sábado, 13 de dezembro de 2014

Ler sobre escrever

Há tempos escrevi um magnífico post acerca dos hábitos de ler e escrever (*clears throat* não é nada modesta), um simples aparte de como ler livros de ficção me ajudava a entrar no espírito da escrita. Continuo fiel ao que escrevi: ajuda. Mas sabem o que ajuda ainda mais?

Ler sobre escrever.

Sombras foi um livro que demorou bastante tempo a ser desenvolvido para chegar ao produto final. Primeiro veio a imagem que já expliquei como surgiu, descobrir de onde essa imagem vinha, descobrir qual o melhor cenário que podia dar vida à minha história e criar todas aquelas personagens com distintos backgrounds e personalidades – é verdade que baseá-los de certa forma em pessoas verídicas ajudou imenso… mas mesmo assim (ohhh… o que eu fui dizer! Para todos os meus conhecidos que lêem este blog: pessoal, boa sorte agora a descobrir o quem é quem das personagens). 

Antes de ter aquilo a que eu me sentia confortável em chamar “primeiro rascunho”, o meu livro de apontamentos estava repleto de rabiscos e rascunhos  e frases de uma linha para descrever cenas por escrever para mais tarde ser incluir na história. 

Isto tudo até ter descoberto Veronica Roth, a minha musa nos conselhos sobre escrita. Porque me refiro a ela mais uma vez? Devem-se estar todos a perguntar. A internet está cheia de conselhos de outros escritores, de melhor renome que ela, porquê esta escolha peculiar? Primeiro, tem haver com o facto de ter gostado imenso da trilogia Divergente; isso fez com que me sentisse curiosa em cuscar o blog dela à procura de novidades sumarentas. E segundo, a sua escrita no blog; é informal, é impessoal, mas é de fácil leitura. Tal como já expliquei neste post: escrever já é um processo árduo, a última coisa que eu quero é ter de decifrar as palavras de um escritor presunçoso que gosta de escrever tudo floreado quando eu estou à procura de algo técnico e directo ao assunto.

Mas foi no blog de Veronica que descobri a minha inspiração. Creio que já disse: cada vez que me sentia menos inspirada para escrever, quando estava num daqueles dias em que Stephen King me colocaria na categoria de amador  “status: à espera de inspiração”, sentava-me a ler os conselhos dela e cinco minutos depois a vontade de colocar esses conselhos em prática estava de volta.

É por isso que os meus auto-presentes de natal deste ano foram livros sobre escrita para poder melhorar o meu “não tão bom” primeiro rascunho da sequela de Sombras.

Eu não conheço a vossa opinião enquanto leitores ou escritores, mas se são daqueles que acham que a tendência para escrita é algo com que se nasce e que não se aprende, eu gostaria de ler os vossos trabalhos e poder julgar como cresceram desde que começaram. Eu posso garantir por experiência própria que o livro que terminei aos quinze (algo que nunca será visto aos olhos do público pois não desejo cometer suicídio de carreira quando ainda agora comecei) não se compara a Sombras em termos de qualidade. É óbvio que a minha própria maturidade e prática contribui para tal, mas a muito devo à auto-aprendizagem que fiz sobre o assunto. Não é à toa que existem cursos de escrita criativa, e apesar de nunca ter feito nenhum acredito que são úteis. 

Alguns escritores nascem com os deuses da escrita a sorrir-lhes, mas para os pobres infelizes que não tiveram tal sorte resta seguir o caminho mais difícil e marrar nos livros.

quarta-feira, 3 de dezembro de 2014

Como surgiu a ideia original e agora? Escrever a sequela!

Oh… Veronica Roth! Não sentiram falta dos conselhos dela? Eu senti!

E agora que um novo capítulo se aproxima qual é a melhor maneira de voltar a falar sobre os seus conselhos a não ser com um conselho sobre a continuação de histórias, sequelas.

Pois bem, escrevemos um livro, conseguimos arranjar uma editora que o publicasse, publicámos o livro, e agora? Fácil. Continuamos a escrever. Tenha a história continuação ou não, a resposta é a mesma. Já acabaste esta história? Ótimo! Passa para outra.

Mas se a tua história ainda não acabou…

A minha grande mentora, no que toca a conselhos sobre escrita, também possui um para me inspirar agora. 

Ok, imaginemos o seguinte: “há muito, muito tempo era eu outra criança” (não, não era porque não foi assim há tanto tempo). Mas há algum tempo atrás surgiu-te uma ideia, uma pequena ideia, mas que mereceu a tua atenção e decidiste começar a explorar. Essa ideia pode ter vindo apenas como uma imagem, a minha foi a imagem de uma árvore rodeada de nevoeiro, e como por instinto logo descobri aonde é que essa imagem pertencia. É nestas alturas que a mente humana me surpreende; a importância que uma simples árvore teve na minha vida.

HALLO! Terra chama Patricia, estás a desviar-te do assunto. Onde é que eu ia?

Uma imagem aparece-te na mente, a imagem de uma árvore, na altura menos oportuna (a aula de Álgebra), mas por sorte tens o teu caderno de apontamentos contigo, e quem é que quer ouvir a senhora a falar de matrizes e uma data de zeros e de uns? (OMG! Acabei de descobrir que a razão pela qual chumbei a Álgebra foi por causa do meu livro). Mas continuando, pegas no caderno de apontamentos e escreves: "Ideia para livro". Neste ponto os personagens são conhecidos como rapariga e rapaz. No final da ideia tens: pesquisar isto, isto e aquilo. E ainda Ideia A, Ideia B, Ideia C e Ideia D.

Três anos depois de sonhares acordada tens um livro escrito, quatro anos depois tens um livro publicado. E agora?

Quando a imagem da árvore me surgiu, muito próximo do dia de Halloween, nunca tinha pensado em tornar o meu livro numa trilogia. A ideia original era apenas um livro que punha um ponto final à história de Lilly, mas conforme comecei a escrever ideias novas foram surgindo e pequenas coisas que tinha intenções de colocar na história foram adiadas, até que me comecei a perceber que estava a ficar demasiado grande e precisava de por um ponto final por enquanto, mas ainda tinha potencial para continuar.

Veronica Roth fala num exemplo que acho bastante apropriado: estás num barquinho de caca no meio do oceano. E de repente existe um furo no teu barco (“OH BOLAS! VAMOS NOS AFOGAR! VAMOS TODOS MORRER SE NÃO TAPARMOS ISTO!”) Consegues tapar o buraco, mas ainda continuas num barquinho de caca no meio do oceano, e precisas de encontrar terra. (“OH BOLAS! AINDA ESTAMOS NESTE BARCO!”)

Voltando ao início, passamos três anos a sonhar acordados e finalmente pusemos o ponto final na história. Não deveríamos pensar “Porra, passei tanto tempo a escrever isto e agora ainda vou fazer a asneira de continuar? Não devia ter terminado com o ‘viveram todos felizes para sempre’?” Não funciona assim quando se é escritor. “Aceitação, o último estado que todos desejamos conseguir atingir.” Acho que não estou sozinha quando falo daquela ideia irritante que insiste em vir-nos à mente, e por mais que a ignoremos ela continua a voltar e a voltar, até que finalmente levantamos os braços no ar e desistimos: “OK, OK. EU VOU-TE ESCREVER! AGORA PARA DE ME CHATEAR!” 

Mas e o pesadelo da história? Ah, pois é… escrever não é um mar de rosas. Nunca foi e nunca será. Stephen King diz “os amadores sentam-se e esperam pela inspiração, os restantes levantam-se e vão trabalhar”. Escrita exige autodisciplina, trabalhar mesmo quando não existe vontade. Mas agora é tudo muito pior porque: o primeiro foi escrito a pensar, “bem, se for uma bosta não faz mal porque ninguém vai ler”. O segundo é escrito a pensar “oh bolas, o holofote está mesmo a bater na minha cara. Está tudo a olhar para mim! Será que eles conseguem ver que estou a usar roupa interior por baixo disto?” Se o primeiro tiver sucesso, por alguma razão é, mas essa razão nem sempre é evidente para o escritor porque nós não possuímos o mesmo olhar objectivo que o leitor. A nossa história é o nosso bebé  e sabemos todos os seus detalhes, mesmo aquilo que escolhemos não apresentar ao leitor. Depois dão-nos um papel e uma caneta e dizem: faz igual.

Tal como Veronica Roth aconselha, e eu tenciono seguir como uma mantra enquanto escrevo o segundo livro, “pensa na trilogia como um livro só, com o mesmo enredo, os mesmos personagens, e com a mesma corrente de pensamento. A história tem de continuar, mas a exploração não pode desaparecer” (um dos aspetos que eu acho que torna o meu livro bastante “meu”, por assim dizer, é a existência da exploração de emoções humanas como raiva, depressão, negação etc.) “dá um passo de cada vez - um livro de cada vez, uma cena de cada vez”.

E quanto às críticas negativas, lembrem-se que não é possível agradar a todos, a única coisa que podemos esperar é aprender com as críticas e tornarmos-nos melhores e seguir o conselho de Sinclair Lewis “é impossível desencorajar os verdadeiros escritores, eles não querem saber do que dizes, ele irão escrever”.

"Sombras" já está disponível no site da coolbooks!

domingo, 30 de novembro de 2014

Música para ler/escrever Sombras

Recentemente, para quem leu, estive a falar on and on and on acerca da importância que as playlists têm na vida de um escritor, e dei alguns exemplos da minha experiência pessoal, mas não revelei muito acerca dos meus gostos pessoais enquanto escrevia Sombras.

Quem me conhece sabe que eu ou gosto de música rock, ou das músicas mais deprimentes e sombrias que existem (especialmente quando estou a tentar entrar nas cenas bem misteriosas). Se tivesse de escolher umas quantas bandas que têm um papel importante em tudo o que escrevo seria: Within Temptation, Flyleaf e Digital Daggers (estas bandas contam a história, dão uma alusão acerca do cenário e marcam o tom).

Mas existe uma lista bastante importante onde estão as músicas que, de uma maneira ou de outra, as suas letras me deram inspiração para escrever uma certa parte, cena ou capítulo inteiro do livro.

Digital daggers – Still Here
“Musing through memories (…)
I'd die to be where you are.
I tried to be where you are.
Every night, I dream you're still here
The ghost by my side, so perfectly clear
When I awake, you disappear,
Back to the shadows”

Evanescence – My Immortal
“I'm so tired of being here
Suppressed by all my childish fears
And if you have to leave
I wish that you would just leave
'Cause your presence still lingers here
And it won't leave me alone
These wounds won't seem to heal
This pain is just too real
There's just too much that time cannot erase
When you cried I'd wipe away all of your tears
When you'd scream I'd fight away all of your fears
And I held your hand through all of these years
But you still have all of me
You used to captivate me
By your resonating light
Now I'm bound by the life you've left behind
Your face it haunts my once pleasant dreams
Your voice it chased away all the sanity in me
I've tried so hard to tell myself that you're gone
But though you're still with me
I've been alone all along”

Paramore – Misguided Ghosts
“I'm going away for a while
But I'll be back, don't try to follow me (…)
I'm just one of those ghosts
Travelling endlessly
Don't need no road
In fact they follow me”

MS MR – Twenty Seven
“Starring at a wall for most of the day
Face down in ceilings couldn't pull away
Pray for me my soul just take
'Cause I slip away and go insane”

Flyleaf – In the Dark
“Those in the light know we die (in the dark) (…)
I used to be afraid of cluttered noises
Now I'm afraid of silence (…)
All of them are gone
The silence overtakes me”

Sweet Dreams Are Made of This – Emily Browning
Existem muitas versões para esta música, mas a cantada por Emily Browning parece-me ser a única que realmente se integra nesta história.

Marroon 5 – Come Away to the Water
“Away from the life that you always knew
We are calling to you
Come away little light
Come away to the darkness
In the shade of the night we'll come looking for you (…)
We are coming for you”

Bad Moon Rising – Creedence Clearwater Revival
A versão que eu ouvia enquanto escrevia era a versão original da banda acima, mas recentemente encontrei uma ainda mais arrepiante dos Mourning Ritual.

“I see the bad moon arising.
I see trouble on the way. (…)
I see bad times today.
Don't go around tonight,
Well, it's bound to take your life,
There's a bad moon on the rise.
 Hope you got your things together. 
Hope you are quite prepared to die.
Looks like we're in for nasty weather.
One eye is taken for an eye.”

Dance With Devil Tonight – Breaking Benjamim
“I believe in you
I can show you that
I can see right through all your empty lies
Say goodbye
As we dance with the devil tonight
Don't you dare look at him in the eye
As we dance with the devil tonight”

Muse – Undisclosed Desires
“I want to reconcile the violence in your heart
I want to recognise your beauty's not just a mask
I want to exorcise the demons from your past
I want to satisfy the undisclosed desires in your heart”

Birdy – Just A Game
“I don't know where I am
I don't know this place
Don't recognize anybody
But there comes you to keep me safe from harm
There comes you to take me in your arms
Pleading eyes that break my heart
So hopes that I can feel
But I know I must play my part
And tears I must conceal”

Imagine Dragons – Demons
Apesar de não pertencer exatamente ao género ou tom das restantes músicas, esta música é bastante importante para mim porque foi ao ouvi-la, quando estava a conduzir de regresso a casa que veio-me à mente uma das minha frases preferidas no livro inteiro “Os meus demónios não são como os outros demónios (…)”. Eu quase que corri para casa, entrei pelo quarto adentro, sentei-me na secretária com o meu caderno de apontamentos e anotei a frase inteira, mais tarde inclui-a na história.

“Look into my eyes
It’s where my demons hide
It’s where my demons hide
Don’t get too close
It’s dark inside”

Blue Foundation – Little by Little
“Stuck in a hard place in the middle
Walking on coals
Caught in holes, sorting the souls
He's my only saviour
Living in a stateless zone
Searching for an answer
Everywhere he goes”

James Vincent McMorrow - Ghosts
“The moon holds the light
And the moon's this spinning globe
Shedding light upon the road
We are ghosts
We are ghosts amongst these hills”

Bon Iver – Michicant
Para mim esta música fala sobre Liam.

“I was unafraid, I was a boy, I was a tender age
Pressed against the pane could see the veins and there was poison out
Resting in a raze the inner claims I hadn't breadth to shake
Searching for an inner clout, may not take another bout”

Blue Foundation – Ghost
E esta também.

“He's burned down many a bridge
And he's scared of walking in the dark
It hurts when the rain falls on his skin”

Digital Daggers – Where the Lonely Ones Roam
“Roam with me,
Come down to where all of the others fell
Get lost in the dark to find yourself”

Mumford and Sons – Thistle and Weeds
“Spare me your judgements and spare me your dreams
Cause recently mine have been tearing my seams
I sit alone in this winter clarity which clouds my mind
The sky above us shoots to kill
Rain down, rain down on me
But I will hold on
I will hold on hope
Let the dead bury the dead, they will come out in droves (…)
But plant your hope with good seeds
Don't cover yourself with thistle and weeds”

Bittersweet – Ellie Goulding
“Cause you always want what you're running from
And you know this is more than you can take
Baby don't forget my name
When the morning breaks us
Baby please don't look away
When the morning breaks us”

Flyleaf – Uncle Bobby
“Knowledge came and devastated
Pressure building behind her eyes
Will she, has she died also this day
Her death has been swallowed up by life
This dead will rise
Dying to death and raising to life
The moment we became alive death was waiting, chasing
And all of us fell and kept breathing
One day, today
A sprits alive, a body has died
With mournful joy she finally lets out her cry
Death has been swallowed life
This dead will rise”

Flyleaf – Stand
“The time has come to stand and fight
Save the world
And save that girl
From enemies unseen
Our hands will
Bleed for children unborn
Stand
Face the world with open hands
And tears
And these tired body's spirit perseveres
Remembering these wounds will heal
You are not
Alone in this
How long did you bleed for us (…)
Don't you look at the past
Because hope and love last
Beyond the end”

Paramore – Brick By Boring Brick
“So one day, he found her crying
Coiled up on the dirty ground
Her prince finally came to save her
And the rest you can figure out
But it was a trick and the clock struck twelve (…)
Keep your feet on the ground
When your head's in the clouds (…)
Well, you built up a world of magic
Because your real life is tragic (…)
But if it's true
You can see it with your eyes
Oh, even in the dark”

Atlantis – Ellie Goulding
“This is new
Feels unused
I've never met anyone like you
Frightening
Feeling naked
Sense in searching something sacred
I'll forget you, not
I'll wait for you, maybe
Where did you go?
I'm exhausted with loving
No fight in me - I'm defeated
I know I'm fooled, I can't help it”

Digital Daggers – I Fear the Fever
“I fear the fever
Deep in my bones
It runs electric
It draws me home
It knows the weakness
Deep in my soul
It keeps me hostage
I’m never alone
It wants to kill you
It wants to tear you apart
It wants to thrill you
This vengeful love that I got”

Digital Daggers – Devil Within
Esta música serve para qualquer livro com criaturas sobrenaturais só por causa do seu tom sombrio. “Parece ter vindo diretamente de um filme com vampiros”.

“You won’t see me in the mirror
But I crept into your heart
You can’t make me disappear (…)
You’ll never know what hit you
Won’t see me closing in”

Blue Foundation – Eyes on Fire
“I'll seek you out
Flay you alive
One more word and you won't survive
And I'm not scared (...)
I won't soothe your pain
I won't ease your strain (…)
Eyes on fire
Your spine is ablaze
Felling any foe with my gaze”

Florence and The Machine – Sevin Devils
“Holy water cannot help you now
A thousand armies couldn't keep me out (…)
See, I have to burn your kingdom down (…)
I'm gonna raise the stakes
I'm gonna smoke you out
Seven devils in my house
I'll be dead before the day is done (…)
And now all your love will be exorcised
And we will find you saying it's to be paradise (…)”

Muse – Resistance
“Is our secret safe tonight?
And are we out of sight?
Or will our world come tumbling down?
Will they find our hiding place?
Is this our last embrace?”

Podem ter reparado que não existe nenhuma música dos Within Temptation que me fez escrever diretamente uma cena, mas isto é porque, para mim, todo o livro foi criado à volta desta banda. Era essa banda que estava a ouvir quando a história me surgiu, quando estava a criar os personagens, enquanto criava os cenários. Ouvi-a tantas vezes que no final já não conseguia criar cenas específicas ao som dessa banda porque a única coisa que conseguia ver era o livro num todo. 

Para escrever as cenas de luta também foram bastante importantes músicas como:
Within Temptation – What Have You Done; It’s the Fear; The Howling; Our Solemn Our; The Truth Beneath the Rose; Final Destination
Muse – Supermassive Black Hole
Fall Out Boy – My Song Know What You Did in the Dark; The Phoenix
Ellie Goulding – Figure 8
Unkle feat The Black Angels – With You in My Head
Shiny Toy Guns – Starts With One

E bandas como X-Ray Dog e Two Steps From Hell.

É óbvio que sonhar acordada enquanto ouvia música também ajudou muito. Como me perguntou uma amiga muito recentemente: tu és muito sonhadora, não és?




quarta-feira, 19 de novembro de 2014

O pesadelo de escrever sinopses

Aqui está a derradeira história na vida dos autores que nenhum leitor deve prestar muita atenção. O "behind the scenes" ao qual ninguém presta atenção. Eu digo isto porque, pelo menos até o momento ter chegado, nunca pensei duas vezes sobre o assunto. 

Do que estou a falar?

Ora, daquele pequeno texto contido normalmente na capa traseira de um livro ou numa das abas do mesmo: a sinopse.

É verdade que ninguém conhece melhor a obra do que o próprio autor(a). É ele/ela que sabe de onde a ideia lhe surgiu, o porquê dos seus personagens agirem como agem, o que irá acontecer a seguir mesmo antes da ideia ser sequer proposta na história. São também eles que conhecem melhor que ninguém os sentimentos dos seus personagens e a mensagem que querem transmitir com a sua história.

Por todas estas razões quem deveria ser a melhor pessoa para escrever a sinopse? O autor! 

Então porque parece um monstro de sete cabeças quando chega o momento?

Durante muito tempo foi-me impossível de responder a essa pergunta. Parte de mim não acreditava que essa resposta estivesse 100% correcta. Cada vez que alguém me perguntava: “oh, escreveste um livro? É sobre o quê?” A minha resposta era sempre um bocado engasgada, cheia de hmm’s, e ahm’s... “Ficção paranormal?”, “Vampiros e lobisomens?”  Mas não era bem isso que eu queria responder. É verdade que o meu livro está contido no género de ficção paranormal, ou romance paranormal. E é verdade que a grande maioria das personagens são humanos, vampiros e lobisomens. De uma maneira ou de outra essa era a descrição mais rápida e genérica que eu podia dar acerca da minha obra, mas não lhe dava a mais pequena justiça, existe tanto que fica a faltar nessa descrição. A meu ver a minha obra expõe alguns dos meus maiores medos e a maneira que eu encontrei de lidar com eles, alguns do meus pensamentos – alterados para lhe dar um conteúdo que se integrasse na história –, e poderosas mensagens. Tudo isso não pode ser descrito em frases com apenas duas palavras. Mas também não pode ser descrito em apenas uma página que caiba na parte traseira de um livro.

Quando estamos a apresentar a nossa obra a uma editora, para aqueles que já leram conselhos acerca disso, devem saber que devemos expor tudo o que acontece na história. É um resumo total. Eles estão interessados até no final. Mas seria horrorífico fazer tal maldade aos leitores. Ninguém está interessado em ler primeiro o resumo, saber o que acontece no final e depois ir ler as restantes 300 páginas se já sabem tudo de importante que acontece.

Existe um post bastante interessante que li acerca do assunto que me fez descobrir o porquê da maneira como eu me estava a sentir:

Passamos meses, às vezes até anos, a desenvolver uma história e agora pedem-nos que tiremos 99% dessa história e expliquemos apenas 1%?

Isto levou-me a escrever dois tipos de sinopses. Mas tanto numa como na outra apercebi-me, depois de ver a sinopse sugerida pela minha editora, que estava apenas a descrever os primeiros dois capítulos da história. 

O que aprendi depois de ter visto a sinopse final? 

Começa sempre com uma frase forte. A primeira frase deve incentivar o leitor a ler o resto da sinopse. Não deve fazer com que ele boceje e decida pousar o livro.

Se for possível, inclui algo acerca da personalidade do personagem. Algo que ele/ela deseja e que, de certa maneira, vai moldar a maneira como ele/ela age no decorrer da história. Isto faz com que os leitores sintam de imediato que conhecem o personagem e até mesmo que se identificam com ele/ela.

Insere o conflito e o perigo. Mostrar que nem tudo na história vai ser um mar de rosas e de forma não revelar nada de importante dar aos leitores “um cheirinho” dos perigos que o personagem enfrenta.

Na primeira versão sugerida pela editora, estes foram os três pontos que percebi serem necessários. Até receber um novo e-mail a sugerir a adição de uma nova linha: o “fator romance”. Para muitos (isto principalmente se forem rapazes ou pessoas não muito românticas), pode não ter muita importância, mas vamos ser honestos: existem livros a ser escritos à uns bons milhares de anos e por alguma razão só começaram a ter tanto sucesso quando se decidiu por romance à mistura. Seja qual for o género de livro leiamos existe sempre romance à mistura. Pode não ser a mensagem principal a ser transmitida, mas está lá…

E com isto tudo, aqui fica a sinopse do meu livro que estará disponível no site da Coolbooks, Porto Editora, no dia 28 de Novembro:

“Lilly Ashton não podia imaginar vida mais perfeita que a sua, até à terrível noite em que tudo mudou.

A única maneira que encontra para sobreviver à tragédia é fazer o que sempre desejou: ser impulsiva.

Afasta-se de tudo e todos quando se muda para Jillian e decide estudar Folclore e Mitologia, mas depressa se encontra numa corrida para salvar a própria vida, ao descobrir que os monstros que se escondem debaixo da cama existem mesmo.

Para garantir a sua sobrevivência, junta-se a Diabolus Venator, a organização de caçadores de demónios daquela pequena cidade, onde conhece Liam, o misterioso jovem que a enfurece e surpreende todos os dias. Mas nem todos os que lutam com ela têm o mesmo objetivo, e o perigo que enfrenta pode ser maior junto dos que a rodeiam do que na batalha contra os demónios. Num mundo onde as lendas são reais, em quem poderá Lilly confiar?”

terça-feira, 11 de novembro de 2014

Festejar à grande e à francesa

Ok, ainda não existe data oficial, mas… C'mon, está quase!!!

O que é que está quase? - perguntam vocês. O meu livro! Sombras será publicado muito brevemente pela Porto Editora, nesta chancela digital, que tem como objectivo dar a conhecer novos autores da língua portuguesa (their words, not mine).

Quem me conhece, deve com certeza poder testemunhar a favor de que eu consigo, por vezes, ser  um pouco pessimista, por isso tenho tendência a nunca festejar antes do tempo. Já houve pequenas celebrações claro, como por exemplo quando recebi o e-mail da Porto Editora que continha estas exactas palavras: "Após ponderada análise do original que teve a amabilidade de nos enviar, temos o prazer de comunicar que a Comissão Editorial emitiu um parecer positivo relativamente à sua qualidade e pertinência.” Nesse momento o meu companheiro de casa não se calava – acerca de um assunto que agora não me lembro e suponho que não possua qualquer relevância – e eu comecei a enxotá-lo e a dizer “Espera!”, ao que ele me ignorou e continuou a falar e eu repliquei: “Espera, porra! Deixa-me ler!”

Quando finalmente percebi o que se estava a passar, a minha felicidade era quase impossível de se conter. Há doze anos que afirmo que um dia gostaria de ser escritora, que mostro à minha família pequenos projectos em que ando a trabalhar e os seus pensamentos devem provavelmente ser  “ah, pois, aquela ali sonha alto”. Mas não, finalmente tive o meu sonho concretizado. Aquilo para o qual eu estava preparada para trabalhar uma vida inteira. Tanto em inglês como em português, qual deles viesse primeiro.

Por isso a minha celebração foi talvez apenas uns saltinhos, mas por dentro a minha mente estava:

Mas mesmo assim existia mil e uma coisas que poderiam correr mal. Pessimista, eu sei! Mas se me preparar agora para o pior, quando o bem chegar será um alívio. Se o tal mal vier, não vou ficar feliz, mas ao menos posso pensar  “well, ao menos não andaste para aí a festejar e a dizer a todos”.

Agora sim, agora que vejo o fim cada vez mais próximo tornei-me na pessoa mais aborrecida que se pode esperar, e que não perde uma oportunidade para dizer “oh yeah, eu vou publicar um livro”.
 
Agora estou num constante estado de euforia!

E quando for mesmo lançado e fizer questão de avisar a todos, em todas as redes sociais que possuo, vou pegar em mim e fazer aquilo que os portugueses chamam: festejar à grande e à francesa. 



“Go, go, go shorty
It's your birthday
We gon' party like it's yo birthday”


quarta-feira, 6 de agosto de 2014

Pick Up A Weirdo - My first day in London

The date is 6 of August of 2012, London is booming with excitement for the Olympics but that is not what has brought me and my brother here. I clutch to my pillow tight, I had refused to move countries and leave my bedroom behind without it. Part of me wants to scream to my brother how excited I am, how I am finally fulfilling that thing I set my mind to do when I was 11 or 12 years old and everyone just thought I was a foolish dreamer. I’m moving to London.

But another part of me is terrified. I am only 20 years old and living at home with my family is all I’ve known my entire life. It had been my life. The thing that had brought me an enormous pain but a tremendous happiness. Maybe my levels of happiness hadn’t been top of the chart on these last few months but my friends – even if scarce in numbers, were the people I held most truly at heart – they had been my safe haven in moments of need, and my family the people that gave me strength to get out of bed. How was I gonna manage without them? What the hell was I thinking?

My brother and I stand with one huge travel luggage and a hand luggage each, while my cousin – the person who went to pick me up from the airport and it will soon become one of my five house mates – recounts the newest episodes of moving houses and tells us how one of our dear mates had just fallen off what will be known in our house as possessed-by-a-ghost stairs. I listen with excitement while I forget to pay attention to my surroundings and keep bumping into people and forgetting that I should now start apologising in English instead of Portuguese.

When we get to the house, a poor Tânia climbs down the stairs with a painful look, she has not slept properly in regards of being in the hospital after falling down the ghost-possessed-stairs. A cheerful Vanessa greets me heatedly and tells me that she has baked a cake to congratulate my arrival. Later on, she discovers that I’d practised martial arts whilst in Portugal and asks me to teach her so she can beat up one of her friends. I half-heartedly promised, happy for her enthusiasm but feeling slightly nervous: I’m not used to that kind of energy.

We all climb up the stairs again to see the bedrooms and make a final decision of who gets what. The condition is: I either share a bedroom with Vanessa, and use the fourth tiny bedroom as storage or I will have to live in the tiny bedroom. The decision is not even hard: I will always choose isolation, a little piece of my own where I can run to whenever the world outsides starts becoming too loud. Besides I have already heard rumours about Vanessa’s tidiness and sleeping habits. Two years later we will sleep many nights together in her bedroom but this one is a decision I will never regret because although I have changed a lot, I still treasure that little piece of my own space.

Later in the day, when Tânia and Vanessa have fallen asleep while we were all talking in what was now Vanessa’s bedroom, Renato shows up. He is cordial and nice but does not possess the same enthusiasm the others have about me, to him I’m not the new pet in the zoo. He asks me about my pet peeves, if there is anything I absolutely go mental when someone else keeps on repeating. I can’t remember at the top of my head but my brother helps me out.

“Leaving the toilet seat up,” he says, to which I nod in agreement. Renato promises me I don’t have to worry.

By this time I should probably have mentioned that my brother went move in with me. He has come here with the sole purpose of helping me move in. “I came here to work,” he stated once, talking about the fact that he had come to London to help me carry bags, buy furniture, assemble it and paint my room.

This is a complete new chapter that I must start on my own.

He spends a week with me in London where we see the sights and do all he was supposed to, except paint my room; I will do that later with my cousin. On his last day the truth of it all starts gnawing on me like a razor blade and that is why I move the mattress that was in the bedroom next to mine into my own, by bed is already assembled but there is no way I’m gonna sleep alone tonight, I want to feel that the last piece of is still sleeping in the same room as me one last time.

The next day we wake up to take him to the airport, only to find out that the place is chaotic because the Olympics have just finished the day before and everyone is trying to get home. We, me and my cousin, end up leaving him there although he has no guarantees of getting a seat in the plane, but he will eventually get home I know. Back home I try everything to keep myself busy; I don’t want to face this reality just yet. I see Big Fish with my cousin for the very first time and when it finishes it’s time to go back to my empty room.

I’m 20 years old, in a more open and diverse country than my own but at that moment all I want is my mum to be next to me. 


domingo, 27 de julho de 2014

Criar playlists para escrever

Recentemente dei por mim com uma grande falta de vontade de escrever. O que veio destruir um bocado a ideia generalizada que tinha de que quando estou em casa (Portugal), escrevo sempre melhor. Ou porque é Verão, ou porque a minha cama e a minha secretária dão-me mais conforto, ou simplesmente porque adoro sentar-me com a minha caneca, abrir a janela e ouvir o som dos pássaros e das palmeiras na rua.

Seja qual for a razão, isso não aconteceu como por magia assim que cheguei a Portugal, e aquele entusiasmo todo com que vinha foi deitado pelo cano abaixo e só me restou pensar “oh bolas, que raio vou eu fazer agora?”

Resposta: Parar de te queixar e começar a trabalhar.

Assim o fiz. Dei-me ao luxo de umas semanas de prazer, visitar amigos, aproveitar o Verão. E depois peguei na minha caneca, abri a minha janela e comecei a martelar no teclado. 

Mas primeiro pensei “deixa-me cá repetir as músicas que andava a ouvir o ano passado quando estava a escrever”, e a seguir “que engraçado, parece que estou novamente a lembrar-me de todo aquele processo criativo e de como me sentia animada a escrever. Será que esta banda tem músicas que ainda não conheço?” E surpresa!! Até tinha! E quando dei por mim estava novamente a teclar alegremente no meu teclado e a escrever novas páginas de uma história nunca antes contada.

O objectivo de toda esta lenga-lenga? Como a música ajuda no processo criativo.

Não sei quantos de vós seguem blogs de escritores ou alguma vez se sentiu curioso em cuscar um bocado, ou até mesmo se deparou com uma playlist qualquer do vosso livro preferido. O que é certo é que escrever playlists para os seus livros parece ser a nova moda à qual os escritores adquiriram. E devem ficar a pensar vocês: “estes escritores devem pensar que estão a escrever filmes ou séries de televisão. Porque raio haveriam de precisar de músicas?” Admito que pensei isso a primeira vez que me deparei com tal coisa, fiquei “porra, eu estava à procura do soundtrack do Twilight. O FILME! Não do que ela andava a ouvir enquanto escrevia”.

A verdade é: por alguma razão as músicas existem nos filmes. Nunca te apercebeste do silêncio ensurdecedor na sala de cinema num momento em que pensas que o assassino está mesmo atrás dela e dás por ti a agarrar-te à cadeira com o suspense? Não? Ok, então talvez sou só eu que tenho medo de me assustar e então preciso de me agarrar a qualquer coisa. E aquele momento em que o herói acabou de declarar o seu amor e existe uma música de partir o coração atrás? Em que tu ou ficas awww…. Ou então blahhhh! (depende que estilo de romântico fores, eu como sou mais romântica incurável fico blahhh! Vómito!)



Música ajuda. Todos os meus grandes momentos de ideias geniais, super-fantásticas foram quase todos a ouvir música… ou a tomar banho, também ajuda. Mas o grande segredo dos escritores é que passamos grande parte do nosso dia a sonhar acordados. A imaginar a próxima cena que se vai desenrolar na nossa história, os personagens envolvidos e como isso vai prejudicar ou ajudar a história geral. E eu, pelo menos no meu caso, estou sempre a sonhar acordada quando estou a ouvir música. Por isso, juntamente com a minha caneca, a janela continua aberta, mas os passarinhos têm de cantar mais baixinho porque primeiro está a música.

O porquê de playlists? Ora, eu estou a escrever um livro sobre criaturas sobrenaturais e é certo que não vou pôr a tocar o “let´s go to the beach, beach. Let´s go get a wave”. Não me ajudaria a colocar-me na pele dos meus personagens. 

Há tempos estava eu muito bem na sala a escrever e ora que entra um dos meus companheiros de casa e diz, “essa música parece ser saída de um filme de vampiros”. Ora aí está uma prova de que estou a fazer algo bem. A não ser que me apeteça mesmo ouvir aquele CD novo daquela banda ou alguém me diga “esta banda é fixe, devias ouvir”, o meu media player consiste de playlists com o intuíto de me fazer entrar no mundo que eu criei dentro da minha mente. E maior parte das músicas contidas nos playlists ou são músicas que me ajudam a marcar o tom da minha história ou músicas que eu estava muito distraidamente a ouvir, quando aquela frase me marcou profundamente e parecia estar a contar directamente a história do meu personagem. Basta apenas uma frase, mas aquela frase marcou-me e vai para o meu playlist à espera de me inspirar novamente para esse personagem. E quem não quer ouvir uma balada, enquanto reúne o herói e a heroína e pensa “awww… se eu não tivesse nascido para ser escritora devia ter ido para cupido”.

Portanto, sim, juntei-me a essa maré que anda aí a criar playlists para os seus romances. E já criei duas, uma para o primeiro e outra para o segundo. O que é certo é que agora, depois de o ter deixado algum tempo pousado, voltei ao primeiro e há sua respectiva playlist e os versos das músicas conseguem trazer-me de novo para o momento em que as criei e como sentia a dor e felicidade do meu personagem quando escrevia as suas cenas.

Mas quando se trata de realmente concentrar-me, concentrar-me a sério. Ainda preciso dos passarinhos a cantar e o silêncio de tudo o mais.

quinta-feira, 20 de março de 2014

Ler e Escrever

Devo confessar que nestas últimas semanas tenho sido muito mal disciplinada no que toca à escrita. A razão? Férias. Não, não deveria ser desculpa, mas como fui de volta para Portugal durante uma semana, escrevi apenas dois dias e foquei os restantes em passar com a família e amigos. A segunda parte do problema é que, quando voltei, uma amiga veio-me visitar e tirei uma semana para estar com ela e lhe mostrar a cidade. 

A relevância disto tudo?  É que durante o tempo todo que passei sem escrever sentia uma ligeira sensação de saudade, mas nada que me fizesse abrir o computador e realmente escrever. Pelo menos até começar a ler — pois é, também tenho estado muito má na leitura. Mas o objectivo é que quando comecei a ler, a vontade de escrever veio de uma forma tão grande que quase me deixava mal disposta. Uma sensação de vazio no estômago — que também pode ser confundida com fome — que me dava vontade de sair do metro e seguir na direcção oposta para casa e começar a escrever. 

Afinal de contas, todos os escritores começam por ser leitores. Portanto, da próxima vez que sentires que estás sem vontade de escrever experimenta ler primeiro.

segunda-feira, 17 de fevereiro de 2014

Sai da Tua Zona de Conforto

Algo novo que descobri: quando parece que não tenho imaginação e que sentar à frente do meu computador parece ser o maior pesadelo da minha vida tenho duas opções:
- escrever
- ou ficar a pensar sobre escrever e sentir-me culpada por não estar a fazer nada. 

Ultimamente tenho tentado a primeira opção e para minha surpresa, até consegui escrever. É claro que a primeira linha é sempre uma porcaria, mas a verdade é que eu preciso de começar por algum lado. Escreveste aquela frase que não tem pontas por onde se pegue, e depois? A imaginação veio logo a correr nas frases a seguir e acabaste por inventar um enredo que nem tinhas imaginado em primeiro lugar. Talvez aquela frase, ou aquele parágrafo, ou aquela página te vá dar muito trabalho a editar, mas a boa notícia é: como não estás de rabo sentado sem fazer nada e estás a avançar na tua história, irás ter muito mais tempo para te focares na edição.

Outra coisa que descobri depois de ter feito isso é que me sinto bem. Realmente bem. Não fico com aquele bichinho a remoer-me de culpa por não ter escrito hoje, não fico a pensar no que vou fazer da minha vida se não tiver uma forma de incorporar aquela cena naquela parte da história, e não fico a ruminar como vou avançar até chegar à parte que quero mesmo escrever. O resultado é uma pessoa muito mais bem disposta e orgulhosa de si mesma.

Só uma coisinha para vos pôr a pensar.

Agora ao que me levou mesmo aqui. A verdade é que tenho amigos fantásticos que sabem acerca da minha paixão pela escrita e dos meus planos de futuro, e que se lembram de mim cada vez que se deparam com alguns conselhos de escrita na Internet. E uma amiga, muito recentemente, enviou-me imensos. Apesar de ainda não ter tido a oportunidade de dar uma vista de olhos em todos, decidi partilhar um deles convosco.

1.Aumenta o número de palavras: se ainda não estás a escrever todos os dias, começa. Escreve seis dias por semana. Começa com 100 palavras. Quando isso já for confortável, vai até às 200 e quando deres por ti já estás a escrever como um menino crescido. A maior parte de nós não consegue escrever a um ritmo profissional. É preciso treinar. (De momento sinto-me confortável em escrever 1000 palavras por dia se não tiver interrupções de terceiros, por isso ando todos os dias a tentar puxar-me até às 1500. Por vezes resulta, por vezes não. Mas eu apenas conto as palavras que escrevo na história mesmo, não conto com as do blog, nem com as do trabalho da escola, nem com as que perco a planear e a delinear o enredo da história.)
2. Faz um blog: escrever num blog tem os seus benefícios, mas um dos maiores é que te ajuda a treinar para o teu ritmo profissional. Mata vários coelhos de uma só cajadada. O blog pode ajudar-te com a tua imagem de autor e plataforma, mas também ajuda-te a treinar para cumprires prazos e ajuda-te na tua conta diária de palavras. Um blog ajuda-te a escrever de forma mais simples, rápida e linear.
3.Lê em géneros que não lês normalmente: é possível apontar os escritores que lêem apenas no género que escrevem. Sai da tua zona de conforto e lê outro género. Irá ajudar-te envolver novos elementos para a tua ficção que irá ajudar-te a sobressair no meio da competição.
4. Entra em concursos: Concursos dão-te prazos e colocam o teu trabalho para ser submetido a criticas de colegas. (A não ser que sejas como eu e odeies competição. Odeio mesmo, e a razão pela qual odeio é porque odeio perder, mesmo depois da competição ter terminado - e até posso ter ganho - continua a sentir-me stressada com a situação. Mas o que eu faço é: compito em silêncio. Se não tiver ninguém consciente da minha competição, obrigo-me a termina-la mas sem aquela pressão. É quando funciono melhor. Mas lembra-te que competir em silêncio não te leva às críticas e crescimento como escritor do que uma em que as outras pessoas também tão conscientes.)
5.Escreve num género que não costumas escrever: saíres do teu próprio género ajuda-te a desenvolver novos músculos. Podes até descobrir que o género que inicialmente escolheste não é o melhor. (Apesar do meu género sempre se ter baseado na área juvenil e infanto-juvenil,  no inicio estava mais inclinada para a feitiçaria e tempos medievais. Resultou. Escrevi um rascunho inteiro acerca disso, mas nunca me pareceu completamente certo, e talvez tenha sido porque ainda era nova ou por outras razões, mas nunca o terminei por completo. Depois decidi ir para o tema mais geral que é o drama adolescente, e ainda para a dinâmica de irmãos, nenhum dos dois resultaram. Até ter encontrado o meu santuário que é ficção paranormal. Não significa que não vá tentar escrever noutros, significa que até agora este foi o que funcionou melhor. Porque se formos a ver, o outro rascunho que terminei também tinha os seus elementos paranormais, apenas precisava de redescobrir aquilo em que eu realmente era boa. Mas precisas de tentar outros para saberes que esse é o que é definitivamente certo.)