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sexta-feira, 15 de janeiro de 2016

50 Dicas para Escrever Melhor - Dica Nº21

Dica nº 21: Trabalhe em diferentes histórias ao mesmo tempo.

Não estarei a acrescentar nada de novo. 

Este conselho é um bocado complicado e tenho a certeza que muitos escritores discordarão. Eu própria não sou muito apologista de começar várias histórias ao mesmo tempo. Apesar de ter várias ideias ao mesmo tempo, prefiro apontá-las no papel e focar-me nelas mais tarde.


No entanto, concordo que pensar noutra coisa e trabalhar noutro projeto, de vez em quando, ajuda a desanuviar e impede o bloqueio de escritor. Isto é particularmente útil quando precisamos de deixar a mente descansar durante um bocado para poder dar uma nova revisão.

quarta-feira, 6 de janeiro de 2016

50 Dicas para Escrever Melhor - Dica Nº20

Dica nº20: Rever com os ouvidos

Já alguma vez tentaste ler um texto em silêncio e de seguida em voz alta? Reparaste em como soa diferente?

Quando lemos em voz alta temos tendência a parar nas vírgulas e nos pontos finais. Queremos que a nossa leitura saia fluída e natural. Quando lemos em voz silêncio, muitos desses pequenos pontos são negligenciados e os erros que daí saem ignorados.


Tenta ler o teu texto em voz alta e repara se soa demasiado a escrita, principalmente os diálogos. É óbvio que ler um livro inteiro é demoroso e provavelmente precisarias de muitos copos de água e ao final da semana a tua voz seria apenas um grasnar rouco, mas se fores como eu que não consegue ler um capítulo sem virar um corvo tenta ao menos ler lentamente e pronunciar todas as palavras em silêncio.

terça-feira, 20 de outubro de 2015

50 Dicas para Escrever Melhor - Dica Nº19

Dica nº19: Empresta a mente a todos os teus personagens.

Aqui está algo que, na minha opinião, por vezes torna-se difícil de executar. 


Muitas vezes quando leio um livro e por alguma razão não consigo conetar com os outros personagens deve-se apenas a um facto: não têm personalidades próprias. O enredo de personagens acaba por ser apenas uma fotocópia uns dos outros e onde só as suas aparências parecem mudar. Isto acontece particularmente quando o autor tenta escrever em diferentes POV (Point of view – Pontos de vista) e torna-se bastante difícil de destingir quem participa no quê e quem foi o responsável por ter dado cabo do couro a quem se não tivermos o vilão a gritar pelo nome do personagem vezes sem conta.

Eu digo isto sabendo perfeitamente que também caiu vítima desta falha vezes sem conta. É difícil não utilizarmos versões nossas para todos os nossos personagens, afinal de contas são fruto da nossa imaginação. Mas se existe algo do qual me orgulho é das repetidas vezes que as pessoas me dizem que não sou aquilo que elas esperavam de mim, que pareço mais de uma pessoa enfiada num só corpo (não, ainda não fui diagnosticada com múltiplas personalidades). O ser humano é muito mais complexo do que preto no branco, queres mesmo acreditar que não consegues ver uma situação de perspectivas diferentes e utilizando duas mentes?

Um exercício que me ajudou bastante quando estava a tentar criar mais de vinte personagens (já perdi a conta a quantos são) foi escrever a mesma cena de “Sombras” nas perspetivas de diferentes personagens e ver onde estava a repetir-me demasiado na escrita e onde eles se diferenciavam.

Nota: é onde eles se diferenciam que te deves focar.

sábado, 13 de dezembro de 2014

Ler sobre escrever

Há tempos escrevi um magnífico post acerca dos hábitos de ler e escrever (*clears throat* não é nada modesta), um simples aparte de como ler livros de ficção me ajudava a entrar no espírito da escrita. Continuo fiel ao que escrevi: ajuda. Mas sabem o que ajuda ainda mais?

Ler sobre escrever.

Sombras foi um livro que demorou bastante tempo a ser desenvolvido para chegar ao produto final. Primeiro veio a imagem que já expliquei como surgiu, descobrir de onde essa imagem vinha, descobrir qual o melhor cenário que podia dar vida à minha história e criar todas aquelas personagens com distintos backgrounds e personalidades – é verdade que baseá-los de certa forma em pessoas verídicas ajudou imenso… mas mesmo assim (ohhh… o que eu fui dizer! Para todos os meus conhecidos que lêem este blog: pessoal, boa sorte agora a descobrir o quem é quem das personagens). 

Antes de ter aquilo a que eu me sentia confortável em chamar “primeiro rascunho”, o meu livro de apontamentos estava repleto de rabiscos e rascunhos  e frases de uma linha para descrever cenas por escrever para mais tarde ser incluir na história. 

Isto tudo até ter descoberto Veronica Roth, a minha musa nos conselhos sobre escrita. Porque me refiro a ela mais uma vez? Devem-se estar todos a perguntar. A internet está cheia de conselhos de outros escritores, de melhor renome que ela, porquê esta escolha peculiar? Primeiro, tem haver com o facto de ter gostado imenso da trilogia Divergente; isso fez com que me sentisse curiosa em cuscar o blog dela à procura de novidades sumarentas. E segundo, a sua escrita no blog; é informal, é impessoal, mas é de fácil leitura. Tal como já expliquei neste post: escrever já é um processo árduo, a última coisa que eu quero é ter de decifrar as palavras de um escritor presunçoso que gosta de escrever tudo floreado quando eu estou à procura de algo técnico e directo ao assunto.

Mas foi no blog de Veronica que descobri a minha inspiração. Creio que já disse: cada vez que me sentia menos inspirada para escrever, quando estava num daqueles dias em que Stephen King me colocaria na categoria de amador  “status: à espera de inspiração”, sentava-me a ler os conselhos dela e cinco minutos depois a vontade de colocar esses conselhos em prática estava de volta.

É por isso que os meus auto-presentes de natal deste ano foram livros sobre escrita para poder melhorar o meu “não tão bom” primeiro rascunho da sequela de Sombras.

Eu não conheço a vossa opinião enquanto leitores ou escritores, mas se são daqueles que acham que a tendência para escrita é algo com que se nasce e que não se aprende, eu gostaria de ler os vossos trabalhos e poder julgar como cresceram desde que começaram. Eu posso garantir por experiência própria que o livro que terminei aos quinze (algo que nunca será visto aos olhos do público pois não desejo cometer suicídio de carreira quando ainda agora comecei) não se compara a Sombras em termos de qualidade. É óbvio que a minha própria maturidade e prática contribui para tal, mas a muito devo à auto-aprendizagem que fiz sobre o assunto. Não é à toa que existem cursos de escrita criativa, e apesar de nunca ter feito nenhum acredito que são úteis. 

Alguns escritores nascem com os deuses da escrita a sorrir-lhes, mas para os pobres infelizes que não tiveram tal sorte resta seguir o caminho mais difícil e marrar nos livros.

sábado, 19 de outubro de 2013

50 Dicas Para Escrever Melhor - Dica Nº 9

Dica nº9: Teste as suas ideias de história.

Não tenho muito mais para acrescentar, mas aconselho a lerem o post original. É em português, não têm desculpa.

Transições

Uma coisa que de vez em quando exige um certo esforço é transições. Não é as transições dentro de um parágrafo para o outro, com essas eu passo bem, mas as que estão dentro do mesmo parágrafo.

Se escrevêssemos um capítulo por cena ficaríamos com mais de cem capítulos num livro e alguns só tinha uma página ou até mesmo meia página. Conseguem imaginar?

É por isso que existem transições.

O melhor método é incluir uma pequena descrição ou uma linha de pensamentos do protagonista, mas muito disto pode aborrecer o leitor. Outra possibilidade é deixar uma linha em branco no meio da página. Nunca viram este símbolo * num livro?

Eu não lido muito bem com transições dentro mesmo capítulo, por isso muitas vezes a minha informação é despejada num BUM-BUM, que baralha quem não está dentro da minha cabeça.

Estou a falar a sério, uma vez acabei um parágrafo com: “Quando me sentei no lugar do condutor já os dois tinham desaparecido.” E o parágrafo seguinte começava com: “Entrei em casa e enfrentei o silêncio da noite.” Onde é que eu tinha a cabeça? No mínimo podia ter posto uma linha de intervalo!

Agora estava a rever e dei por mim com uma situação semelhante, mas não tão má. É uma cena onde está tudo a discutir a possibilidade de estarem em perigo, mas a seguir já estão todos a divertirem-se. Como é que isto acontece? Olha que engraçado estamos em perigo de vida? Mais vale aproveitarmos para estar com amigos! Ou algo do género.

Por isso andei a fazer uma pesquisa e foi isto que encontrei:

As cenas de transição são como pontuação (é muito mais engraçado em português porque rima). Eles actuam como pontos finais, terminando uma acção, ou como travessões, permitindo aos leitores uma pausa. Elas podem deixar uma pergunta em mente, ou acabar com um ponto de exclamação, de forma a que os leitores fiquem ansiosos para saber o que vem a seguir.

As transições, definitivamente, não devem pôr ninguém a dormir ou fazer com que percam o interesse no que vem a seguir. E, saltar para uma outra cena demasiado cedo pode fazer com que o leitor se sinta traído ou confuso.

As transições precisam de estrutura, e requer pensamento avançado. Tens que pensar sobre onde é que o teu personagem acabou de estar para poderes terminar a cena, e precisas de pensar aonde é que o personagem precisa de estar a seguir, para teres a certeza que consegues fazer uma transição suave.

Transições devem levar os leitores a soltar um suspiro animado ou a acabar em suspense para que não consigam resistir em virar a página seguinte. Escreve de maneira a deixá-los com uma resposta emocional “Oh, tão triste!” ou “Oh, tão querido…”

Assim, quando voltar a pegar no livro, o leitor não se vai procurar com a quantidade de horas que passaram entre a pausa.


Por isso, vou voltar ao trabalho e esperar que consiga realmente pôr em prática aquilo que escrevo.

terça-feira, 24 de setembro de 2013

50 Dicas Para Escrever Melhor - Dica Nº6

Dica nº6: Evite que o perfeccionismo afecte a sua produtividade.

Primeiro, ninguém é perfeito.


Segundo, de certeza que existe imensos posts por ai acerca deste tema, mas de momento o único que me vem à mente é o de Veronica Roth, em que ela aconselha a cantarmos o mais alto e horrível possível.

Passo a explicar:

Ela caracteriza-se como sendo perfeccionista e por isso nas aulas de voz tinha, muitas vezes, dificuldade em descontrair. O professor dela aconselhou que ela tentasse cantar a escala o mais alto e mais horrível possível. Para se deixar ir completamente sem se preocupar como soava.

O mesmo aplica-se na escrita.

Deixa que os teus primeiros rascunhos sejam o mais – e agora vou utilizar a tradução literal da palavra – “merdosos” possíveis.

Ela chega a incluir o excerto do capítulo ”Shitty First Drafts” (Primeiros rascunhos merdosos) do livro “Bird by Bird” de Anne Lammott.

“Perfeccionismo é a voz do opressor, o inimigo do povo. Irá manter-te apertado e enlouquecido a vida inteira, e é o principal obstáculo entre ti e o teu primeiro (don’t make me say it again) rascunho. Eu acho que perfecionismo é baseado na crença obssessiva que és capazes de ultrapassar com cuidado todos os percalços da forma correcta, para que não tenhas de morrer. A verdade é que vais morrer na mesma e muita gente que não está sequer a olhar para os pés vai conseguir fazer muito melhor trabalho que tu, e divertir-se muito mais enquanto o fazem.”

Primeiro, o teu rascunho irá sempre, sempre, sempre precisar de ser revisto e possivelmente reescrito. Não pode ser evitado.

Segundo, o perfeccionismo prejudica o esforço criativo, não apenas porque impede o progresso, mas porque também restringe a criatividade.

Ou seja, o perfeccionismo faz com que a tua arte preste ainda menos. E se tivesses feito o primeiro rascunho sem tentar ser tão proteccionista talvez ele tivesse saído melhor. Este última frase é dirigida pessoalmente a mim.

Quantos mais soltos e selvagens os rascunhos forem, melhor eles são.

Tenta ver esse exercício, não como aceitar o erro, mas como abraçar a liberdade.

Parte disto é tentar encontrar uma forma de te perder no teu trabalho. Submergir-te nele e deixá-lo ser desorganizado, feio e doido.

quinta-feira, 19 de setembro de 2013

50 Dicas Para Escrever Melhor - Dica Nº4

Dica nº4: Inspire-se antes de começar a escrever

Esta é simples, certo? Quem é que nunca viu um filme e teve uma ideia alternativa para contar o mesmo tipo de história? Quem é que nunca ouviu uma música que parecesse digna de um soundtrack para uma cena romântica e não sentiu o cérebro logo a trabalhar? Quem é que nunca leu um livro e ponderou acerca de uma situação que ficaria bem na história?

Comigo começou tudo assim. 

Hoje, se tiver a ter problemas com a minha imaginação, paro de escrever coloco música e penso Ok! Se isto tivesse a acontecer contigo o que é que tu farias a seguir? Ou então, tens aquela cena que vem a seguir. Porque raio aquilo haveria de acontecer? O que é que a originou?

Por vezes, ouvir música enquanto vou na rua ou estou no ginásio, faz-me instantaneamente lembrar-me de algo que poderá vir a ser útil. Pequena imagens que aparecem muito rapidamente à frente dos olhos, mas que se concentrar-me nelas, dão origem a uma cena completa.

Inspiração é a base da escrita.