quarta-feira, 25 de setembro de 2013

50 Dicas Para Escrever Melhor - Dica Nº7


Esta publicação foi transferida para o meu site novo: www.patricia-morais.com

Poder ler aqui.

Revisão: Dia Três

Considerando que realmente todos fizemos a parte um e parte dois, e não houve batotices como saltar capítulos ou passar logo para a parte dois, aqui vai a terceira parte do conselho de Roth.

Agora que os problemas gerais estão todos resolvidos, o que resta é
- Editar a voz
- Ter a certeza que as conversas de grupo não são confusas
- Checar se não existe outros parágrafos confusos e as pequenas coisinhas.

E para isso temos o período de reflexão. Rever o rascunho inteiro enquanto, se vai corrigindo estas pequenas coisas. Este processo é muito mais benéfico se leres lentamente o rascunho, ao invés de passares só com os olhos.

Algumas dicas:
1.    1-Força-te a ler lentamente. Cria objectivos como “Vou só ler um capítulo por hora, e vou apenas trabalhar X horas por dia”.
    
      2-Se começares a ver que estás a apressar-te ou irritada com o processo, PÁRA durante o resto do dia. Tu queres ser cuidadoso/a, pensativo/a, e meticuloso/a. Se não conseguires fazer isso num certo dia, coloca o rascunho de parte e faz outra coisa qualquer. Lê um livro! Trabalha noutra coisa qualquer! Dá uma pausa ao teu cérebro e volta no dia a seguir.
    
     3-Mantém um caderno de apontamentos por perto. Existem partes do rascunho que te podem fazer lembrar de outras partes que precisam de edição. Se andares para trás e para a frente nas edições perdes a linha da história. Mais fácil será se escreveres anotações e editares apenas quando chegares a essa parte.
  
   4-Imprime. Edições em papel pode ser uma boa maneira para te obrigar a ler lentamente (os meus professores aconselham) e não passar rapidamente os olhos pelas palavras como acontece no ecrã. Também é engraçado teres um molho de papeis e dizeres às pessoas “EU ESCREVI ISTO” (vou tentar)
   
     5-Lê as parte mais difíceis em voz alta. Vai ajudar. Irás reparar em frases estranhas ou inconsistências muito mais facilmente.
   
     6-Decide te um bom plano de “input”. O bom de imprimires o rascunho é que podes fazer notas logo no papel, mas eventualmente ele vais precisar de ser modificado no actual documento word. Esta parte pode ser um bocado aborrecida. O plano dela é deixar tempo todos os dias para fazer as mudanças, em vez de fazer tudo de uma vez. Mas se conseguires fazer tudo num dia inteiro, ainda melhor. O que funcionar melhor.

terça-feira, 24 de setembro de 2013

Revisão: Dia Dois

Ok, dia dois, este vai ser difícil de explicar.

No primeiro dia já fizemos a leitura e anotamos os problemas que havia em todos os capítulos, certo?

Agora temos a enorme lista de perdição. E o que fazer com ela? Dividi-la em dois grupos: problemas globais e problemas locais.

Problemas globais são aqueles que as soluções devem ser aplicada no rascunho inteiro ou grandes secções do rascunho, como a “a dinâmica destes dois personagens deve ser alterada” ou “o personagem principal deve pensar neste assunto periodicamente na história até um certo ponto.”

Problemas locais são os que as soluções só precisam de ser aplicadas para cenas específicas ou grupos de cenas especificas, como “ preciso de adicionar este desenvolvimento do enredo logo a seguir à página (vamos dizer página 394, porque é bem mais engraçado e lembra o Harry Potter)”

Problemas locais transforma-se em problemas globais quando, por exemplo, adicionas uma cena e tens de editar o resto do rascunho para poderes incluir essa cena, ou quando apagas tens de remover todas as menções dessa cena.

Depois de dividir a lista nessas duas categorias (e esta parte geralmente envolve mais anotações de problemas globais por que geralmente quando mudas um problema local crias um problema global) o que Roth faz é abrir o documento e divide o manuscrito em “movimentos” ou secções para tornar tudo mais fácil. Para cada secção escreve uma lista dos problemas globais que precisam de ser tratados. Talvez, não seja preciso de tratar deles em todas as cenas, mas é preciso ter noção que eles estão lá.

Depois, para cada cena ou episódio, faz uma lista das edições locais necessárias, podes até adicionar um comentário no próprio documento.

Depois, volta à lista e pensa acerca de qual será a secção mais difícil, ou qual o problema mais complicado e ataca esse primeiro. (Isso até é boa ideia, eu geralmente faço o contrário e podem adivinhar o que acontece? Quando lá chego já não tenho paciência).

Ela afirma que não se preocupa em editar fora de ordem, porque geralmente avança com uma secção de cada vez para não ficar confusa.  Quando acaba com cada secção, apaga os comentários extra que listam todos os assuntos globais dessa secção.

Tenta criar objectivos como “ esta semana acabo a secção 1”, o que significa que terás de fazer pelo menos uma cena todos os dias ou duas cenas por dia. Isto garante que te mantens-te motivado/a.

50 Dicas Para Escrever Melhor - Dica Nº6

Dica nº6: Evite que o perfeccionismo afecte a sua produtividade.

Primeiro, ninguém é perfeito.


Segundo, de certeza que existe imensos posts por ai acerca deste tema, mas de momento o único que me vem à mente é o de Veronica Roth, em que ela aconselha a cantarmos o mais alto e horrível possível.

Passo a explicar:

Ela caracteriza-se como sendo perfeccionista e por isso nas aulas de voz tinha, muitas vezes, dificuldade em descontrair. O professor dela aconselhou que ela tentasse cantar a escala o mais alto e mais horrível possível. Para se deixar ir completamente sem se preocupar como soava.

O mesmo aplica-se na escrita.

Deixa que os teus primeiros rascunhos sejam o mais – e agora vou utilizar a tradução literal da palavra – “merdosos” possíveis.

Ela chega a incluir o excerto do capítulo ”Shitty First Drafts” (Primeiros rascunhos merdosos) do livro “Bird by Bird” de Anne Lammott.

“Perfeccionismo é a voz do opressor, o inimigo do povo. Irá manter-te apertado e enlouquecido a vida inteira, e é o principal obstáculo entre ti e o teu primeiro (don’t make me say it again) rascunho. Eu acho que perfecionismo é baseado na crença obssessiva que és capazes de ultrapassar com cuidado todos os percalços da forma correcta, para que não tenhas de morrer. A verdade é que vais morrer na mesma e muita gente que não está sequer a olhar para os pés vai conseguir fazer muito melhor trabalho que tu, e divertir-se muito mais enquanto o fazem.”

Primeiro, o teu rascunho irá sempre, sempre, sempre precisar de ser revisto e possivelmente reescrito. Não pode ser evitado.

Segundo, o perfeccionismo prejudica o esforço criativo, não apenas porque impede o progresso, mas porque também restringe a criatividade.

Ou seja, o perfeccionismo faz com que a tua arte preste ainda menos. E se tivesses feito o primeiro rascunho sem tentar ser tão proteccionista talvez ele tivesse saído melhor. Este última frase é dirigida pessoalmente a mim.

Quantos mais soltos e selvagens os rascunhos forem, melhor eles são.

Tenta ver esse exercício, não como aceitar o erro, mas como abraçar a liberdade.

Parte disto é tentar encontrar uma forma de te perder no teu trabalho. Submergir-te nele e deixá-lo ser desorganizado, feio e doido.

quinta-feira, 19 de setembro de 2013

50 Dicas Para Escrever Melhor - Dica Nº4

Dica nº4: Inspire-se antes de começar a escrever

Esta é simples, certo? Quem é que nunca viu um filme e teve uma ideia alternativa para contar o mesmo tipo de história? Quem é que nunca ouviu uma música que parecesse digna de um soundtrack para uma cena romântica e não sentiu o cérebro logo a trabalhar? Quem é que nunca leu um livro e ponderou acerca de uma situação que ficaria bem na história?

Comigo começou tudo assim. 

Hoje, se tiver a ter problemas com a minha imaginação, paro de escrever coloco música e penso Ok! Se isto tivesse a acontecer contigo o que é que tu farias a seguir? Ou então, tens aquela cena que vem a seguir. Porque raio aquilo haveria de acontecer? O que é que a originou?

Por vezes, ouvir música enquanto vou na rua ou estou no ginásio, faz-me instantaneamente lembrar-me de algo que poderá vir a ser útil. Pequena imagens que aparecem muito rapidamente à frente dos olhos, mas que se concentrar-me nelas, dão origem a uma cena completa.

Inspiração é a base da escrita.