sábado, 13 de dezembro de 2014

Ler sobre escrever

Há tempos escrevi um magnífico post acerca dos hábitos de ler e escrever (*clears throat* não é nada modesta), um simples aparte de como ler livros de ficção me ajudava a entrar no espírito da escrita. Continuo fiel ao que escrevi: ajuda. Mas sabem o que ajuda ainda mais?

Ler sobre escrever.

Sombras foi um livro que demorou bastante tempo a ser desenvolvido para chegar ao produto final. Primeiro veio a imagem que já expliquei como surgiu, descobrir de onde essa imagem vinha, descobrir qual o melhor cenário que podia dar vida à minha história e criar todas aquelas personagens com distintos backgrounds e personalidades – é verdade que baseá-los de certa forma em pessoas verídicas ajudou imenso… mas mesmo assim (ohhh… o que eu fui dizer! Para todos os meus conhecidos que lêem este blog: pessoal, boa sorte agora a descobrir o quem é quem das personagens). 

Antes de ter aquilo a que eu me sentia confortável em chamar “primeiro rascunho”, o meu livro de apontamentos estava repleto de rabiscos e rascunhos  e frases de uma linha para descrever cenas por escrever para mais tarde ser incluir na história. 

Isto tudo até ter descoberto Veronica Roth, a minha musa nos conselhos sobre escrita. Porque me refiro a ela mais uma vez? Devem-se estar todos a perguntar. A internet está cheia de conselhos de outros escritores, de melhor renome que ela, porquê esta escolha peculiar? Primeiro, tem haver com o facto de ter gostado imenso da trilogia Divergente; isso fez com que me sentisse curiosa em cuscar o blog dela à procura de novidades sumarentas. E segundo, a sua escrita no blog; é informal, é impessoal, mas é de fácil leitura. Tal como já expliquei neste post: escrever já é um processo árduo, a última coisa que eu quero é ter de decifrar as palavras de um escritor presunçoso que gosta de escrever tudo floreado quando eu estou à procura de algo técnico e directo ao assunto.

Mas foi no blog de Veronica que descobri a minha inspiração. Creio que já disse: cada vez que me sentia menos inspirada para escrever, quando estava num daqueles dias em que Stephen King me colocaria na categoria de amador  “status: à espera de inspiração”, sentava-me a ler os conselhos dela e cinco minutos depois a vontade de colocar esses conselhos em prática estava de volta.

É por isso que os meus auto-presentes de natal deste ano foram livros sobre escrita para poder melhorar o meu “não tão bom” primeiro rascunho da sequela de Sombras.

Eu não conheço a vossa opinião enquanto leitores ou escritores, mas se são daqueles que acham que a tendência para escrita é algo com que se nasce e que não se aprende, eu gostaria de ler os vossos trabalhos e poder julgar como cresceram desde que começaram. Eu posso garantir por experiência própria que o livro que terminei aos quinze (algo que nunca será visto aos olhos do público pois não desejo cometer suicídio de carreira quando ainda agora comecei) não se compara a Sombras em termos de qualidade. É óbvio que a minha própria maturidade e prática contribui para tal, mas a muito devo à auto-aprendizagem que fiz sobre o assunto. Não é à toa que existem cursos de escrita criativa, e apesar de nunca ter feito nenhum acredito que são úteis. 

Alguns escritores nascem com os deuses da escrita a sorrir-lhes, mas para os pobres infelizes que não tiveram tal sorte resta seguir o caminho mais difícil e marrar nos livros.

domingo, 30 de novembro de 2014

quarta-feira, 19 de novembro de 2014

terça-feira, 11 de novembro de 2014

Festejar à grande e à francesa

Ok, ainda não existe data oficial, mas… C'mon, está quase!!!

O que é que está quase? - perguntam vocês. O meu livro! Sombras será publicado muito brevemente pela Porto Editora, nesta chancela digital, que tem como objectivo dar a conhecer novos autores da língua portuguesa (their words, not mine).

Quem me conhece, deve com certeza poder testemunhar a favor de que eu consigo, por vezes, ser  um pouco pessimista, por isso tenho tendência a nunca festejar antes do tempo. Já houve pequenas celebrações claro, como por exemplo quando recebi o e-mail da Porto Editora que continha estas exactas palavras: "Após ponderada análise do original que teve a amabilidade de nos enviar, temos o prazer de comunicar que a Comissão Editorial emitiu um parecer positivo relativamente à sua qualidade e pertinência.” Nesse momento o meu companheiro de casa não se calava – acerca de um assunto que agora não me lembro e suponho que não possua qualquer relevância – e eu comecei a enxotá-lo e a dizer “Espera!”, ao que ele me ignorou e continuou a falar e eu repliquei: “Espera, porra! Deixa-me ler!”

Quando finalmente percebi o que se estava a passar, a minha felicidade era quase impossível de se conter. Há doze anos que afirmo que um dia gostaria de ser escritora, que mostro à minha família pequenos projectos em que ando a trabalhar e os seus pensamentos devem provavelmente ser  “ah, pois, aquela ali sonha alto”. Mas não, finalmente tive o meu sonho concretizado. Aquilo para o qual eu estava preparada para trabalhar uma vida inteira. Tanto em inglês como em português, qual deles viesse primeiro.

Por isso a minha celebração foi talvez apenas uns saltinhos, mas por dentro a minha mente estava:

Mas mesmo assim existia mil e uma coisas que poderiam correr mal. Pessimista, eu sei! Mas se me preparar agora para o pior, quando o bem chegar será um alívio. Se o tal mal vier, não vou ficar feliz, mas ao menos posso pensar  “well, ao menos não andaste para aí a festejar e a dizer a todos”.

Agora sim, agora que vejo o fim cada vez mais próximo tornei-me na pessoa mais aborrecida que se pode esperar, e que não perde uma oportunidade para dizer “oh yeah, eu vou publicar um livro”.
 
Agora estou num constante estado de euforia!

E quando for mesmo lançado e fizer questão de avisar a todos, em todas as redes sociais que possuo, vou pegar em mim e fazer aquilo que os portugueses chamam: festejar à grande e à francesa. 



“Go, go, go shorty
It's your birthday
We gon' party like it's yo birthday”


quarta-feira, 6 de agosto de 2014

Pick Up A Weirdo - My first day in London

The date is 6 of August of 2012, London is booming with excitement for the Olympics but that is not what has brought me and my brother here. I clutch to my pillow tight, I had refused to move countries and leave my bedroom behind without it. Part of me wants to scream to my brother how excited I am, how I am finally fulfilling that thing I set my mind to do when I was 11 or 12 years old and everyone just thought I was a foolish dreamer. I’m moving to London.

But another part of me is terrified. I am only 20 years old and living at home with my family is all I’ve known my entire life. It had been my life. The thing that had brought me an enormous pain but a tremendous happiness. Maybe my levels of happiness hadn’t been top of the chart on these last few months but my friends – even if scarce in numbers, were the people I held most truly at heart – they had been my safe haven in moments of need, and my family the people that gave me strength to get out of bed. How was I gonna manage without them? What the hell was I thinking?

My brother and I stand with one huge travel luggage and a hand luggage each, while my cousin – the person who went to pick me up from the airport and it will soon become one of my five house mates – recounts the newest episodes of moving houses and tells us how one of our dear mates had just fallen off what will be known in our house as possessed-by-a-ghost stairs. I listen with excitement while I forget to pay attention to my surroundings and keep bumping into people and forgetting that I should now start apologising in English instead of Portuguese.

When we get to the house, a poor Tânia climbs down the stairs with a painful look, she has not slept properly in regards of being in the hospital after falling down the ghost-possessed-stairs. A cheerful Vanessa greets me heatedly and tells me that she has baked a cake to congratulate my arrival. Later on, she discovers that I’d practised martial arts whilst in Portugal and asks me to teach her so she can beat up one of her friends. I half-heartedly promised, happy for her enthusiasm but feeling slightly nervous: I’m not used to that kind of energy.

We all climb up the stairs again to see the bedrooms and make a final decision of who gets what. The condition is: I either share a bedroom with Vanessa, and use the fourth tiny bedroom as storage or I will have to live in the tiny bedroom. The decision is not even hard: I will always choose isolation, a little piece of my own where I can run to whenever the world outsides starts becoming too loud. Besides I have already heard rumours about Vanessa’s tidiness and sleeping habits. Two years later we will sleep many nights together in her bedroom but this one is a decision I will never regret because although I have changed a lot, I still treasure that little piece of my own space.

Later in the day, when Tânia and Vanessa have fallen asleep while we were all talking in what was now Vanessa’s bedroom, Renato shows up. He is cordial and nice but does not possess the same enthusiasm the others have about me, to him I’m not the new pet in the zoo. He asks me about my pet peeves, if there is anything I absolutely go mental when someone else keeps on repeating. I can’t remember at the top of my head but my brother helps me out.

“Leaving the toilet seat up,” he says, to which I nod in agreement. Renato promises me I don’t have to worry.

By this time I should probably have mentioned that my brother went move in with me. He has come here with the sole purpose of helping me move in. “I came here to work,” he stated once, talking about the fact that he had come to London to help me carry bags, buy furniture, assemble it and paint my room.

This is a complete new chapter that I must start on my own.

He spends a week with me in London where we see the sights and do all he was supposed to, except paint my room; I will do that later with my cousin. On his last day the truth of it all starts gnawing on me like a razor blade and that is why I move the mattress that was in the bedroom next to mine into my own, by bed is already assembled but there is no way I’m gonna sleep alone tonight, I want to feel that the last piece of is still sleeping in the same room as me one last time.

The next day we wake up to take him to the airport, only to find out that the place is chaotic because the Olympics have just finished the day before and everyone is trying to get home. We, me and my cousin, end up leaving him there although he has no guarantees of getting a seat in the plane, but he will eventually get home I know. Back home I try everything to keep myself busy; I don’t want to face this reality just yet. I see Big Fish with my cousin for the very first time and when it finishes it’s time to go back to my empty room.

I’m 20 years old, in a more open and diverse country than my own but at that moment all I want is my mum to be next to me. 


domingo, 27 de julho de 2014

quinta-feira, 20 de março de 2014

Ler e Escrever

Devo confessar que nestas últimas semanas tenho sido muito mal disciplinada no que toca à escrita. A razão? Férias. Não, não deveria ser desculpa, mas como fui de volta para Portugal durante uma semana, escrevi apenas dois dias e foquei os restantes em passar com a família e amigos. A segunda parte do problema é que, quando voltei, uma amiga veio-me visitar e tirei uma semana para estar com ela e lhe mostrar a cidade. 

A relevância disto tudo?  É que durante o tempo todo que passei sem escrever sentia uma ligeira sensação de saudade, mas nada que me fizesse abrir o computador e realmente escrever. Pelo menos até começar a ler — pois é, também tenho estado muito má na leitura. Mas o objectivo é que quando comecei a ler, a vontade de escrever veio de uma forma tão grande que quase me deixava mal disposta. Uma sensação de vazio no estômago — que também pode ser confundida com fome — que me dava vontade de sair do metro e seguir na direcção oposta para casa e começar a escrever. 

Afinal de contas, todos os escritores começam por ser leitores. Portanto, da próxima vez que sentires que estás sem vontade de escrever experimenta ler primeiro.

segunda-feira, 17 de fevereiro de 2014

Sai da Tua Zona de Conforto

Algo novo que descobri: quando parece que não tenho imaginação e que sentar à frente do meu computador parece ser o maior pesadelo da minha vida tenho duas opções:
- escrever
- ou ficar a pensar sobre escrever e sentir-me culpada por não estar a fazer nada. 

Ultimamente tenho tentado a primeira opção e para minha surpresa, até consegui escrever. É claro que a primeira linha é sempre uma porcaria, mas a verdade é que eu preciso de começar por algum lado. Escreveste aquela frase que não tem pontas por onde se pegue, e depois? A imaginação veio logo a correr nas frases a seguir e acabaste por inventar um enredo que nem tinhas imaginado em primeiro lugar. Talvez aquela frase, ou aquele parágrafo, ou aquela página te vá dar muito trabalho a editar, mas a boa notícia é: como não estás de rabo sentado sem fazer nada e estás a avançar na tua história, irás ter muito mais tempo para te focares na edição.

Outra coisa que descobri depois de ter feito isso é que me sinto bem. Realmente bem. Não fico com aquele bichinho a remoer-me de culpa por não ter escrito hoje, não fico a pensar no que vou fazer da minha vida se não tiver uma forma de incorporar aquela cena naquela parte da história, e não fico a ruminar como vou avançar até chegar à parte que quero mesmo escrever. O resultado é uma pessoa muito mais bem disposta e orgulhosa de si mesma.

Só uma coisinha para vos pôr a pensar.

Agora ao que me levou mesmo aqui. A verdade é que tenho amigos fantásticos que sabem acerca da minha paixão pela escrita e dos meus planos de futuro, e que se lembram de mim cada vez que se deparam com alguns conselhos de escrita na Internet. E uma amiga, muito recentemente, enviou-me imensos. Apesar de ainda não ter tido a oportunidade de dar uma vista de olhos em todos, decidi partilhar um deles convosco.

1.Aumenta o número de palavras: se ainda não estás a escrever todos os dias, começa. Escreve seis dias por semana. Começa com 100 palavras. Quando isso já for confortável, vai até às 200 e quando deres por ti já estás a escrever como um menino crescido. A maior parte de nós não consegue escrever a um ritmo profissional. É preciso treinar. (De momento sinto-me confortável em escrever 1000 palavras por dia se não tiver interrupções de terceiros, por isso ando todos os dias a tentar puxar-me até às 1500. Por vezes resulta, por vezes não. Mas eu apenas conto as palavras que escrevo na história mesmo, não conto com as do blog, nem com as do trabalho da escola, nem com as que perco a planear e a delinear o enredo da história.)
2. Faz um blog: escrever num blog tem os seus benefícios, mas um dos maiores é que te ajuda a treinar para o teu ritmo profissional. Mata vários coelhos de uma só cajadada. O blog pode ajudar-te com a tua imagem de autor e plataforma, mas também ajuda-te a treinar para cumprires prazos e ajuda-te na tua conta diária de palavras. Um blog ajuda-te a escrever de forma mais simples, rápida e linear.
3.Lê em géneros que não lês normalmente: é possível apontar os escritores que lêem apenas no género que escrevem. Sai da tua zona de conforto e lê outro género. Irá ajudar-te envolver novos elementos para a tua ficção que irá ajudar-te a sobressair no meio da competição.
4. Entra em concursos: Concursos dão-te prazos e colocam o teu trabalho para ser submetido a criticas de colegas. (A não ser que sejas como eu e odeies competição. Odeio mesmo, e a razão pela qual odeio é porque odeio perder, mesmo depois da competição ter terminado - e até posso ter ganho - continua a sentir-me stressada com a situação. Mas o que eu faço é: compito em silêncio. Se não tiver ninguém consciente da minha competição, obrigo-me a termina-la mas sem aquela pressão. É quando funciono melhor. Mas lembra-te que competir em silêncio não te leva às críticas e crescimento como escritor do que uma em que as outras pessoas também tão conscientes.)
5.Escreve num género que não costumas escrever: saíres do teu próprio género ajuda-te a desenvolver novos músculos. Podes até descobrir que o género que inicialmente escolheste não é o melhor. (Apesar do meu género sempre se ter baseado na área juvenil e infanto-juvenil,  no inicio estava mais inclinada para a feitiçaria e tempos medievais. Resultou. Escrevi um rascunho inteiro acerca disso, mas nunca me pareceu completamente certo, e talvez tenha sido porque ainda era nova ou por outras razões, mas nunca o terminei por completo. Depois decidi ir para o tema mais geral que é o drama adolescente, e ainda para a dinâmica de irmãos, nenhum dos dois resultaram. Até ter encontrado o meu santuário que é ficção paranormal. Não significa que não vá tentar escrever noutros, significa que até agora este foi o que funcionou melhor. Porque se formos a ver, o outro rascunho que terminei também tinha os seus elementos paranormais, apenas precisava de redescobrir aquilo em que eu realmente era boa. Mas precisas de tentar outros para saberes que esse é o que é definitivamente certo.)

quarta-feira, 22 de janeiro de 2014

O Método do Floco de Neve para Escrever um Romance - PASSO 9 e 10

Drum roll, please

Finalmente, aqui estão os últimos passos para escreveres o teu romance.

Passo 9) (Opcional) Volta para o processador de texto e começa uma descrição narrativa da tua história. Tira cada linha do documento Excel e expande-a para uma descrição de multi-parágrafos da cena. Introduz quaisquer linhas de diálogo que te lembres e faz um rascunho dos conflitos essenciais dessa cena. Se não existe conflito saberás logo de início e deverás adicionar ou apagar a cena.

Se seguires o conselho do autor do artigo, podes escrever uma ou duas páginas de capítulos e começar cada capítulo numa nova página para depois imprimires e poderes facilmente mudar a ordem dos capítulos e rever sem prejudicar os outros. Este processo pode demorar uma semana (dependendo do ritmo) e o resultado é um documento que poderá facilmente ser revisto a vermelho, enquanto escreves o primeiro rascunho e anotas nas margens as ideias que te vão surgindo. Esta é uma boa maneira de escrever a sinopse que muitos escritores se sentem aterrorizados em escrever depois do livro já estar todo escrito, e será bastante fácil se seguiste os passos do 1 a 8. É um protótipo do teu primeiro rascunho (mais ou menos um rascunho dos rascunho?) Imagina seres capaz de escrever um primeiro rascunho numa semana! 

Passo 10) O que falta agora é só sentares-te e começar a teclar o verdadeiro primeiro rascunho do romance. Ficarás surpreendido com a velocidade com que a história voa.

Podes pensar que toda a criatividade já foi mastigada, por esta altura. Bem, não, a não ser que tenhas analisado demais quando escreveste o Floco de Neve. Esta é suposto ser a parte interessante, porque existe muitos problemas de lógica de pequena escala. Como é que o Herói sai daquela árvore rodeada de crocodilos e salva a Heroína que está no barco a ser incendiado? Existe tempo para descobrir isso tudo. Mas também é engraçado, porque já sabes em grande escala como funciona a estrutura do teu romance. Por isso, só tens de resolver um certo limite de problemas e podes escrever relativamente rápido.

Esta fase é incrivelmente divertida e excitante. A vida é demasiado curta para perder tanto tempo a escrever um romance quando este pode ser escrito em metade do tempo.

A meio do primeiro rascunho, o autor faz uma pausa para rever o que está de errado com  os documentos de organização do romance, estes crescem à medida que desenvolves o teu romance.

E agora, esperançosamente, já sabes como escrever um livro. Só resta esperar para ver como sai o produto final e depois a segunda parte do processo: a revisão. Aquele monstro de sete cabeças que contei como odeio e postei alguns comentários de como lidar com ele.

Podem ver aqui:



terça-feira, 21 de janeiro de 2014

Proposta Editorial

Não sei se é por estar de momento nesta fase e a palavra salta-me mais à vista, ou se realmente tenho andado a mencionar umas quantas vezes no artigo O Método do Floco de Neve para Escrever um Romance a palavra proposta.

Primeiro, o que é uma proposta? Certamente não pensaram que era só acabar a história e Voilá! Vou ser um autor publicado. Na na ni na não. É preciso escrever uma bela cartinha às editoras e tentar despertar o interesse delas pela vossa história, algo que quem já pesquisou em sites ingleses já deve conhecer como "book proposal" ou "query letters".

Mas como ainda não posso falar por experiência própria neste especifico tema, aconselho fortemente a dar uma vista de olhos nestes artigos, que surpreendentemente estão em português. Yei!

Chiado Editora - como editar um livro?
Relógio D'Água Editores - Como Editar Um Primeiro Livro
Blogue Saída de Emergência - Como publicar um livro (ou tentar, pelo menos)


O Método do Floco de Neve para Escrever um Romance - PASSO 5 ao 8

Tanto tempo para traduzir os primeiros passos e este parecem fluir.

Aqui vão mais quatro passos para escreveres um romance:

Passo 5) Tira um dia ou dois para escreveres uma página de descrição acerca de cada grande personagem, e meia-página de descrição sobre os outros personagens menos importantes. Estas “sinopses de personagens” devem contar a história a partir do ponto de vista de cada personagem.

Passo 6) Neste momento, tens uma história sólida e vários fios de história, um para cada personagem. Agora tira uma semana e expande a página de sinopse do enredo para quatro páginas de sinopse. Basicamente, irás expandir novamente cada parágrafo do passo 4 para uma página inteira. Este passo é divertido porque estás a descobrir a lógica de toda a história e a fazer decisões estratégicas. Aqui, irás com certeza querer voltar para trás e re-arranjar as coisas dos passos anteriores ao ganhares uma visão da história e novas ideias são apresentadas.

Passo 7) Tira outra semana e expande as descrições dos teus personagens em diagramas completos, a detalhar tudo o que há para saber acerca de cada personagem. As coisas normais: aniversário, descrição, história, motivação, objectivo, etc. Mais importante ainda, como é que este personagem irá mudar no final do teu romance? Isto é uma expansão do teu trabalho no passo 3,  e irá ensinar-te bastante acerca dos teus personagens. Irás, provavelmente, voltar atrás e rever os passos 1 ao 6 à maneira que os teus personagens começam a tornar-se mais “reais” aos teus olhos e começam a fazer exigências na história. Isto é bom, boa ficção é movida pelos personagens. Toma o tempo necessário para fazeres isto, porque estarás a poupar tempo em longo prazo. Quando acabares este processo, tens a maior parte do que será necessário para escreveres uma proposta. Se já és um autor publicado, então podes escrever a proposta já e vender o teu romance, antes mesmo de o teres escrito. Se ainda não és, então precisas de escrever o teu romance primeiro, antes de o vender.

Passo 8) Podes querer ou não fazer uma pausa aqui. Mas, a certa altura, terás mesmo de escrever o teu romance. Antes de fazeres isso, existe certas coisas que precisas de fazer para tornar aquele horrível primeiro rascunho mais fácil. A primeira coisa a fazer é pegar naquela sinopse de quatro páginas e fazer uma lista de todas as cenas que irás precisar para tornar a tua história num romance. E a maneira mais fácil de fazer é com o Excel.

Por alguma razão, isto é assustador para alguns escritores. Oh, o horror! Aprendeste a utilizar um processador de texto. O Excel é mais fácil (isso é o que ele diz, eu cá gosto de fazer as minhas listinhas e tabelas à moda antiga). Precisas de fazer uma lista das cenas, e estas folhas foram inventadas para fazer listas (NINGUÉM ME VAI OBRIGAR A MEXER COM O EXCEL, mas hei! Tu podes ser mais inteligente que eu por isso, força!)

Faz as listas a detalhar as cenas que emergem as partir das quatro páginas de enredo. Escreve apenas uma linha para cada cena. Numa coluna, lista o POV do personagem. Noutra coluna (larga) conta o que acontece. Se quiseres armar-te em chique, adiciona mais colunas que dizem quantas páginas esperas escrever. A folha de Excel é ideal, porque permite-te ver o enredo de uma só vez, e é mais fácil mexer nas cenas para reorganizar as coisas.


Pode demorar uma semana fazer uma boa tabela. Quando terminares, podes adicionar uma nova coluna com o número de capítulos e atribuir capítulos a cada cena (reconsiderei, talvez irei utilizar Excel só desta vez).

E agora, ele falou em pausa por isso vamos fazer uma. 

segunda-feira, 20 de janeiro de 2014

50 Dicas para Escrever Melhor - Dica Nº 18

Dica nº18: Divulgue e distribua as suas histórias.

Ninguém se torna escritor do dia para a noite. É preciso disciplina, persistência e, acima de tudo, treino. É por isso que, dificilmente, as nossas primeiras histórias serão alguma vez publicadas. A não ser que sejamos mesmo talentosos. Até mesmo a primeira de J. K. Rowling, aos seis anos, foi basicamente uma cópia de outro livro sobre um coelhinho que ela tinha lido. Mas mesmo assim não significa que as nossas histórias não tenham potencial e seria um desperdício ter tanto trabalho para ficarem agora escondidas a apodrecerem. 

Mostra aos teus amigos, familiares, professores, pergunta pela opinião deles. Pode ser desmoralizador ter algumas críticas quanto a um trabalho que tanto gostámos de desenvolver,  mas acreditem: críticas melhora o nosso potencial e torna-nos melhores escritores.

O Método do Floco de Neve para Escrever um Romance - PASSO 1 ao 4

Ok, este é o meu primeiro post do ano, e devo admitir que não estou orgulhosa com o facto de vir tão tarde. Mas vocês sabem... início do ano também significa concentrarmos-nos naquelas resoluções que nunca concretizamos no resto do ano como: ir ao ginásio mais vezes, prestar mais atenção ao estudos, entre outros. E a resolução de prestar mais atenção aos estudos é algo com que tenho andado ocupada nas últimas semanas com todos os deadlines para os essays, mas estes estão quase a acabar e prometo ser mais assídua a partir de agora (acabei de fazer outra resolução de ano novo, por isso não me batem se acabar por não cumprir).

Agora, se já chegaram a este artigo devem-se lembrar que eu prometi traduzir o Método do Floco de Neve para Escrever um Romance, coisa que tenho feito, mas o método é mais longo do que estava à espera e ligeiramente uma repetição do que foi dito no Como Escrever um Livro em 60 Dias ou Menos, mas mais pormenorizado. Com isto tudo achei que podia correr o risco de se tornar aborrecido para algumas pessoas (e para mim por ter de traduzir quase 3,000 palavras), e decidi dividi-lo em partes. Mas não se deixem enganar, é um bom método para começar a escrever um romance e acho que esta vai ser a primeira vez que menciono nomes aqui mas, Raquel Frade, este é especialmente para ti e como começares, por isso promete-me que vais fazer os passos um por um.

Começando: 
A importância do design
Boa ficção não acontece simplesmente, é organizada. Podes organizar o teu trabalho antes ou depois de teres escrito o teu romance. Já fiz das duas maneiras (Randy Ingermanson) e acredito fortemente que fazer antes tem melhores resultados. O design é trabalhoso por isso é importante ter um princípio por onde te guiares desde o início. 

A pergunta fundamental é: Como organizas um romance?

Antes demais, repara neste floco de neve! (Aqui está, finalmente, a resposta ao porquê deste nome!)

Esta imagem é um objecto matemático amplamente estudado. Mas os primeiros passos para construir este floco de neve, não têm nada a ver com um floco de neve. Têm este aspecto:
 
Se tiveres uma versão actualizada do Java (eu não tenho) podes visitar este site para perceber melhor como funciona.

É assim que se cria um romance: começasse por um pequeno passo e constrói-se à volta até começar a ter o aspecto de uma história. A maior parte é trabalho criativo. Mas a outra parte é gerir a tua criatividade e organizá-la num romance bem-estruturado.

Se és como a maioria das pessoas, passas demasiado tempo a pensar no teu romance antes de sequer começares a escrevê-lo. Podes fazer pesquisa. Sonhas acordado/a sobre como vai funcionar a história. Fazes brainstorm. Começas a ouvir as vozes dos diferentes personagens. Começas a pensar sobre o que é o livro – o grande tema. Esta é uma parte essencial chamada de “compostagem”. É um processo informal e cada escritor reage de maneira diferente. Vamos assumir que sabes compor as ideias para a história e que já tens um romance bem-composto na tua cabeça e que já estás pronto para te sentares e começares a escrever o teu romance.

Ok! Agora começa a parte interessante.

Dez passos de Design
(Oops, ainda não)
Antes de começares a escrever, precisas de te organizar. Precisas de colocar todas essas ideias maravilhosas no papel de forma a poderes usá-las. Porquê? Porque a tua memória é falível, e a tua criatividade pode ter deixado lacunas na tua história – estas precisam de ser preenchidas antes de começares a escrever o teu romance. E precisas de fazer isto num processo que não mate a vontade de escrever a tua história. 

(Ok, agora é que é)
Aqui estão os 10 passos (pelo menos, os primeiros passos):

Passo 1) Tira uma hora e escreve um resumo de uma frase para a tua história. Algo do género: “Um físico trapaceiro viaja atrás no tempo para matar o apóstolo Paulo.” A frase guiará-te como uma ferramenta de venda rápida. Este é o grande tema, o análogo daquele grande triângulo de início na fotografia do topo. É o isco que atrai os editores e, mais tarde, leitores.

Alguma dicas acerca do que faz uma boa frase:
  • Mais curto é melhor. Tenta não escrever mais do que 15 palavras.
  • Tenta não incluir nomes (apesar de ter lido muitas diferentes frases e muitas delas têm nomes, mas se o teu personagem tem algo que o torna distinto é melhor se te focares nessas características).
  • Liga o grande tema ao tema pessoal. Qual é o personagem que tem mais a perder nesta história? Agora conta sobre o que ele ou ela quer para ganhar.

Passo 2) Tira outra hora para expandir a frase num parágrafo inteiro a descrever o arranque da história, os grandes desastres e o final do romance. Este é o análogo da segunda fase do floco de neve. O autor do artigo, por exemplo, gosta de estruturar a história em três grandes desastres e cada desastre tira um quarto do comprimento do romance para desenvolver (de certeza que já deves ter lido livros com Parte 1, Parte 2 e Parte 3). As coisas no primeiro acto podem-se desenvolver por circunstâncias externas, mas no segundo e terceiro acto, geralmente acontecem devido às tentativas do protagonista em “resolver as coisas”. E as coisas só pioram…

Este parágrafo também pode ser utilizado na proposta do teu livro. Idealmente, o teu parágrafo deve ter cinco frases. Uma frase para o arranque e o cenário. Depois uma frase para cada um dos três desastres. E depois uma frase para o final. Este parágrafo resume toda a história.

Passo 3) O passo acima dá-te uma boa perspectiva do teu romance. Agora, precisas de algo semelhante para o enredo das tuas personagens. Personagens são a parte mais importante do teu romance e o tempo que investes em desenvolve-las primeiro, irá compensar quando começares a escrever.

Para cada grande personagem tira uma hora para escreveres um resumo de uma página que diga:
  • O nome da personagem.
  • Uma frase que resuma a história do personagem.
  • A motivação do personagem (o que ele/ela quer inconscientemente).
  • O objectivo do personagem ( o que ele/ela quer concretamente).
  • O conflito do personagem (o que o impede de conseguir atingir tal objectivo).
  • A epifania do personagem (o que ele/ela irá aprender, como irá mudar).
  • Um parágrafo que resuma a história do personagem.

Um ponto importante: podes dar por ti a ter de voltar atrás e rever a tua frase ou parágrafo de resumo. Força! Isso é uma coisa boa – significa que os teus personagens estão a ensinar-te coisas acercas da tua história. É sempre aceitável ir atrás e rever qualquer parte do processo de criação em qualquer fase. É inevitável.

Outro ponto importante: não tem de ser perfeito. O propósito de cada passo é poderes avançar para o próximo passo. Manter as ideias a fluírem, podes sempre voltar atrás e alterar quando entenderes melhor a história.

Passo 4) Por esta altura, deves ter uma ideia, em larga escala, acerca da estrutura do teu romance, e terás gasto apenas um dia ou dois, mas não importa. Se a história tiver falhas, saberás agora, ao invés de investir 500 horas a pensar no primeiro rascunho. Por isso, agora continua a crescer a história. Tira várias horas para expandir cada frase do parágrafo resumo em parágrafos inteiros. Todos, menos o último parágrafo, deverá acabar em desastre. O último parágrafo deverá dizer-te como acaba o livro.
Isto é divertido (pelo menos é o que ele diz), e no final do exercício tens uma página decente do esqueleto do teu romance. Não faz mal se não conseguires enfiar tudo dentro de uma página só, o que importa é que estás a cultivar ideias para a tua história. Estás a expandir o conflito. Deverás ter agora uma sinopse decente.

Se já cumpriste tudo até este passo, já  avançaste bastante num dia ou dois de trabalho (dependendo do quão longa é a tua história ou quantos são os teus personagens), por isso, vou deixar-te fazer uma pequena pausa e BOA SORTE!