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quarta-feira, 14 de dezembro de 2016

Bloqueio de escritor: causas - rotina.

Quem está familiarizado com o meu blog sabe que a música é muito importante para o meu processo criativo. Recentemente, enquanto estive na China, dei por mim com músicas que já quase sabia todas as letras de cor. 

Resultado: não havia nada de novo, por isso as músicas, ao som das quais adorava escrever, já não inspiravam nada de novo. 


É bom viajarmos e termos diferentes experiências de vida, porque só assim é que podemos descobrir aquilo que funciona ou não no sucesso das nossas carreiras. É uma autodescoberta que nos tornará melhores nos anos seguintes.

O que eu aprendi este ano? Preciso constantemente de alterar a minha playlist de escrita para poder ter novas inspirações. Odeio rotinas, mas odeio-as de morte!! Porquê? 

Ora, eu adorei - e vou continuar a adorar, quando voltar para acabar os últimos três meses que me faltam na China - a minha experiência na China. Mas, descobri que a rotina diária na qual estava imersa durante a semana, e até mesmo ao fim-de-semana, estava a destruir-me por dentro. Por que é que estou a ser tão dramática? Porque não conseguia escrever.

Nove meses que estive naquele sítio, onde praticamente todos os dias vemos os mesmos 100 rostos, comemos a mesma comida às segundas, e depois a mesma todas as terças, às quarta já sabemos que é carne de porco agridoce, etc. Todos os dias nos levantamos à mesma hora e nos deitamos à mesma hora. Já sabes quando vais tomar banho todos os dias. E podes ter a certeza que às quartas será Power Training e às quintas Sanda. Não irás ver muito mais que as mesmas montanhas que rodeiam a escola. Aos fins-de-semana, tens duas hipóteses: as mesmas ruas de Muping, ou os mesmo bares de Yantai.

Existem pessoas que não têm problema qualquer com a rotina. Eu descobri, que funciono muito mal e chego a ficar desesperada. Comecei a pegar em livros velhos e a fazer pequenas flores de papel com as páginas ou decorações de natal; com pedaços de ligaduras e bolotas que encontrei no chão fiz algumas decorações de Halloween. Qualquer coisa que alimentasse o meu lado criativo e alterasse um pouco a minha rotina.

De momento, estou de de voltei para o natal, onde não tenho parado de fazer coisas diferentes e onde já fiz o download de algumas músicas novas, e vejo melhorias na minha inspiração. Passo o meu tempo livre ou a fazer crafts, ou a trabalhar na outline do último livro da Triologia Sombras. Quase todos os dias me surge um ou outro detalhe para uma cena num capítulo.

É por isso que um escritor precisa de viver constantemente, fazer novas atividades, descobrir-se a si próprio. Só assim poderá impedir o bloqueio de escritor. Só assim poderá alimentar novas ideias. E só assim poderá inspirar os seus leitores.

Se tiveres alguma outra ideia sobre como impedir este bloqueio na escrita que assola muitos de nós, por favor não hesites em partilhar.

domingo, 31 de julho de 2016

A rotina em Kunyu Shan

"Vais estudar kung-fu?" Dizia a minha tia. "Olha que eu vi o Kill Bill, sabes quantas escadas vais ter de subir?" 
Quando contei às minhas tias acerca do meu novo plano de ir para a China aprender artes marciais, o seu plano de referência foi o episódio em que a personagem principal do Kill Bill, no segundo filme, tem de subir escada acima, escada abaixo com baldes de água aos ombros. 

A sua preocupação era legítima. Nas artes marciais tradicionais - e quando digo tradicionais, quero dizer há uns tempos atrás quando este tipo de artes era praticado por monges no templo de Shaolin, um tipo de Meca para qualquer entusiasta de Kung-fu (em Dengfeng, Província Henan) - era comum ver os monges a carregar os baldes de água durante o treino. Hoje em dia, ainda temos as escadas uma vez por semana, mas felizmente temos os ombros livres.

O terceiro relato d'As Crónicas de Shaolin.

domingo, 24 de julho de 2016

Shaolin ou Wingchun?

A aventura continua... e como não podia deixar de ser, tenho de continuar a partilhar esta aventura convosco.

Na academia nem tudo parece fácil e, principalmente no inicio existem decisões a ser tomadas e novos hábitos a adquirir. Afinal de contas, ir à China não é o mesmo que ir a Chinatown!

Descobre também como esta experiência me ajudou a entrar na pele de Lilly, em "Sombras"

sábado, 16 de julho de 2016

Crónicas de Shaolin

Se andam ansiosos por saber mais sobre esta aventura na China ou não, pouco sei. Mas a verdade é que já há muito ando a prometer novidades e até agora nada! Pois é! Para quem não sabe existe menos websites a funcionar na China do que originalmente pensara.

Instragram? Népia... Blogspot? Apanhei um grande choque quando descobri que não funcionava, porque tinha prometido dar notícias por aqui. Até mesmo alguns servidores de mails não funcionam (como gmail). 

Resultado? Sem a ajuda de um VPN pouco posso fazer, e o único dispositivo para o qual consegui arranjar um foi para o iPad. Mas tentar escrever um post de blog no iPad é um pouco desorganizado e cansativo, é por isso que, com mil e uma desculpas, lamento não ter dado notícias.

O meu conselho? Se forem para a China, arranjem um VPN para o computador antes de lá entrar, porque, sem ser pago, arranjar um quando já lá estão é praticamente impossível.

Mas o momento para o qual temos esperado chegou e a Coolbooks iniciou As Crónicas de Shaolin, mantém-te atento à sua página do Facebook e à minha página oficial para descobrires mais como esta experiência e as artes marciais me estam a mudar (fisicamente e mentalmente).

Portanto, aqui fica o link deste primeiro relato.

"Até que tomei a decisão: tirar um ano inteiro para aprender artes marciais. Mas não só aprender como quem vai para o trabalho e depois tem uma hora de aula no final do dia para desanuviar. Aulas numa verdadeira academia de artes marciais. Onde? Porque não na China? "

terça-feira, 16 de fevereiro de 2016

Perdida numa cidade onde não falam a língua

           

Dia 11: Ontem cheguei ao hostel e disse a mim própria que só ia dormir umas 3 horinhas (visto que ainda eram 22h30 em Portugal quando aterrámos em Pequim). "Yah, pois!" Disse o corpo ao cérebro. Acabei por dormir até às 18h da tarde. O que fez com que não conseguisse dormir à noite, o que fez com que hoje acordasse à 13h e desperdiçasse grande parte do meu dia.

Decidi, então passar pelo Jardim zoológico de Beijing onde iria ver Pandas pela primeira vez!!! Pandas! Finalmente, o meu número não sei quantos da minha Bucket-List pode ser riscado.
Para lá, não houve problemas, fui dar com a estação na perfeição. O sistema de linhas é bastante semelhante ao metro de Londres e os nomes têm o Pinyin (fonética do Mandarim) por baixo.
Foi à vinda que as coisas se complicaram.


As estações de Beijing têm quatro saídas (ou pelo menos a de Zhangzizhonglu tem). E depois de andar perdida durante uns tempos, voltei a entrar na estação e sair por outra saída. Continuei perdida!
Finalmente, comecei a perguntar, mas as pessoas ou não sabiam ou não queriam ajudar por não saberem falar inglês, porque todos me respondiam que "não, não." Um senhor, que falava inglês, acabou por colocar a morada no GPS do telemóvel e pode ver que estava perto, mas não sabia qual era a direção do mapa. Acabou por apontar a dizer que devia ser para ali.

Mas quando ali chegou e eu continuava sem ver a outra saída do metro da estação, voltei a perguntar. Este senhor já parecia mais seguro, mas não falava uma palavra de inglês, e apontou-me para a frente, fez o sinal de cruzamento com os dedos e apontou para a direita.


Continuei a andar em frente (passando por aquela rua uma segunda vez) Cheguei ao cruzamento no final da rua e ainda não via nada que fosse familiar e decidi perguntar a um rapaz no cabeleireiro que me apontou na mesma rua que o senhor anterior. No final da rua ainda não havia sinal dos becos onde fica o meu hostel. 

Voltei a perguntar.

"É para trás," assinalou uma senhora em mandarim numa farmácia. ´"É para trás," assinalou outro rapaz.

Como é para trás? Acabei de fazer esta rua e não vi nada!

Comecei a desesperar e a parar os táxis. Parei 3 táxis, mas sempre que lhes mostrava a morada todos abanavam as mãos negativamente. Não sei se não sabiam ou se recusavam-se a levar-me por ser tão perto, porque nenhum falava inglês.

Finalmente, o taxista pareceu reconhecer a morada e apontou para trás. Eu fechei a porta do carro e disse: "Ok, então vamos." O senhor começou aos berros comigo em mandarim e a fazer o sinal de dois e para trás. "E uns dizem para a frente, outros para trás e eu estou cansada de estar perdida," berrei também, em inglês. Ele lá deve ter percebido que eu não ia sair porque pôs o taxímetro a contar.

Ele percorreu toda aquela rua que eu fizera a pé, virou na direção da rua onde eu perguntara ao primeiro homem do GPS e voltou para trás na outra faixa da estrada. De seguida, parou num beco e apontou-me para a frente, mas eu ainda não conseguia ver o meu hostel e não havia hipótese nenhuma de continuar perdida e ainda assim pagar por isso. Também eu apontei para a frente dizendo que seguisse. Ele voltou a reclamar comigo em mandarim e a gesticular e percebi que tinha algo a ver com o carro não caber. "E eu estou cansada de estar perdida," reclamei mais alto que ele.

Ele acabou por ceder, o carro acabou por caber e eu acabei por encontrar o meu hostel depois de ter estado duas horas perdida nas mesmas ruas. "Don't follow me. I'm lost too!"

sábado, 6 de fevereiro de 2016

Pick Up A Weirdo - D-Day

If it's both terrifying and amazing, then you should definitely pursue it.

My leaving day is here. I start looking around my bedroom and I have the sudden urge to close my fingers around my hair, not because I'm anxious or scared, although I think those feelings are not really helping, but because the drawers are opened, the clothes scattered, the books on the floor, and my desk filled with latte mugs.

I skim the check-list and I am certain that there will be something left forgotten. How did I leave everything for last minute?

Oh, I know! Because it's me!

Which leads me to that feeling I often find myself ruminating over: anxiety or lack of preparation? It's natural to feel slightly nervous before a trip, but all the time and that much? If you had prepared your itinerary a little more, seen how to get there, planned your days better, packed your bags sooner (and I mean everything, not just for the picture), wouldn't you feel more relaxed? Anxiety or lack of organisation? If you had prepared a list in advance, with the items as they appeared and not on the last day, hoping you'll remember everything and yelling profanities when you remember one on the way to the airport, maybe you wouldn't be so stressed.

And then I think: it wouldn't be me if I did. I wouldn't be that person who went to South America with nothing planned, with only the two first nights reserved and no idea of how to catch a bus to go to Bolivia (I hadn't even bothered to learn that the travel system in South America is amazing). That girl who found the next place she wanted to see only after someone mentioned it was nice and interesting (although to this date, I still regret my lack of preparation and the fact that I was robbed prevented me from seeing the Salt Flats). The one who only knew when she would buy the next ticket on the day itself and sometimes arrived at cities with unbooked hostels.

I hated that girl, she left my nerves running wild every day before a departure, but I loved that girl and her spirit of adventure. (Or perhaps, laziness, I bet on laziness)

The first week is already planned, not only because I won't be going alone but also because in Europe not planning costs you much more, but from the 14th (the day of my flight to Beijing) I am going to celebrate Valentine's Day and I'm going to date that girl again, because although I hate the little nerves, I love not having plans or knowing where to go much more.

Chegou o dia!

O dia da partida chegou, começo a olhar para o quarto e só tenho vontade de pôr as mãos na cabeça, não por medo ou ansiedade, se bem que acho que esses sentimentos não ajudem, mas porque as gavetas estão abertas, as roupas espalhadas, os livros caídos e a secretária recheada de canecas de galões.

Dou uma vista de olhos à check-list e penso que mesmo assim deve haver qualquer coisa que vai ficar esquecida, como é que eu deixei tudo para o último minuto??

Ah! Já sei! Porque és tu.

O que me leva a um tópico com o qual me debato muitas vezes, cada vez que viajo e por vezes no mundo da escrita, nervosismo ou falta de preparação? É verdade que é natural sentir-se nervosismo antes de uma viagem, mas sempre? Será que se tivesses preparado um bocadinho mais o teu itinerário, visto como chegar, planeado os teus dias, feito as malas (toda e não apenas parcial para a fotografia), não te sentias mais relaxada? Nervosismo ou falta de organização? Se fizesses uma lista de preparação, anotando as coisas conforme vão aparecendo e não escrever no último dia, à espera que te lembres de todas, dizendo profanidades quando te lembras de uma já a caminho do aeroporto, talvez não tivesses tão stressada.

E depois penso, não seria eu se o fizesse. Não seria aquela pessoa que foi para a América do Sul, sem nada planeado, com apenas as primeiras duas noites marcadas e sem fazer ideia de como apanhar um autocarro para a Bolívia (porque não me tinha dado ao trabalho de descobrir que afinal o sistema de transportes da América do Sul é fantástico), aquela rapariga que ia visitando as cidades conforme lhe iam dizendo que eram sítios interessantes para se ver. Aquela que descobria quando compraria o próximo bilhete, quase na altura de o comprar ou por vezes chegava à cidade sem hostel reservado. Eu odiava essa rapariga, ela deixava-me os nervos em franja todos os dias antes de uma partida, mas eu adorava essa rapariga e o seu espirito de aventureira.

A primeira semana está toda marcada e planeada, porque não serei só eu a viajar e a europa é muito mais cara para se andar à aventura, mas a partir do dia 14 (o dia do meu voo para Pequim), eu vou festejar o dia dos namorados e vou voltar à andar com essa rapariga, porque apesar de odiar estes nervos miudinhos, adoro muito mais saber que não tenho planos ou satisfações a dar.