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segunda-feira, 24 de julho de 2017

Opinião Literária - As Nuvens de Hamburgo

Título Original: As Nuvens de Hamburgo (diz no título)
Autor: Pedro Cipriano (editor da Editorial Divergência)
Editora: Flybooks
Páginas: 97 (lê-se numa horinha)

Sinopse: "Marta é uma jovem que consegue ver o passado.
Assim que chega a Hamburgo, como estudante de Erasmus, vê-se transportada para a época Nazi, onde testemunha as brutalidades do Holocausto.
Nas suas viagens, Marta é atraída para um jovem soldado, encontrando-o nos recantos mais sombrios da história da cidade. A frequência dos encontros leva-a a procurar no presente a sua identidade.
O que é que os une? Apercebendo-se que consegue interagir com o passado, Marta procura descobrir qual o propósito deste dom. Mas será ela um mero peão num jogo que não consegue controlar ou será capaz de alterar o passado?
Um romance apaixonante, passado sob o manto da Segunda Guerra Mundial, que não irá deixar ninguém indiferente."

Opinião: O facto de conhecer o autor pessoalmente, levou-me à curiosidade de ler a sinopse do seu livro assim que o publicou, mas foi mesmo a premissa cativante que me levou a adquirir esta história brilhante.

Em muitos livros é, por vezes, usual ter um início demorado que nos leva a integrar na história. Tal não acontece com «As Nuvens de Hamburgo». Somos imediatamente transportados para uma nova cidade e duas épocas que parecem ocorrer em simultâneo.

Este livro é um livro que atrai desde as primeiras páginas até à sua última, sem deixar perguntas no ar, mas ainda assim inquirir: "É só isto? Será que não vem mais?"

Gostei bastante da forma directa e eficaz com que Pedro Cipriano escreve, o seu discurso simples e narrativa rápida faz com que nos mantenhamos agarrados durante toda a leitura e a estrutura pequena da obra torna as pausas inexistentes.

Adorei também o tema. A Segunda Guerra Mundial é um tema que aprecio em particular e sobre o qual leio bastante. Também já visitei a cidade de Hamburgo, por isso a combinação destes dois factores foram com certeza dois pontos que me atraíram mais à história!

Se lerem, não se esqueçam de dar a vossa opinião ao Pedro através do Goodreads!

quinta-feira, 6 de julho de 2017

Opinião Literária - Soberba Tentação

Este, tal como o primeiro, foi me oferecido pela autora para partilha de obras. 

Título Original: Soberba Tentação
Autora: Andreia Ferreira
Editora: Alfarroba
Páginas: 295

Sinopse: Depois de descobrir que o sobrenatural não representa um medo irracional e que as criaturas caminham lado a lado com os humanos, Carla tem de enfrentar as consequências do seu envolvimento com o Caael.

Os demónios já deixaram marcas na vida da Ana e da Raquel e a Carla começa a sentir algumas dificuldades em encontrar-se.
Entre lacunas na memória, sentimentos e novas preocupações, surge uma existência virada do avesso com a linha da vida mais ténue do que nunca.
Com a ausência do Caael, assomam revelações que levantam um plano ancestral de uma disputa entre iguais. A Carla vê-se num tabuleiro de xadrez, como um rei isolado, com a rainha a jogar contra ela.


Opinião: Tal como mencionei na minha review da primeira obra da autora, os escritores melhoram com a prática e, este livro foi prova disso.

A princípio demorei a embrenhar-me na história, mas com o evoluir dos personagens e as pequenas pistas que vão surgindo, deixando-nos suspense sem nos deixar à toa, comecei mesmo a gostar do livro.

Quero felicitar, mais uma vez, a autora por fugir dos percursos comuns que caracterizam muitas vezes este tipo de histórias e por criar algo de original.

Na minha primeira review critiquei um pouco a relação de Cael e Carla, mas a razão para tal foi contrariada neste livro e gostei de descobrir que afinal Carla tem mais personalidade do que suponha. E a intimidade que surge entre Ricardo e Carla com o passar do tempo, só prova que quanto mais demorar este processo, mais conectados nos sentimos com a sua relação.

Gostei de conhecer as histórias dos outros personagens por outras perspectivas, deu para conhecê-los e criar uma ligação com eles, mas a mudança constante da primeira pessoa para a terceira pessoa e de forma tão repentina, por vezes deixava-me atrapalhada.

Gostei de saber que afinal há monstros que são verdadeiramente monstros!

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quarta-feira, 5 de julho de 2017

Opinião Literária - Direções

Conheci o autor, no dia 16 de junho quando ambos participamos no Momento Coolbooks, e acabei por ter a oportunidade de lhe pedir um autógrafo e comentar um pouco sobre as nossas viagens enquanto backpackers.

Título Original: Direções
Autor: Tiago Rendeiro de Matos
Editora: Coolbooks (a mesma que a minha, yey!)
Páginas: 154 (leitura fácil)

Sinopse: Com o 'gene do viajante' bem presente desde que se lembra, Tiago Rendeiro de Matos sempre sentiu a atração pela aventura de descobrir mundos desconhecidos.

Ao longo deste extraordinário relato, acompanhamos o autor numa viagem simultaneamente interior e exterior, que o leva a conhecer paisagens deslumbrantes, tradições inspiradoras e a experienciar peripécias resultantes do inevitável choque de culturas. Mas nesta jornada, são sobretudo as pessoas, simples e gentis, que lhe ensinam a maior lição e que o levam a questionar uma forma de encarar o mundo tantas vezes sentida como a única via certa.

«O meu maior desejo é que, no final, este livro sirva tanto para saciar a curiosidade das mentes mais inquietas, como para estimular a vontade de sair à descoberta deste nosso mundo, cheio de locais mágicos e únicos como os que se encontram nestas páginas, em busca de direções...»


Opinião: Como escritora, viajante e mochileira, como é óbvio não podia deixar que este livro me passasse ao lado. Ele foi lançado um mês antes de eu pegar na minha mochila e aventurar-me pela América do Sul sem rumo e direção, mas já só o descobri depois de ter regressado.

E ainda bem!

Para quem não viaja muito, os leitores irão deliciar-se com as descrições destas paisagens e o conhecimento que esta descoberta do mundo traz. Para os que viajam, talvez o sentimento a lê-lo seja outro. Um sentimento de reconhecimento, de "ah, eu senti-me exatamente igual ao que descreves".

Para mim este livro acabou por ser a descoberta de que afinal não era a única backpacker a ter as mesmas sensações ao decorrer das viagens, e este livro é prova disso. 

Para além disso, pode também servir-me como referência quando voltar à Ásia para visitar o sudoeste asiático, uma vez que só ainda conheço a Tailândia, e sou grande fã de todos os países aqui descritos!

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domingo, 7 de maio de 2017

Opinião Literária - Os Monstros que Nos Habitam

No fim de semana passado foi o lançamento da antologia «Os Monstros que Nos Habitam», para quem ainda não adquiriu não percam a oportunidade de ficar a conhecer o muito bom trabalho dos nossos escritores portugueses.

Já agora, ficam com a minha opinião dos contos dos outros autores:

A maldição de Odette Laurie, Nuno Ferreira 

Tive o prazer de conhecer o Nuno no dia do lançamento da antologia, e ele mencionou a sua paixão pela escrita medieval, pelo que o tema neste conto não me surpreende. Quando estava em processo de escrita de "Chamas" fiz uma pesquisa intensiva sobre bruxas, a sua caça e o tema de Salem, por isso deixe-me que diga, é um conto interessante para quem gosta deste género. Às vezes deixa-se arrastar um pouco, mas tem um final que compensa.

Vento Parado, Ângelo Teodoro

Adoro escritores que incluem personagens escritoras nas suas histórias. Posso estar errada, mas reparo em algumas influências de Stephen King neste conto e adorei. Consegue manter o suspense de forma hábil, incentivando sempre a continuação da leitura. 

A Essência do Mal, Alexandra Torres

Um dos contos com maior suspense nesta antologia. Gosto do seu tema, da introspeção à personalidade humana, do clássico descrito e também do seu fim.

O Canto da Sereia, Soraia Matos

Este foi o único conto desta antologia toda que me custou mais a ler. Achei demasiado detalhada, pelo que perdi um pouco o foco da história. No entanto, gosto do tema, gosto das explicações mitológicas e gosto da ação final.

Páginas Assassinas, Carina Rosa

De todos os pequenos contos que já li de Carina Rosa, este foi sem dúvida o que mais apreciei. Mais uma vez, gosto de escritores que escrevem sobre escrita, e ainda mais quando escrevem sobre como esta pode levá-los à loucura. Neste caso, um tipo de loucura justificada!

Génesis, Patricia Morais

Deixo a opinião ao vosso encargo, não se esqueçam de adicioná-la no Goodreads. Em minha defesa, queria escrever algo completamente fora do tema de "Sombras" e "Chamas" e arriscar-me um pouco. Usei também um pouco das minhas influências políticas uma vez que queria retratar uma sociedade patriarca que levasse a personagem principal a rebelar-se. Espero que gostem!

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sábado, 18 de fevereiro de 2017

Opinião Literária - Soberba Escuridão

Este livro foi me oferecido pela própria autora quando propusemos fazer uma troca de livros, para podermos ficar a conhecer o trabalho uma escritora de ficção sobrenatural para outra escritora de ficção sobrenatural.



Título Original: Soberba Escuridão 

Autora: Andreia Ferreira
Editora: Alfarroba 
Páginas: 253


Sinopse"Quando o relógio pisca as doze horas intermitentes, Carla recebe no seu quarto uma visita indesejada.
A partir daí, todo o seu mundo desmorona e a solidão e o medo encarregam-se de a arrastar para um estado deprimente que só um desconhecido parece compreender. 
Cega de paixão, nega as evidências de que o seu novo amor é mais do que um rosto angelical. Ele esconde segredos que a levarão para perigos que parecem emergir das profundezas do inferno."

Opinião: Como qualquer livro, devo começar por afirmar que este tem os seus altos e baixos (e visto que é a estreia da autora, deveríamos congratulá-la). 

Tem uma escrita fluída e não aparenta grandes floreados de leitura complicada que muitas vezes dominam os escritores portugueses. É verdade que temos uma língua bela, mas num país que pouco lê, deveríamos focar-nos em apresentar histórias interessantes e incentivar a leitura dos nossos jovens, ao invés de os obrigar a tirar um curso superior para poder ler só o primeiro capítulo.

Eu, apesar de grande fã dos temas dos vampiros e lobisomens como podem constar em “Sombras”, quero também louvar a escritora pela sua originalidade e por ter apresentado um livro dentro do género sobrenatural que se esquiva um pouco a este tema tanto usado. E, quem me conhecer sabe que sou amante da mitologia a nível mundial, por isso quando li o pequeno excerto sobre a mitologia egípcia, delirei!

No entanto, qualquer escritor tem os seus momentos baixos nas suas primeiras tentativas. Só eu sei o quanto gostaria de voltar atrás e rever os pontos menos agradáveis de “Sombras” para torná-lo no livro perfeito, apesar de estar contente com o seu produto final. Devo dizer que houve demasiada infodump no começo do livro, pequenos detalhes que talvez podiam ter sido incluídos aqui e ali, ao longo da história. E tanto quanto assim, o oposto também é verdade. A autora tentou ocultar demasiada informação acerca dos acontecimentos estranhos que ocorriam, de forma a poder apresentar tudo no final, mas na minha opinião isto só levou a que a personagem principal, Carla, agisse de uma maneira que eu acho deveras inapropriada (como estar tão completamente e loucamente apaixonada que nem exige sequer saber informação sobre o namorado), e levou-me a ficar um bocadinho frustrada com o desenvolvimento. Toda a gente gosta de mistério, mas ninguém gosta de andar às aranhas. Mas, se o objetivo era que continuássemos agarrados ao livro para tentarmos descobrir mais, resultou. Estes tipos de estratégias têm de ser feitos com cuidado porque também podem ter o efeito de fazer um leitor abandonar um livro ou perder o interesse pela série, mas comigo funcionou (eu é que também sempre fui muito impaciente).

A relação de Carla e Caael pareceu-me avançar de forma demasiado rápida, e não deu oportunidade para o suspense e o build-up, que leva os leitores a apaixonar-se ao mesmo tempo que o casal. E, honestamente, gostei muito das personagens femininas deste livro, têm as sua diferenças, o que as torna reais com os seus defeitos e qualidades, mas a mim parece-me que assim que se coloca testosterona no meio, elas perdem imediatamente vários pontos de QI. Apesar de ser verdade, na vida real, para algumas pessoas, estas alterações levam tempo. Ninguém é uma rapariga normal no seu dia-a-dia, e no dia seguinte, porque arranja namorado, deixa de falar às amigas. Estes comportamentos alteram-se aos poucos.

E por último, gostaria de abordar o recorrente tópico de violação e a cena de sexo. Mais uma vez, parabéns à autora por se ousar tanto. Contudo, pareceu-me não combinar com o restante estilo da história. Esta é uma história que eu incluiria numa audiência mais jovem – e não quero ser pudica e acreditar que os jovens de hoje não vão saber o que sexo é, ou que não deveriam ser alertados para os problemas de estupro, porém houve detalhes que não me pareceram ir em concordância com o restante estilo de escrita e não necessitavam de ser tão pormenorizados (mas é um tema grave e recorrente e não devia ser ignorado na nossa sociedade, por isso até mesmo os mais novos deviam ser alertados).

Por final, quero agradecer à autora a oportunidade em dar-me a conhecer o seu livro. Felicitá-la mais uma vez pelo seu livro de estreia e por batalhar num público e género onde os autores portugueses não têm tanta estima quantos os estrangeiros. Fiquei curiosa para ler o segundo volume, e espero que continue o bom trabalho.

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quarta-feira, 27 de janeiro de 2016

Livros que me marcaram - Orgulho e Preconceito

Uma vez li, que Stephenie Meyer baseou-se em Orgulho e Preconceito de Jane Austen para escrever o primeiro livro da saga Luz e Escuridão: Crepúsculo. Oh, como eu gostaria!

Realmente, é possível denotar parecenças, mas falta em Isabella “Bella” Swan aquilo que torna Elizabeth “Lizzy” Bennet absolutamente magnífica: uma personalidade forte.

Quanto mais aprendo sobre este livro, mais me apercebo de algumas semelhanças com o meu próprio sem eu mesma ter reparado que lá estavam. Nota: não quero, nem num milhão de anos, insinuar que o meu livro foi tão bem escrito ou desenvolvido como o de Austen. Só estou a dizer que existem elementos que me inspiraram e que não me tinha apercebido.

Título Original: Pride and Prejudice
Autor: Jane Austen
Editora: Livraria Civilização Editora

Sinopse: Uma clássica história de amor e mal-entendidos que se desenrola em finais do século XVIII e retrata de forma acutilante o mundo da pequena burguesia inglesa desse tempo. Um mundo espartilhado por preconceitos de classe, interesses mesquinhos e vaidades sociais, mas que, no romance, acabam por ceder lugar a valores mais nobres: o amor.

As cinco irmãs Bennet, Elizabeth, Jane, Lydia, Mary e Kitty, foram criadas por uma mãe cujo único objetivo na vida é encontrar maridos que assegurem o futuro das filhas. Mas Elizabeth, inteligente e sagaz, está decidida a ter uma vida diferente da que lhe foi destinada.
Quando Mr. Bingley, um jovem solteiro rico, se muda para uma mansão vizinha, as Bennet entram em alvoroço…


Opinião: Porque adoro este livro?

  • Este livro está incluso na secção “Ten Novels You Need to Read and Why no livro Writting a Novel and Getting Published for Dummies de George Green e Lizzy Kremer, porque é um bom exemplo de um livro com INTRODUÇÃO, DESENVOLVIMENTO e CONCLUSÃO bem definidos. Rapaz conhece rapariga, rapariga não gosta do rapaz, eles apaixonam-se.
  • É dividido em cenas explícitas, com uma boa razão para existirem. 
  • E o meu preferido: as personagens. É aqui que reparo que peço emprestado algum do estilo de Austen porque, tal como ela, também gosto de enredos com muitas personagens. Austen escreve com muitas personagens, mas tem uma capacidade espetacular de lhes dar personalidades definidas e diferentes. Nem todos são tão bons quanto mostram e nem todos são tão maus quanto parecem (a minha inspiração para Louis e Liam), mas todos eles têm motivos pessoais que os fazem agir da maneira que agem.

Outra razão (mais pessoal) pela qual adoro este livro são pelas semelhanças que vejo entre mim e a minha melhor amiga, nas personagens Lizzy (Belinha, noutras versões mais antigas) e Jane (Joana, noutras versões mais antigas) – inspirações para escrever Lilly e Ada. No outro dia, estava eu a ver a mini-série Pride and Prejudice (1995) e Jane tenta, à força toda, fazer com que tanto George Wickam como Mr. Darcy sejam bons por natureza (e a vozinha da minha melhor amiga aparece-me na cabeça) e Lizzy responde exatamente o que eu tenho por hábito responder-lhe: “não podes fazer com que todos sejam bons.” Estava eu aqui a pensar que a minha amiga era uma personagem única (difícil de pôr no papel) e estava a descobrir que Austen já o fizera de forma eficaz. Depois disso, tive de mandar uma mensagem, o mais depressa que pude, à minha amiga e dizer-lhe que tinha descoberto a razão da nossa amizade “fôramos em tempos irmãs, no clássico de Jane Austen,” (um dos filmes e livros preferidos da minha amiga).

E finalmente, outra razão para adorar Orgulho e Preconceito é porque ela escreve sobre a classe social com humor e sarcasmo, e tem uma mente bastante avançada para uma mulher daquela altura. 

segunda-feira, 11 de janeiro de 2016

Livros que me marcaram - A Filha da Floresta

Todos os escritores e leitores têm livros que os marcam na sua paixão, e apesar de não ser novidade nenhuma que o Harry Potter da J. K. Rowling foi o meu início, A «Filha da Floresta» de Juliet Marillier, marcou a continuação dessa paixão, mesmo sendo um livro volumoso para a idade que eu tinha na altura. 

Título Original: Daughter of the Forest
Autor: Juliet Marillier
Editora: Bertrand Editora (diz na capa)
Páginas: 448 (que valem "as penas")

Sinopse: Passada no crepúsculo celta da velha Irlanda, quando o mito era Lei e a magia uma força da natureza, esta é a história de Sorcha, a sétima filha de um sétimo filho, e dos seus seis irmãos.

O domínio Sevenwaters é um lugar remoto, estranho, guardado e preservado por homens silenciosos e Criaturas Encantadas que deslizam pelos bosques vestidos de cinzento e mantêm as armas afiadas. O maior perigo para este idílio vem de dentro: Lady Oonagh, uma feiticeira, que casou com o pai de Sorcha, senhor de Sevenwaters. Frustrada por conseguir encantar todos menos a enteada, Oonagh lança um poderoso feitiço sobre os irmãos da rapariga, que só Sorcha poderá conseguir quebrar. Porém, a meio da pesada tarefa de libertar os irmãos, Sorcha é raptada por um grupo de salteadores, e ver-se-á dividida entre o dever de salvar a vida dos irmãos e um amor cada vez maior, proibido, pelo senhor da guerra que a capturou.

Opinião: Eu li este livro quando tinha doze ou treze anos e, talvez, ainda demasiado nova para entender grande parte do seu conceito como a guerra entre os Irlandeses e os Bretões, amor e romance, ou até mesmo violação.

Mas mesmo assim este foi um dos livros que marcou a minha paixão pela leitura e um dos poucos que alguma vez me atrevi a dar 5 estrelas. Devo confessar que como gostei tanto desta saga, Sevenwaters, pensei que viria a tornar-me fã de Marillier e de livros do género celta, mas nunca nenhum me cativou tanto quanto este. 

Adorei a devoção que Sorcha tinha pela sua família e força que demonstrou ao longo do livro. E lembro-me de ter sentido tão revoltada com a sua madrasta que acho que foi a primeira vez que realmente entendi o que é ser um vilão. 

Este livro é um livro que cativa desde o primeiro capítulo, até mesmo uma jovem e inocente menina como eu era. Uma das razões pela qual digo que ainda era muito nova para entender é porque no momento em Simon confessa ter guardado a madeixa de cabelo de Sorcha eu desatei-me a rir às gargalhadas, por ainda ser demasiado ingénua para entender porque razão alguém alguma vez guardaria um pedaço de cabelo durante tanto tempo.

O irmão mais velho de Sorcha, não foi a minha inspiração para criar Liam, mas adorei tanto o nome "Padriac" que o usei para o primeiro livro que alguma vez escrevi e terminei aos 15 anos, "Padriac & Elladora" (uma mistura de Eragon com Harry Potter).

domingo, 27 de dezembro de 2015

Opinião Literária - A Chama ao Vento

Romances não estão, sem sombra de dúvida, entre os meus géneros literários preferidos. É por isso que quando pego num livro de romance este é geralmente histórico ou um clássico. Jane Austen é fantástica a abordar problemas de feminismo -- da sua altura -- e distinções de classe e não me envergonho de gostar dela.

Esta retinência é em pegar nestes livros, sempre com medo que seja muito ligados ao romance e pouco há História, levou-me a adiar esta leitura. Mas "A Chama ao Vento" foi escrito por uma colega da Coolbooks e já tinha lido boas críticas ao seu trabalho.

Titulo Original: A Chama ao Vento (já foi mencionado)
Autora: Carla M. Soares (aka colega da Coolbooks)
Editora: Coolbooks (não acabei de dizer?)
Páginas: 430 (na versão eWook)

Sinopse: Um corpo anónimo é lançado à água num misterioso voo noturno sobre o Atlântico…

Vivem-se os anos mais negros da Segunda Guerra Mundial, e a vida brilha com a força e a fragilidade de uma chama ao vento. Na Lisboa de espiões e fugitivos dos anos 40, João Lopes apresenta à sua amiga Carmo um estrangeiro mais velho, homem de segredos e intenções obscuras que depressa a seduz, atraindo os dois jovens para uma teia de mistérios e paixões de consequências imprevistas.
Anos volvidos, Francisco, jornalista, homem inquieto, pouco sabe de si próprio e menos ainda de Carmo, a avó silenciosa que o criou, chama apagada de outros tempos. É João Lopes quem promete trazer-lhe a sua história inesperada, história da família e dos passados perdidos nos tempos revoltos da Segunda Grande Guerra e da Revolução de Abril. Para João, é uma história há muito devida. Para Francisco, o derrubar dos muros que ergueu em torno da memória e da própria vida.
Um retrato íntimo de Portugal em três gerações, pela talentosa escritora de Alma Rebelde.


Opinião: Depois de ler tantos livros em inglês (por serem mais baratos e fáceis de adquirir) comecei a sentir que a minha escrita, tanto nas traduções da vertente inglês-português como criativa, estava a ser indubitavelmente prejudicada, pelo que decidi escolher algo para ler na língua portuguesa. “A Chama ao Vento” foi uma excelente escolha. Carla M. Soares escreve num português limpo, fluido e rico de uma forma não pretensiosa e complicada com o qual tenho por vezes o infortúnio de me deparar.

Devo admitir que não foi uma história que me agarrou logo nas primeiras páginas, mas as alterações entre a atualidade e o passado intrigavam-me e deixavam-me cheia de curiosidade; cada vez que reparava num flashback a caminho abria de repente os olhos e perguntava-me o que raio se estaria ali a passar. Foi isto que me fez continuar e, quando cheguei ao terceiro capítulo reparei que já estava tão submersa no livro que não seria capaz de o pousar mesmo que necessitasse, já tanto o passado como o presente me fascinavam de forma igual.

Apesar da narrativa ser feita inicialmente na perspetiva de um homem, achei que a autora conseguiu captar bem a essência do seu personagem, Francisco, um homem fechado e distante -- resultado de falta de conhecimento de si mesmo -- e apesar de não apreciar a maneira como deixa Teresa do lado fora, compreendo as suas razões. 

Teresa, é sem dúvida, a minha personagem preferida do rol de mulheres descritas. É uma mulher dos tempos modernos que, como qualquer mulher apaixonada, abdica um pouco da sua própria felicidade e dos seus desejos para manter-se ao lado do homem que ama numa esperança contínua que ele mude ou recompense tal dedicação com uma parte de si mesmo, sem no entanto fechar os olhos ou perder a dignidade quando se apercebe que demais é demais e por vezes é necessário desistir daqueles que não querem ser salvos. 

A narrativa do passado acontece no seio da Segunda Guerra Mundial, do qual Portugal não fez parte. Adorei o contraste da autora ao descrever Lisboa como uma cidade bela e antiquada, mas como ao mesmo tempo representa Portugal como um país retrógrado e lento a aceitar os novos tempos, assim como a sua reflexão da ignorância vivida pelo país face à guerra que decorria no mundo lá fora.

“A Chama ao Vento” também aborda tópicos como a ingenuidade de um primeiro amor, mas é aqui que confesso fiquei um bocado desiludida com a razão que apagou a chama de Carmo (perder um amor é algo duro, mas quando esse é o único motivo que faz com que uma pessoa se torne num zombie, eu perco um pouco o respeito por tais mulheres, especialmente quando estas têm pessoas a depender de si; como o filho dela. Gostaria que Carmo tivesse mais envolvida em assuntos políticos e fosse as atrocidades que sofreu que a tivessem deixado assim).

Também gostaria de ter ficado a saber mais sobre a mãe de Francisco. O que fez com que ela não voltasse depois de ter tentado voltar ao país? O que faz uma mãe abandonar o filho?

No entanto, entendo que os tempos eram outros, força não era algo encorajado nas mulheres e nem todos os personagens são obrigados a agir como desejamos, são essas falhas que os tornam autênticos e nos fazem conectar com eles e ler uma página atrás da outra.  

"A Chama ao Vento" pode ser adquirido no site da Coolbooks. Também podes ler um excerto aqui.

quinta-feira, 12 de fevereiro de 2015

Prova que os livros são melhores que os filmes - O Lado Selvagem

Todos nós, por mais que lutemos contra tal, somos controlados por fatores na nossa vida pessoal que dominam tudo o resto que fazemos, seja estudar, trabalhar ou até mesmo coisas que fazemos por prazer como ler. Não tenho problemas em admitir que apesar de ler ser uma das minhas maiores  paixões, muitas vezes torna-se tão entediante quanto fazer os T.P.C’s quando andava na primária e o que eu queria mesmo era brincar na rua. Tenho um certo objetivo de livros lidos que quero atingir por ano e preciso de o cumprir de forma a manter-me motivada. 

No entanto, existe alturas que acertas no jackpot da leitura. Muitas vezes isso pode acontecer quando te atreves a sair do teu género de conforto.

O que me levou à descoberta de Into the Wild (O Lado Selvagem) de Jon Krakauer.

Título Original: Into the Wild (pensava que já tinha dito)
Autor: Jon Krakauer (se bem me lembro também já foi mencionado)
Editora: Editorial Presença (se tivessem clicado no link para o website da Wook também sabiam este detalhe)
Páginas: 224 (este pormenor importa? Depois de tudo o que vou dizer vais continuar sem lê-lo?)

Sinopse: Baseado no caso real de Christopher McCandless, um jovem de vinte e dois anos que, ao terminar a faculdade, doou todo o seu dinheiro a uma instituição de caridade, mudou de identidade e partiu em busca de uma experiência genuína que transcendesse o materialismo do quotidiano. Começando a sua viagem pelo Oeste americano, Christopher dá igualmente início a uma aventura que mais tarde viria a encher as páginas dos jornais e que termina com a sua morte no Alasca. Uma morte misteriosa… Acidental ou propositada? Um livro comovente que cativa o leitor pela forma como é retratada a força indomável de um espírito rebelde e lírico.

Opinião: Quem me conhece sabe que adoro tudo o que esteja relacionado com aventura e natureza, e é talvez por essa razão que esta história me comoveu tanto. Não tenho por hábito ler livros que não se lêem de uma maneira convencional. Leio uns quantos capítulos de livros escolares ou assim, mas nada deste género; que se começa sabendo já o fim, e que não tem o original conflito e final feliz a que estamos habituados.

Jon Krakauer (ainda se lembram quem é ele? O autor do livro?) sentiu-se extremamente emocionado ao ouvir a história do jovem Chris McCandless e foi subitamente inundado por uma grande curiosidade em saber mais. O que levou este peregrino a embarcar em tal aventura? Como foi ali parar e o que correu mal?

A minha afinidade para com este livro não vem do desejo de ser como ele. Ele não é um herói no sentido que derrota o vilão da história como tantos livros que lemos. A minha afinidade provém das semelhanças que vejo. Um personagem fora do vulgar, com gostos e paixões semelhantes às minhas, que possui no entanto uma personalidade única e fortes princípios e que me faz desejar ser mais como ele.

Chris “Alexander Supertramp” McCandless é um amante do selvagem e ensina-nos que, apesar de admirável no seu estado mais puro e indomável, a natureza não deve ser tratada como uma amiga, mas com respeito e puro fascínio.

Jon Krakauer tem um talento nato para escolher as citações mais apropriadas no início de cada capítulo de forma a deixar-nos a ansiar por mais e eu relacionei-me pessoalmente com algumas delas