domingo, 11 de janeiro de 2015

Os Vilões em Nós

“We all have secrets.”

É talvez uma verdade universal ainda maior que a grande linha de abertura do romance de Jane Austen, Orgulho e Preconceito.

Para nós, escritores, talvez a verdade desta afirmação seja um pouco mais atenuada do que para a maioria das pessoas. Nós descobrimos, através da nossa escrita, maneiras criativas para distorcer os nossos segredos. Tudo aquilo que despejamos nas nossas páginas são, de uma maneira ou de outra, pensamentos nossos que precisavam de ser partilhados sem nos sentirmos intimidados acerca da nossa vulnerabilidade.

Todos os nossos personagens contêm parte de nós, quer seja aquele que é baseado na versão que vemos do nosso amigo ou como gostaríamos que fosse a nossa amiga. A descrição que fazemos daquela terrível defeito que tem o nosso melhor amigo, lá porque é baseado em outra pessoa não deixa de ser uma percepção nossa. As qualidades fantásticas que vemos na nossa melhor amiga, apesar de fazerem parte dela, são reflexões nossas.

É por isso que a melhor maneira de descrever um vilão é ao utilizarmos um pouco de nós, ao partilharmos as nossas piores qualidades e os nossos segredos mais obscuros. Como Veronica Roth diz em Advices About Villains “os nossos vilões devem sempre reflectir parte de nós” (ou talvez tenha sido Kari Allen, que ouviu de Katherine Patterson. Isto começa a soar como um amigo disse-me que o amigo dele disse que ouviu de um amigo, mas mesmo assim não deixa de ser mais verídico).

Temos então de olhar para as nossas características mais desagradáveis e explorar aqueles sentimentos mais obscuros de forma a tornar os nossos vilões convincentes.


A boa notícia é que esta auto-exploração é mais barata do que ir ao psicólogo. 

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