que em menos de duas horas estavam despachadas, é DÚVIDA (maior parte das vezes, outras vezes é mesmo preguiça). 

Mas agora pensa: há tempos perguntei a um amigo que idade tinha ele quando começou a fumar. "Aos 13," respondeu. Yeahhh... Com essa idade estava eu ocupada a escrever o meu primeiro livro (existem muitos escritores que fumam e escrevem ao mesmo tempo, eu apenas nunca fui um deles). 
Ver o último episódio dos Morangos com Açucar nunca foi muito a minha preocupação. Saber quem andava com quem na escola ou arranjar um namorado meu, também não. Aos 13 anos já estava decidida a acabar aquele livro que tinha começado aos 12. E porquê? Porque já sabia o que queria ser e estava determinada a consegui-lo.

Nessa idade ainda não tinha lido livros suficientes para me considerar perita em histórias, e com certeza não escrevia de maneira perfeita (pode se dizer nem sequer escrevia decentemente). A minha escrita era infantil, com falhas e mais erros ortográficos do que a Wikipedia tem de fontes.

Mas aí está a chave: perfeição!

Na altura eu sabia que queria terminar aquele livro, sabia que para ser escritora precisava de... bem, escrever! Então, porque continua o Salem ali a gritar? Podes chamar pesquisa, podes dar-lhe todos os nomes bonitos que quiseres, continua a ser procrastinação.

Como já disse várias vezes, não importa se não vai prestar, não importa o número de revisões que vai precisar, o que importa é que termines. Vai até ao fim! Quando finalmente tiveres algo físico na mão, aí podes ser o/a maior julgador(a) do mundo. Podes te preparar para as 20 revisões, mas conseguiste. Sentaste o rabo naquela cadeira 7 vezes por semana, para um mínimo de 2 horas, agora vai buscar aquele pacote de batatas fritas e a temporada inteira de Salem e dá-te uma palmadinha nas costas "porque tu mereces".

terça-feira, 4 de agosto de 2015

Pick Up A Weirdo - First day in Cusco


I hiked through Calle Suecia with my heavy backpack with one thought on my mind “why had I brought so much?” Let’s face it, if I spent 4 months – if I lasted the four months – without jeans would that be that much of a big deal? And why had I packed running shoes? And who’s idea it was that writers needed computers to write? Why not use paper anymore?

I walked past by 499 directly to 565. Where the hell was 504? Was the universe on some kind of conspiracy against me?

I asked two men passing by if they knew the hostel. One of them, the youngest, took out his phone and searched it on maps. I wanted to take my rucksack and put it on the floor so I could rest my shoulders, but I didn’t want to look weaker than I already was with my fluttering voice and quick breath. I was still getting used to the altitude in the Andes. Instead, I shifted constantly the weight on my back.

The hostel was ever further. I kept walking and when I finally saw it, it was on top of a steep staircase, every time I lifted one leg to take another step I felt the weight of the bag leaning me backwards.

Cusco was a city that seemed to not have been touch by time at its fullest. You could hear the occasional noise of cars but they were mostly muffled by the sound of screaming children playing, the birds chippering, and tourists talking all over the restaurants. Sometimes even the clock made its presence duly noted.

I sat on one of the park bench people watching while I wrote on my notebook. Everyone was travelling in pairs or with their families and I never felt more alone. How was I gonna make those four months when every second that passed I was constantly reminded of something I had not allowed myself to think about for so long? When there was no distraction, no one to keep me busy?

An old woman sat next to me asking me if I was writing on my diary. I tried to explain to her in the little broken Spanish I knew that I was a writer, I was surprised when more Spanish words came out of my mouth I had never been able to have a conversation with Spanish people when I’d tried before. I guess it really was true that you need to be in the country to learn a language. But as she started talking about how she was a divorced women with the same number of children my mother had, and go figure… one of them even had my name, I realized I was being scammed. Still I did not accept to buy anything from her, gave her a few alms and she left contempt.


Soon after that I called it a day and returned home. Home! That was a joke. I had no home. When I went back, where was I gonna go back to? Portugal wasn’t for sure. But I still didn’t know my place in the world.