domingo, 27 de dezembro de 2015

Opinião Literária - A Chama ao Vento

Romances não estão, sem sombra de dúvida, entre os meus géneros literários preferidos. É por isso que quando pego num livro de romance este é geralmente histórico ou um clássico. Jane Austen é fantástica a abordar problemas de feminismo -- da sua altura -- e distinções de classe e não me envergonho de gostar dela.

Esta retinência é em pegar nestes livros, sempre com medo que seja muito ligados ao romance e pouco há História, levou-me a adiar esta leitura. Mas "A Chama ao Vento" foi escrito por uma colega da Coolbooks e já tinha lido boas críticas ao seu trabalho.

Titulo Original: A Chama ao Vento (já foi mencionado)
Autora: Carla M. Soares (aka colega da Coolbooks)
Editora: Coolbooks (não acabei de dizer?)
Páginas: 430 (na versão eWook)

Sinopse: Um corpo anónimo é lançado à água num misterioso voo noturno sobre o Atlântico…

Vivem-se os anos mais negros da Segunda Guerra Mundial, e a vida brilha com a força e a fragilidade de uma chama ao vento. Na Lisboa de espiões e fugitivos dos anos 40, João Lopes apresenta à sua amiga Carmo um estrangeiro mais velho, homem de segredos e intenções obscuras que depressa a seduz, atraindo os dois jovens para uma teia de mistérios e paixões de consequências imprevistas.
Anos volvidos, Francisco, jornalista, homem inquieto, pouco sabe de si próprio e menos ainda de Carmo, a avó silenciosa que o criou, chama apagada de outros tempos. É João Lopes quem promete trazer-lhe a sua história inesperada, história da família e dos passados perdidos nos tempos revoltos da Segunda Grande Guerra e da Revolução de Abril. Para João, é uma história há muito devida. Para Francisco, o derrubar dos muros que ergueu em torno da memória e da própria vida.
Um retrato íntimo de Portugal em três gerações, pela talentosa escritora de Alma Rebelde.


Opinião: Depois de ler tantos livros em inglês (por serem mais baratos e fáceis de adquirir) comecei a sentir que a minha escrita, tanto nas traduções da vertente inglês-português como criativa, estava a ser indubitavelmente prejudicada, pelo que decidi escolher algo para ler na língua portuguesa. “A Chama ao Vento” foi uma excelente escolha. Carla M. Soares escreve num português limpo, fluido e rico de uma forma não pretensiosa e complicada com o qual tenho por vezes o infortúnio de me deparar.

Devo admitir que não foi uma história que me agarrou logo nas primeiras páginas, mas as alterações entre a atualidade e o passado intrigavam-me e deixavam-me cheia de curiosidade; cada vez que reparava num flashback a caminho abria de repente os olhos e perguntava-me o que raio se estaria ali a passar. Foi isto que me fez continuar e, quando cheguei ao terceiro capítulo reparei que já estava tão submersa no livro que não seria capaz de o pousar mesmo que necessitasse, já tanto o passado como o presente me fascinavam de forma igual.

Apesar da narrativa ser feita inicialmente na perspetiva de um homem, achei que a autora conseguiu captar bem a essência do seu personagem, Francisco, um homem fechado e distante -- resultado de falta de conhecimento de si mesmo -- e apesar de não apreciar a maneira como deixa Teresa do lado fora, compreendo as suas razões. 

Teresa, é sem dúvida, a minha personagem preferida do rol de mulheres descritas. É uma mulher dos tempos modernos que, como qualquer mulher apaixonada, abdica um pouco da sua própria felicidade e dos seus desejos para manter-se ao lado do homem que ama numa esperança contínua que ele mude ou recompense tal dedicação com uma parte de si mesmo, sem no entanto fechar os olhos ou perder a dignidade quando se apercebe que demais é demais e por vezes é necessário desistir daqueles que não querem ser salvos. 

A narrativa do passado acontece no seio da Segunda Guerra Mundial, do qual Portugal não fez parte. Adorei o contraste da autora ao descrever Lisboa como uma cidade bela e antiquada, mas como ao mesmo tempo representa Portugal como um país retrógrado e lento a aceitar os novos tempos, assim como a sua reflexão da ignorância vivida pelo país face à guerra que decorria no mundo lá fora.

“A Chama ao Vento” também aborda tópicos como a ingenuidade de um primeiro amor, mas é aqui que confesso fiquei um bocado desiludida com a razão que apagou a chama de Carmo (perder um amor é algo duro, mas quando esse é o único motivo que faz com que uma pessoa se torne num zombie, eu perco um pouco o respeito por tais mulheres, especialmente quando estas têm pessoas a depender de si; como o filho dela. Gostaria que Carmo tivesse mais envolvida em assuntos políticos e fosse as atrocidades que sofreu que a tivessem deixado assim).

Também gostaria de ter ficado a saber mais sobre a mãe de Francisco. O que fez com que ela não voltasse depois de ter tentado voltar ao país? O que faz uma mãe abandonar o filho?

No entanto, entendo que os tempos eram outros, força não era algo encorajado nas mulheres e nem todos os personagens são obrigados a agir como desejamos, são essas falhas que os tornam autênticos e nos fazem conectar com eles e ler uma página atrás da outra.  

"A Chama ao Vento" pode ser adquirido no site da Coolbooks. Também podes ler um excerto aqui.

quinta-feira, 24 de dezembro de 2015

Playlist de "Um Natal Assombrado"

Quem já teve o prazer, ou desprazer, de passar comigo esta época natalícia sabe que, tal como a Zhao, às vezes deixo-me levar um pouco pelas decorações (sem virar, como se diz na minha família, "uma generala"). 

Mas mais do que decorações de Natal, o que gosto mesmo são músicas de Natal e algumas inspiraram-me bastante na escrita de "Um Natal Assombrado", um conto de Natal referente ao mundo criado eM "Sombras" que pode ser adquirido gratuitamente no site da Smashwords se ainda não tiveste o prazer de ler.

Tentei escolher versões mais recentes (e indie) que se integravam bem a este mundo visionado. 

Portanto -- sem querer estragar a história aos que ainda não leram, aconselho a ler primeiro o conto antes de ler a playlist que serviu de inspiração -- fica aqui uma lista do soundtrack que o acompanham.

"Little Drummer Boy" - Sean Quigley 
O inicio da história quando as venatori estão a fazer compras de Natal.



"Up on the Housetop" - Reba McEntire
Esta é a música que imagino que os venatori estejam a ouvir enquanto decoram a árvore de Natal.



"Winter Song" - Sara Bareilles & Ingrid Micaelson
O meu momento preferido, o de Lilly e de Liam. Esta música ganhou uma competição renhida com a "Love is Christmas" de Sara Bareilles (que preferi usar para um pequeno texto que escrevi para a Coolbooks), mas ganhou pelas palavras.

"December never felt so wrong
Because you're not where you belong
Inside my arms"



"Frosty the Snowman" - Zee Avi
Zhao não fica contente com o pedido de Nolan, e esta é a música que imagino que tenha obrigado as outras a ouvirem enquanto partem. É natalícia, mas um tanto sombria sem perder um certo toque de alegre (estranha, não é?).



"Mary, Did You Know?" Pentatonix
Eu não sou religiosa, mas Ada é bastante e é por isso que quando vê um coro da igreja a cantar, Ada deixa-se ficar para trás para apreciar. Se eu tivesse de escolher uma versão religiosa de alguma música de Natal que admirasse, seria esta. 



"Carol of the Bells" - The Bird and the Bee
Carol of the Bells dever ser das músicas mais sombrias de Natal e é por isso muito utilizada em filmes de terror natalícios (que obviamente tenho de adorar porque junta terror com Natal. Que mais posso pedir?) e é por isso uma boa música de fundo a momentos de espera.



"I want a Hippopotamus for Christmas" - A Great Big World
O Natal é suposto ser uma época de alegria, e não queria que este conto fosse muito sombrio (fica para outra altura quando decidir partilhar as origens de Natal e o assustador Krampus), por isso a cena em que os venatori perseguem os yuletides tentei fazer com que fosse certamente cómica, juntamente com a obsessão de Zhao em não deixar estragar nada no Natal. O quão hilariante não é imaginar uma perseguição com esta música?



"Home for the Holiday" - Sugar & The Hi Lows

SPOILERS

A missão está terminada e as venatori poderão finalmente ir para a casa, mas Ada tem um último pedido... 


"Have Yourself a Merry Little Christmas" - Digital Daggers
Digital Daggers é uma banda que acompanha a escrita de "Sombras" e da sua sequela de forma rigorosa. Adoro as suas batidas e o seu toque sombrio, portanto não conseguia escolher melhor música para descrever o jantar de Natal.

"Faithful friends who are dear to us
Will be near to us once more"



"Run Rudolph Run" - Chuck Berry
Imaginem os venatori a correr pela casa inteira ao som desta música. É perfeita para uma boa corrida!



"Silver Bells" - Digital Daggers
O Natal está a terminar e Lilly perde um pouco de tempo para refletir no que perdeu e no que ganhou. E para reparar num pequeno presente que alguém lhe deixou.



Deixem as vossas opiniões acerca de "Um Natal Assombrado" no Goodreads
E para quem ainda não teve o prazer de se aconchegar com "Sombras" neste inverno, não percam esta oportunidade e comprem-no aqui. Ou leiam o excerto disponível aqui.

A TODOS UM BOM NATAL (ASSOMBRADO)!

sábado, 19 de dezembro de 2015

Um Natal Assombrado Book Trailer

Falta pouco até ao Natal, portanto enquanto esperas pega num chá de limão (ou outro sabor de eleição), um cobertor, senta-te à frente da lareira e aconchega-te com "Um Natal Assombrado", um livro referente ao mundo criado em "Sombras"
Vais ver que o Natal em Venator não é assim tão diferente do teu...Ou talvez seja, descobre!

Também podes dar uma vista de olhos neste teaser trailer de "Um Natal Assombrado". Prepara-te!



"Sombras" ainda pode ser adquirido com 10% de desconto no website da Coolbooks. Lê um pequeno excerto aqui.

sexta-feira, 18 de dezembro de 2015

Um Natal Assombrado


Na altura do Halloween desejava ter feito um pequeno conto alegórico a esse tema, mas infelizmente ainda estava um pouco atrasada nas edições da sequela de "Sombras" e preferi usar esse tempo para continuar a trabalhar; visto que o Dia das Bruxas é um tema um pouco mais importante para a história, também não quis correr o risco de deixar escapar muito. 


No entanto, agora desejava deixar-vos um pequeno presente de Natal e em vez de vos presentear com um conto de Halloween presenteio com um conto de Natal. 

Se algumas vez ponderaste no que se esconde nas sombras no dia de Natal (ou pensavas que os monstros tiravam férias?) e na maneira como Lilly e os restantes venatori o celebram, tenho o prazer de anunciar que esse momento chegou .

Distribuído pela Smashwords, "Um Natal Assombrado" chegou agora à tua Internet e adivinha? É grátis! 

Descobre como os personagens de "Sombras" festejam o seu natal aqui.

E não te esqueças de dar a tua opinião e partilhar as tuas tradições de Natal no Goodreads.

A TODOS UM BOM NATAL (ASSOMBRADO)!

"Sombras" ainda pode ser adquirido no website da Coolbooks com 10% de desconto. Lê o pequeno excerto aqui.

quinta-feira, 3 de dezembro de 2015

Final da revisão e 10% de desconto em "Sombras"

Hoje considero-me de parabéns e posso finalmente descansar um pouco o meu olho zarolho (ontem fui ao oftalmologista e preciso de esperar mais umas duas semanas para ver se isto sara sozinho). É com prazer que confirmo o final das edições da sequela de "Sombras" e o manuscrito foi já enviado à editora.

Mas não comecem a celebrar já, ainda existe muito trabalhinho a fazer... No entanto, para aqueles que esperam tão ansiosamente esse momento está cada vez mais próximo.

Para os que ainda não leram tenho então uma boa notícia: "Sombras" está com 10% de desconto. Comprem um presente de natal a vós próprios e preparem-se para o que aí vem. 

Se não gostarem de adquirir livros um pouco às escuras, sempre podem ler o excerto.

De que estão à espera?


segunda-feira, 30 de novembro de 2015

O que viajar me ensinou (escrita e muito mais)


Muito conhecida é a citação de Ibn Battuta que disse "Viajar deixa-te boquiaberto, e depois transforma-te num contador de histórias". E talvez devesse ter sido com essa perspetiva que entrei nas minhas viagens de mochila às costas pela América do Sul, mas não...

Não é que não concorde, pelo contrário, não podia concordar mais. E quando uma das miúdinhas a quem tive o prazer de ensinar inglês no Peru, me elogiou em espanhol "usted eres adorable", um amigo meu não pode deixar de gozar com o encanto do inglês com que ela o tinha dito. "Oh, well, pelos vistos não sou lá grande professora," queixei-me. Ao que ele respondeu que teria de me contentar em ser uma boa viajante e uma contadora de histórias de grande sucesso. 

A inspiração para as minhas viagens veio da frase que não me canso de realçar, "um escritor é a soma das suas experiências". Esta frase veio do filme Stuck In Love e apesar de não ter achado o filme algo de repetir tantas vezes quanto o Harry Potter (nenhum filme se encontra a esse nível), essa frase marcou-me de forma a nunca me ter dado a oportunidade de esquecê-la.

Quem me conhecer bem o suficiente saberá que sou um bocado aficionada por citações e quase me agarro a elas como se fossem uma religião. E a verdade é que esta frase não podia se aproximar mais da realidade. Se não chegarmos a viver, sobre o que iremos escrever? Criatividade não nos levará a todo lado...

E o que ganhamos quando viajamos? Muito mais do que estávamos à espera!

Conheces mais pessoas
Muitas das minhas personagens secundárias são baseadas em pessoas reais. Um pequeno traço aqui, outro ali e torno-as inconfundíveis até mesmo aos olhos das pessoas que as representam. A verdade é que muitas vezes não nos vemos a nós próprios da mesma maneira que os outros nos vêm. 

Uma das personagens que aparece no segundo livro de «Sombras» é de personalidade inspirada numa pessoa, físico de outra que conheci na Tailândia e nome de outra que conheci no Peru (o nome foi apenas porque ele já há um ano que se chama Jack, mas infelizmente isso podia confundir algumas pessoas com o nome de Jake e vi-me obrigada a fazer um ajustes).

Tens mais momentos para relembrar
Enquanto viajas conhecerás pessoas fantásticas e com essas pessoas partilharás momentos engraçados, dignos de relembrar para um pequeno momento de humor. 
Uma pista: o facto de discutirmos com um americano sobre que futebol é realmente o futebol verdadeiro (come on, o nosso foi inventado primeiro, eles roubaram-nos o nome), provoca um momento de discórdia que pode ser engraçado.

As culturas dos países
Enquanto viajei (este ano não só para a América do Sul, mas também para Marrocos, Índia e Tailândia), tens a oportunidade de estar submersa em diferentes culturas, que podem ser mais tarde utilizadas para criar personagens variados, com diferentes backgrounds

Mais cenários
Se tu visses o que eu vi, Dominó. Florestas capazes de nos fazer perder. Montanhas de tamanho inimaginável, lagoas feitas de crateras, cascatas que quase no rebentavam os ouvidos com o som. 

Os momentos de adrenalina
Não existe nada melhor do que descrever o próprio medo quando o sentimos na pele. Aquela sensação de enjoo terrível que nos passa pelo estômago, mesmo antes de saltarmos e nos apercebermos que sobrevivemos. A sensação de estar perdida sem saber o que fazer que quase leva ao desespero. A realização de que somos mais fortes do que pensávamos e conseguimos ultrapassar obstáculos. 

Ou até mesmo aquele momento em que completaste algo da tua bucket-list e ficas sem palavras para descrever a sensação.

E por fim...

Mais momentos amorosos
É difícil conhecer tanta gente sem ter um ao outro que nos chama a atenção quando apanhamos o seu olhar. A química é inegável. Mais experiências significam mais histórias. Sejam elas boas ou más. Os heartbreaks mais reais. Outra frase que gosto muito é "se um escritor se apaixonar por ti nunca poderás morrer". O que é verdade, ficarás para sempre imortalizado(a) nas suas páginas. Mas deixa-te cair no seu lado negro e também podes virar a/o vilã(o) da próxima história...

E finalmente descobrimos que apesar da aventura ser excitante e espectacular, vais sempre adorar aquele dia relaxado em que te sentaste no Starbucks de Cusco a trabalhar o dia inteiro. Daquele cafézinho pitoresco que descobriste em Lima. Ou no dia em que não tiveste de dar aulas de inglês e passaste a manhã inteira a escrever. Todos estes momentos fazem-nos perceber que realmente adoras o teu trabalho. 


domingo, 29 de novembro de 2015

Um ano de Sombras

Ontem «Sombras» completou um ano... yay!! Parabéns!

Okay, vamos recapitular os acontecimentos deste primeiro ano.



Nas primeiras semanas, «Sombras» entrou para o top de ebooks mais vendidos da Wook e até constou na tabela do Diário de Notícias (ter o meu nome num dos principais jornais portugueses é algo que eu considero um grande feito).


No final do ano ainda estava no top 10, juntamente com Divergente. Divergente! A sua escritora é só uma das maiores inspirações deste blog nada mais, que é isso?
E depois a euforia do inicio foi morrendo um bocadinho...

Agora, apesar de a situação parecer um bocado lúgubre, mas isto não são motivos para desanimar. A verdade é que Portugal está entre os países que menos lê na Europa. Em segundo lugar está ainda o facto de muito ainda não terem aderido à moda do formato digital, E em terceiro o facto de o género fantástico não ser um género agradado a todos. Existe muitos para agradar. 

Mas vamos nos concentrar nas coisas positivas.

De todas as pessoas que leram, até agora tenho sido abençoada com apenas elogios e críticas positivas. Muitos apreciaram o meu sentido de humor, o sarcasmo e o ritmo com que a história se desenvolve. Alguns informaram-me da pequena tristeza que sentiram quando terminaram de ler e se aperceberam que a Lilly, o Liam e o Louis já não os acompanhariam nos transportes. E falando em transportes públicos, pelo menos duas pessoas, comentaram o facto de terem sido apanhados a rir em pleno metro ou comboio e como alguns se decidiram juntar com um sorriso. Ao que parece «Sombrasdiário» anda a espalhar alegria. 

Tudo isto são coisas que qualquer escritor(a) sonha um dia ouvir da sua obra. 

Um recapitulo das melhores críticas:  
  • "Uma história interessante que me prendeu do principio ao fim." - Anónimo 
  • "Adoro descobrir o talento que temos em Portugal. Tenho de confessar que gostei muito deste livro. Mais do que estava à espera. Revelou-se uma leitura surpreendente." - Histórias Fantásticas
  • "Tudo está bem interligado e a ação é constante, deixando o leitor ansioso pela próxima página, e a ideia de "só mais um capítulo" vai mais além aqui, porque só paramos de ler quando a vida realmente impõe. A cada ser sobrenatural que aparece, nota-se a pesquisa da autora." - Catarina Magalhães
  • "O mistério e o suspense continuam ao virar da página. [...] As personagens têm personalidade próprias e diferentes permitindo tomar partidos e criar empatias e desconfianças que os agarrem à história." - Inês Bento
  • "Está escrito de maneira a prender o leitor, fazê-lo pensar e  entrete-lo, tudo ao mesmo tempo. O humor está presente nos momentos mais inesperados e as personagens foram criadas de maneira imaginativa." - Claudia Cajada 
  • "Eu adorei ler este livro devido à mensagem que transmite [...]  nesta história a forma como a ação se desenvolve faz com que, ao longo do livro, mudemos o parecer relativamente a algumas personagens centrais. [...] Tenho que destacar a personagem principal que é um exemplo de força, perseverança e coragem para todas as mulheres" - Ana Baguecho
Agora a sua sequela está quase terminada e tenho de admitir que tem levado mais tempo que o esperado, porque neste último ano tive uns contratempos pessoais, terminei a faculdade (yay, licenciada!), viajei pela América do Sul (o novo livro estará repleto de referências a essas mitologias) e, por último, fui submetida a uma operação oftalmológica de correção laser que me deixou os olhos secos e não corrigiu a 100% (provavelmente serei obrigada a fazer mais uma cirurgia). 

Mesmo agora estou a fazer um grande esforço para conseguir ver alguma coisa enquanto escrevo, mas era incapaz de pousar este manuscrito quando se encontra tão próximo do fim...

sexta-feira, 27 de novembro de 2015

Soundtrack de «Sombras» - Bad Moon Rising

Bad Moon Rising é um clássico intemporal da banda Creedence Clearwater River e definitivamente a versão que me chamou à atenção para banda sonora de «Sombras», mas a versão de Mourning Ritual arrepia os pêlos de qualquer um. Ouvi-a pela primeira vez na série de televisão Teen Wolf quando um lunático decidiu matar toda a gente que lhe aparecia pela frente no hospital e no que toca a cenas sombrias é uma versão ótima!

"I see the bad moon arising. 
I see trouble on the way.
 
(…)
 
I see bad times today.
 

Don't go around tonight,
 
Well, it's bound to take your life,
 

There's a bad moon on the rise."


[Esta parte só existe na versão original de Creedence Clearwater River]
"Hope you got your things together. 
Hope you are quite prepared to die.
 
Looks like we're in for nasty weather.
 
One eye is taken for an eye
."

Para mim as letras desta música são particularmente interessantes para o momento em que Lilly, Matthew e Anya estão no parque de jardim na noite de lua cheia e de repente são obrigados a perseguir um lobo. 

Para ver o soundtrack completo lê este post.


E não se esqueçam de entrar no mundo fantástico de «Sombras» a partir do excerto disponível em http://bit.ly/1vsqkSJ ou em http://www.coolbooks.pt/sombras 


E vocês têm alguma música deste género que possa utilizar nos meus futuros processos criativos? Comentem se souberem de alguma.

terça-feira, 17 de novembro de 2015

A preparar-me para outra revisão

O ano passado quando estava a terminar o manuscrito de «Sombras» escrevi um post acerca do processo de revisão de Veronica Roth.


Agora que finalmente terminei mais um rascunho da sua sequela, voltei novamente ao seu conselho.

Revisão #1 – Leitura
Revisão #2 – Problemas globais e problemas locais
Revisão #3 – Período de reflexão

Não existe muito mais que possa acrescentar ao que já foi dito a não ser que recomendo seriamente a ler o rascunho tudo de uma vez. Quando lemos partes e focamos-nos a melhorar essas ditas partes e acabamos por esquecer um pouco o que já foi dito para trás, o que nos leva a repetir certas coisas, como diálogos que sabíamos que queríamos incluir que na verdade já foram escritos, mas esquecemos; descrições que já usámos e pequenas coisas aqui e ali.

Eu dei a uma amiga para ler a sequela e dizer o que achava e sem me aperceber tinha escrito algumas cenas repetidas o que ela comentou “já escreveste isto”, “já disseste algo semelhante”. Porquê? Porque não tenho o mesmo processo de leitura que ela em que tudo fica fresco na memória porque não existem pausas para trabalhar noutros pontos.

Outro ponto também fortemente aconselhável é deixar o manuscrito descansar um pouco. Isso é algo que de momento não me posso dar ao luxo visto que com o último ano de licenciatura, o trabalho, os estágios e o facto de ter passado os últimos três meses a viajar pela América do Sul, devo admitir que a escrita sofreu um bocadinho e devo retomar ao trabalho o mais depressa possível.

Mas deixar o manuscrito descansar permite-te a voltar com os olhos refrescados e a mente descansada. Distraí-te com outra tarefa. No entanto, o que eu aconselho a fazer é tomar notas das coisas que já sabes que tens de alterar.


Mas isso também depende de cada um, se eu soubesse a melhor maneira de enfrentar o difícil processo de revisão não temeria tanto quando este momento chega. Se alguém descobrir, por favor avise…

Entretanto fiquem com a maravilhosa foto do meu grandioso manuscrito :)


segunda-feira, 16 de novembro de 2015

Como escrever cenas de lutas

São 9 da manhã (não são porque o post está a ser escrito numa outra altura, mas tenho a certeza que devia circular por essa hora quando a ação decorreu) e tenho a chávena de café à minha frente e o meu computador aberto. Na secretárias, espalhados, estão os livros do Harry Potter, Twilight, Divergente, Instrumentos Mortais, e Eragon. Tudo o que puder dar umas luzinhas de como escrever o que vem a seguir: cenas de luta. 

Todos sabemos que em livros de fantasia e ação, mais cedo ou mais tarde, não podemos evitar estas partes que nos deixam eufóricos, cheios de ansiedade e a torcer pelo protagonista (ou pelo vilão). Mas quando não fazemos o trabalho todo corremos o risco de ter uma cena que é aborrecida, confusa e com falta de brilho.

É por isso que quando chega a estas alturas começo a fazer os trabalhos de casa e descobri que me ajuda a visualizar melhor as batalhas se ler como os outros fazem, daí os livros todos; e procurei também uns conselhos e organizei estas ideias:

Prepara o cenário
As cenas de luta devem ser rápidas e tensas, mas ainda assim explicarem o cenário. Muitos escritores acham que ajuda quando fazem um mapa da batalha que está prestes a decorrer e planear onde vão estar os personagens (alguns até usam brinquedos para ajudar).


Lista de eventos
Tu sabes que algo é suposto acontecer aqui e ali. Faz uma lista dessas situações em particular e organiza os teus personagens de forma a lá chegarem. Se não tiveres uma ideia clara do que está a acontecer, os teus leitores também não terão.

Motivo
Porque estão os teus personagens a lutar a não ser pelo simples facto de quereres uma cena de luta na história? O que os motiva para vencerem a luta? Quais sãos os riscos que correm se perderem a dada luta?

Uma batalha é uma situação onde os nervos estão à flor da pele. A escolha de ficar ou fugir diz muito acerca da personalidade do teu personagem. O que eles fazem ou pensam quando têm a balança desequilibrada mostram o seu caráter aos leitores.

Suspense
E fazemos isto ao criar suspense, o desenvolvimento que ocorre até se atingir o clímax. Este deve ser maior do que a luta entre si demonstrar o nervosismo da situação.

Keep it real
Nada irrita mais os leitores do que cenas irrealistas onde um personagem faz e acontece e nada lhe atinge. Quando vemos os filmes do Super-Homem também esperamos algum tipo de fraqueza se não porque lhe daríamos vilões? Quer dizer ele é o Super-Homem, ele é capaz de tudo. Mas até ele precisa da sua kryptonite para tornar as coisas interessantes.

Deixa um bocado para a imaginação
Relatos detalhados de todos os passos e golpes tornam as cenas pesadas e aborrecidas. Escreve um pouco à volta do físico e descreve os cheiros e os sons. Foca-te no que sente o personagem como por exemplo o sabor do sangue, o zumbido nos ouvidos e a dor das lesões. O que me lembra de outro ponto: não tenhas medo de dar os detalhes que são um pouco mais macabros. Faz com que o leitor se aperceba da intensidade da batalha.

E por último…

Repetição
Com cenas de luta corremos o risco de muitas vezes cair na repetição. Repetir os ataques, repetir os verbos que descrevem a cena, repetir as frases.

Mantêm as frases curtas, mas tenta não o fazer demasiadas vezes. Alterna um pouco entre frases mais compridas e frases curtas para movimentos mais rápidos.

Diversifica as tuas descrições. Tenta usar os mais variados verbos para descrever as mesmas cenas de cair, saltar, esmurrar, etc.

Faz referência com as tuas outras cenas de luta para teres a certeza que não estás a repetir o que já foi dito antes.

E com isto terminei o tal último capítulo que me faltava escrever do rascunho da sequela de «Sombras» e posso finalmente passar à revisão. 

quarta-feira, 11 de novembro de 2015

Cenas de grupo e conflito

Ultimamente tenho andado a rever algumas cenas dos capítulos anteriores da sequela de «Sombras» uma vez que me encontro presa no último capítulo que me falta do seu irmão continuação. Desta vez decidi atacar um problema que me deixa a hiperventilar, me obriga a comer uma tabelet inteira de chocolate e me faz olhar para o monitor com lágrimas nos olhos...

Cenas de grupo!

Não é que as considere por norma mal escritas, mas as personagens parecem um pouco por todo o lado, nunca me entendo com quem fez o quê, onde estão e acima de tudo como a tornar realmente provocante de forma a que o leitor continue a pensar "Não, não vou dormir já, só mais uma página. Eu prometo que depois desta apago o tablet."

Então comecei a fazer uma pequena pesquisa e eis o que encontrei:

Primeiro: Quem são os personagens envolvidos na cena?
(eu até fiz o favor de fazer um desenho para compreensão. Esta cena faz parte da sequela de «Sombras» para provar a sua efetividade, o que permite já um cheirozinho - digam lá que não sou amiga.)

Nota: sintam-se à vontade para elogiar os meus dotes artísticos. E não, estes dois bonequinhos da direita não são anões ou crianças, são apenas desproporcionais.)

Agora têm os personagens e onde estão dispostos no cenário, acreditem estes detalhes ajudam na precisão da história, fazem com que se pareça mais real. É preciso acreditar para fazer os outros crerem. 

O que nos leva à próxima pergunta...

Segundo: Qual é o objetivo? 
Não é óbvio? É uma reunião de ornitólogos que vieram todos para o chá!! Quem não quer isso num livro de fantasia?

Nop, é uma reunião de planos maléficos pelas mentes criminais de Jillian. O objetivo? Ser maus e fazer planos para destruir o mundo (ou talvez apenas uma pequena organização com uma dúzia de pessoas, eles não são muito ambiciosos).

E dentro deste objetivo vamos prestar atenção ao porquê de estarem assim dispostos. Sabendo que o solitário, barra penteado de Hitler, ali sentado naquela poltrona magnífica é Claudius Blanchard. Os anões/crianças são Albert e Angelica Lebrun. A ornitóloga, com penteado acabado de vir do filme Disney Brave, Madeleine Lebrun e os restantes os lobisomens de Davenport. Porque não está Claudius sentado ao lado de uma das belas amigas de Randall Davenport? Ou Albert a beber o cházinho que Claudius preparou com tanto amor e carinho? 

Esses detalhes são o que torna os teus personagens únicos e distintos entre si. Concede-lhes o poder de terem uma voz própria e não se misturarem todos no papel.



Terceiro: Quem são os personagens principais? 
Num livro não tens apenas os personagens principais, certo? Apesar de serem os que têm maior destaque precisam do apoio das personagens secundárias. Nas cenas de grupo focamos-nos no inverso. Sim, temos vinte pessoas, mas quando um burro fala o outro baixa as orelhas. Os meninos menos importantes agora sossegados que os adultos estão a falar. 

Em grupos grandes existe uma tendência para se dividirem em grupos menores, se acontece na vida real porque não haveria de acontecer no mundo fictício? 


Agora foca-te, como interagem essas personagens entre si num dado grupo? Que particularidades têm que os torna mais chegados. O que diz das suas personalidades ao juntarem-se a uns e não a outros?

O que nos leva ao quarto ponto...

Quarto: Qual é o conflito?
Uma história onde a Maria e o João são alunos do sétimo ano, juntamente com a Madalena, o Roberto, o Joaquim, a Mariana e onde todos se dão bem, são felizes e fazem todos os trabalhos de casa pode ficar bonita na vida real quando o que queremos é descomplicações. Mas não possuí nem metade do interesse quando a história fala da Maria, a melhor aluna da turma que sempre faz os trabalhos de casa e tem o João sempre a chatear a querer copiar. O Roberto, o melhor amigo da Maria, não vai com a cara do baldas do João nem pintado por isso estão sempre às turras. Mal os dois rapazes sabem que a Mariana, a namorada do João tem um fraquinho pelo Roberto e em contra-partida o melhor amigo do João, o Joaquim, está perdidamente apaixonado por ela. 

Viram? Os personagens são os mesmos, o que se acrescentou foi conflito. 

Quando contas uma história ao teu amigo sobre lavar o carro, não a contas se chegares lá lavares o carro e pagares. Só achas que essa história passa a ter importância quando realmente alguma coisa te impede de lavar o carro ou alguma coisa se põe no teu caminho quando vais para pagar. Há algo que se interpõe entre ti e o teu objetivo.



Uma história sobre vampiros e lobisomens que se odeiam uns ao outros é um material de leitura muito mais interessante que oito ornitólogos a beberem chá e a discutirem civilizadamente quantas espécies de aves são coleópteros e quantas espécies são lepidópteros. Caso ainda não tenham percebido, aquela coisa ao lado da rapariga do Brave é um pássaro e aquilo ao lado de Hitler uma chávena de chá (eu sei deveria ter ido para Belas Artes).

Posso dizer que este método me ajudou imenso e um capítulo constantemente deixado para trás já começou a despertar o meu interesse.

Para quem ainda não leu «Sombras» pode aproveitar para ler um excerto em http://bit.ly/1vsqkSJ ou adquirir em www.coolbooks.pt/sombras.
Para os que já leram, aguentem-se mais um bocadinho que a sequela está cada vez mais próxima.

sexta-feira, 23 de outubro de 2015

Soundtrack de «Sombras» - Devil Within

Já falei várias vezes acerca da importância que a música tem no meu processo criativo. Não consigo enumerar a quantidade de vezes que fui dar uma volta no meio de uma floresta em Londres, ou dos montes que existem ao redor da minha casa em Portugal com os fones nos ouvidos e de repente uma ideia (que considero genial) aparece do nada. 

É certo que por vezes não consigo concentrar-me ao deparar-me com uma tarefa particularmente exigente se a música estiver a chatear-me por trás e nessas ocasiões preciso de extremo silêncio. Mas em geral, música e movimento são os melhores amigos da criatividade. 

Por isso decidi começar uma nova série de posts onde descrevo como certas músicas em particular afetam o enredo de «Sombras».

E a primeira é "Digital Daggers - Devil Within", porque não sei que outra música usar que melhor descreva um cenário de vampiros. Acho que é um "must" para qualquer pessoa que queira escrever algo eletrizante. Desde as suas batidas inicias que proporcionam um clima misterioso e sombrio até às suas letras.

"You won't see me in the mirror
But I crept into your heart
You can't make me disappear 
Till I make you
[...]

I made myself a promise 
You will never see me cry
Till I make you

You'll never know what hit you
Won't see me closing in 
I'm gonna make you suffer
This hell you put me in 
I'm underneath your skin
The Devil Within.
[...]

Look what you've made of me
I'll make you see"

Para mim esta canção é particularmente interessante depois dos acontecimentos com Anya. Lilly é controlada por uma raiva que a move e faz destruir tudo o que lhe aparece no caminho e fica decidida a destruir a rede que lhe causou tamanha dor. 

Para ver o soundtrack completo lê este post.


E não se esqueçam de entrar no mundo fantástico de «Sombras» a partir do excerto disponível em http://bit.ly/1vsqkSJ ou em http://www.coolbooks.pt/sombras 


E vocês têm alguma música deste género que possa utilizar nos meus futuros processos criativos? Comentem se souberem de alguma.

terça-feira, 20 de outubro de 2015

50 Dicas para Escrever Melhor - Dica Nº19

Dica nº19: Empresta a mente a todos os teus personagens.

Aqui está algo que, na minha opinião, por vezes torna-se difícil de executar. 


Muitas vezes quando leio um livro e por alguma razão não consigo conetar com os outros personagens deve-se apenas a um facto: não têm personalidades próprias. O enredo de personagens acaba por ser apenas uma fotocópia uns dos outros e onde só as suas aparências parecem mudar. Isto acontece particularmente quando o autor tenta escrever em diferentes POV (Point of view – Pontos de vista) e torna-se bastante difícil de destingir quem participa no quê e quem foi o responsável por ter dado cabo do couro a quem se não tivermos o vilão a gritar pelo nome do personagem vezes sem conta.

Eu digo isto sabendo perfeitamente que também caiu vítima desta falha vezes sem conta. É difícil não utilizarmos versões nossas para todos os nossos personagens, afinal de contas são fruto da nossa imaginação. Mas se existe algo do qual me orgulho é das repetidas vezes que as pessoas me dizem que não sou aquilo que elas esperavam de mim, que pareço mais de uma pessoa enfiada num só corpo (não, ainda não fui diagnosticada com múltiplas personalidades). O ser humano é muito mais complexo do que preto no branco, queres mesmo acreditar que não consegues ver uma situação de perspectivas diferentes e utilizando duas mentes?

Um exercício que me ajudou bastante quando estava a tentar criar mais de vinte personagens (já perdi a conta a quantos são) foi escrever a mesma cena de “Sombras” nas perspetivas de diferentes personagens e ver onde estava a repetir-me demasiado na escrita e onde eles se diferenciavam.

Nota: é onde eles se diferenciam que te deves focar.

sexta-feira, 16 de outubro de 2015

Pick Up A Weirdo - La Ronda

Since, my old Aussie couple and the British girl left, I've found a another Aussie guy to be my dinner mate. It's nice, because unlike Paracas, the lodge is not full of volunteers so I don't have that many opportunities to socialise and that is something that brings me down a little, since I already miss home like crazy!!!

So, the Aussie just does his life during the day, sometimes we will share a tv show in the afternoon, and go out for dinner at night, since he is travelling alone and is a bit stranded here waiting for the girl he likes to get some free time, I guess he is also a little bit lonely.

We decided to finally see La Ronda, very popular at night in Quito. It is quite a magical place, and it reminds me a little of Bairro Alto in Portugal, with its steep streets, little bars and restaurants, vibrating with music and some people talking outside. But it is also one hundred per cent South American with its typical latino music.

We dared trying the costumary "vino hervido". I can't say it goes well with food but I'm not the best wine appreciator and my dinner mate is still deciding wether he likes it or not. It's quite fruity and sweet similar to the one I had tried with Mo and David back in Cusco.

With the effects of the wine working on us we start ranting about our latest failed attempts on romance whilst travelling, he tells me about the girl he came to Quito for and I tell him about my experience from Paracas, the only person I ever told about was David when we met in Cusco so it felt nice to have someone telling me how the lost was all on the other dude (since the only thing David can tell me is "Trish, I can't believe you have feelings!!)

Later on, the restaurant starts to get its karaoke machine pulled out and a line of anxious singers starts to form. "I think it's time to get out of here," my dinner mates rushes before we have to listen to the desperate untuned singers.

quinta-feira, 15 de outubro de 2015

Pick Up A Weirdo - Compliment more

Today the strangest thing happened. Strange for me since it's not something that happens to me everyday...

I was having my day off at the Huasi Lodge where I am now doing some Workaway experience, and I started talking to this old guy staying there. He was telling me how he had a fake stamp on his passport and was worried that he might get deported. 

I listened, not being able to do much else since immigration is not really one of my specialties and knowing that the only thing I could do was to offer to do some translation from Spanish, but also compeletely aware that my boss would be a much wiser choice. 

He just ended up thanking me and explaining me his whole situation and asking me my plans for the future. I can't say I have anything planned out, right now I am torned with the fact that I don't have money to go to China like I want to and doing some travelling in the US of A!

He seemed excited about the idea of the United States, offering me his brother's contact if I ever passed by Virginia.

The point is later that day, he came back and told me something:

He told me how, without meaning to sound flirtatious he complimented a young girl in the same dorm as him, saying "Hey, the beauty sleep must be really working for you." She was surprised and told him that as weird as it seems it wasn't something she heard that often.

He then decided to come back to me and tell me how beautiful I was and that that morning he was having a really rough morning and somehow I made it better with my contagious "bubbly" personality. That was something that I was quite shocked to hear because as an introvert who is quite sometimes confused as arrogant, being happy and bubbly is not something I hear a lot.

"Right! People normally thing that of you cause they don't know you and misunderstand you. I feel blessed because you've decided to show your extroverted side with me and made me start my day on the right foot and gave me a lot of confidence to deal with my problems. And sometimes you might not have the idea of the effect you have on people, so I just wanted to share that with you."

How wonderful would it be if people all decided to be like this old hippie man, who just wishes to spread compliments everywhere he goes, if instead of being so afraid of how we feel or what other people might think we would just be honest and smile to strangers, compliment on others beauty, others clothes, instead of being so focused on what they have of negative, or what they have that we envy.

quinta-feira, 8 de outubro de 2015

Trilogias são como uma viagem à terra prometida dos Mormons!

Recentemente estive a ler um dos posts de Veronica Roth (um daqueles que me faz sempre pensar “oh, tens toda a razão…” e me faz ter coragem para retomar a minha escrita) e houve um em particular que me chamou à atenção. O facto de uma trilogia ser parecido a uma relação poligâmica. 

Não posso afirmar saber quais são as bases de uma relação poligâmica, o meu endereço permanente não contém o estado de Utah -- mas avisarei quando aceitar o convite de um amigo que conheci hoje do Utah para ser a sua quinta esposa -- e programas sobre a vida real não constam no meu reportório televisivo.

Mas segundo a analogia de Roth, consiste no facto de quando um homem está numa relação poligâmica este é forçado a gostar das duas – ou sete – mulheres da mesma maneira

E o mesmo acontece quando se escreve numa trilogia. 

Todos nós sabemos que isto não acontece na vida real. Irá sempre existir aquela que se gosta um bocadinho mais. Até mesmo com os filhos acontece (é mentira, a minha mãe gosta dos filhos todos por igual, mas todos sabem que eu sou a preferida (jokin’)), porque razão não haveria de acontecer com tudo o resto? O que quero dizer com isto é que numa relação poligâmica todas as mulheres merecem o mesmo tipo de dedicação, e por vezes é algo difícil de atingir.

Com o primeiro livro de “Sombras” coloquei bastante de mim nas suas páginas, os meus medos e histórias escondidos em pequenas frases e insinuações que só mesmo eu consigo decifrar o seu significado. Ter o mesmo tipo de dedicação em tudo o que escrevo é algo difícil, e não se repetir quando já tanto foi dito quase impossível. 

“Sombras” era para ser inicialmente um plano de apenas um livro com princípio, meio e fim, mas com o passar das páginas ainda havia tanto para ser contado e a história de Lilly, Liam e Louis não podia ser apressada…

Por isso decidi embarcar numa aventura para a qual não sabia se estava preparada como escritora. 

Quando tinha doze anos, um autor português, João Aguiar, veio à nossa escola para uma entrevista e disse algo que nunca me vou esquecer. “Geralmente, os autores que começam jovens têm a sorte de finalizar um livro, mas é raro voltarem a escrever outro.” 

Eu estava no processo de começar o meu primeiro livro. Que significava aquilo? Que não o ia acabar? Que se o acabasse nunca ia escrever outro? Que significavam aquelas palavras para uma adolescente que sonhava desde cedo ser escritora e tencionava começar a sua carreira cedo?

Decidi fazer aquilo que sempre faço cada vez que um conselho não me agrada: ignorá-lo e fazer o que raio me apetece.

E resultou. Acabei de facto o tal livro, comecei um outro (e muitos outros, entretanto que nunca foram finalizados) e estou agora no processo de acabar o terceiro. 

Mas não posso dizer que gostava deste tanto quanto amava “Sombras” no princípio. “No princípio tudo é promissor, o truque consiste em manter-lo dessa forma.” Quem disse isso estava a falar de relações amorosas, mas este post relaciona a escrita com relações amorosas, não relaciona? 

E posso confirmar agora quase no final de mais uma revisão da sequela de “Sombras” que finalmente me voltei a apaixonar pela sua segunda esposa, o truque está em ver o produto como um todo. Tal como Veronica diz não ver a trilogia como três livros individuais, mas algo maior e melhor, um livro completo… mas gostaria de ir mais longe, e para não correr o risco de ser repetitiva, dizer que consiste também em procurar outras formas de introspecção. Incluir outros medos, outras falhas, outras experiências, apreciar aquilo que os torna diferentes. E lembrar-mo-nos que no final de contas, “um escritor é a soma das suas experiências” e se não deixarmos de as procurar, se não pararmos de viver nunca teremos razões para deixar de escrever.