sábado, 21 de fevereiro de 2015

Nova Religião para Escritores: Citações Inspiradoras

Quotation: the act of repeating erroneously the words of another.
 – Ambrose Bierce

A quotation is a handy thing to have about, saving one the trouble of thinking for oneself, always a laborious business. 
– A. A. Milne

Tenho uns quantos posts planeados para os próximos dias, mas confesso que quando sai de casa hoje (com um único pensamento na mente: voltar para a cama e começar a escrever), não sai com a intenção de escrever sobre a razão pela qual citações nos inspiram.


Este era um dos posts planeados, mas estava a pensar traduzir um bom conselho de Veronica Roth onde ela compara o processo de escrita com o acto de escalar uma montanha (stay tuned, se estiverem interessados em ler o post), mas depois algo aconteceu e tornou este dia na altura ideal para falar de tal tópico. 

Ontem estava a falar com uma amiga e expliquei-lhe como adorava frases que me inspiram, sejam de músicas, filmes ou escritores. Coisa que ela está farta de saber, porque cada vez que algo acontece tenho sempre alguma frase inspiradora para lhe atirar à cara. 


A resposta dela ontem foi: “Cada vez que dizes isso fazes-me sempre lembrar ‘alguém que tem um papel bastante negro nas nossas vidas' (nome engraçado, não?).” 

A minha resposta: “Porquê? Porque parece ser muito espiritual? – (Essa pessoa apesar de não ser religiosa é bastante espiritual) – Talvez tenhas razão, mas isso é porque eu adoro tudo o que tenha a ver com inspiração. Eu não sou religiosa, mas citações talvez seja a minha religião. Todos nós temos de nos agarrar a qualquer coisa para nos ajudar a atravessar os tempos de tempestades.” Ok, eu não disse isto com todas estas palavras bonitas de escritora, mas foi esta a mensagem que lhe transmiti.

 Hoje quando cheguei a casa, ela tinha colado na minha janela como surpresa uma série de citações escritas em post-it que foi desenterrar do meu facebook, e o porquê deste post.

In quoting others, we cite ourselves.
 – Julio Cortázar

A minha paixão por citações começou quando tinha p’ra aí uns 13 anos e vi o filme “Diário de Uma Princesa”. Mia recebe uma carta do pai e ele escreve: “Os audazes podem não viver para sempre, mas os cautelosos não vivem de todo”. 

Na minha ingenuidade de adolescente essa frase bateu-me tão forte que a partir desse momento decidi que era a minha missão viver uma vida de aventura (algo que tenho sido bastante boa em atingir). Escrevi essa frase vezes sem conta em papeis, enquanto estava distraída, e foi daí que veio a minha paixão por citações.

Não, não sou a única. Não sou a única a…

Por alguma razão, acredito que os escritores devem estar entre aqueles que mais se baseiam em citações como forma de inspiração. Existe uma razão pela qual passamos tanto tempo à procura das palavras certas. Nós queremos inspirar, queremos saber que existe alguém que vai levar as nossas palavras a peito e extrair uma lição de vida através do que dissemos. 

Em Sombras, o primeiro parágrafo do capítulo vinte e dois, 65 palavras, foi inspirado em apenas uma frase que me bateu no momento certo “It’s where my demons hide”, a música de Imagine Dragons, Demons. No capítulo vinte e três, de forma a poder escrever o primeiro parágrafo, desperdicei uns quantos minutos à procura de quotes no Goodreads acerca de “grief”. 

Esta é a decoração de uma das paredes do meu quarto: algumas frases de "Sombras" traduzidas em inglês

Não é à toa que muitos blogs de escritores ou de leitores escolhem pôr na sua barra lateral uma miniaplicação que os direciona imediatamente para as suas citações preferidas.

Por vezes elas só nos lembram de algo que já sabíamos, mas que esquecemos ao ser constantemente lembrados dos stresses da vida e funcionam como pequenos lembretes. E outras vezes funcionam como novas maneiras de ver uma certa situação (ou vida em geral).

Por isso se me perguntarem: importa assim tanto escolher as palavras certas para cada frase? Sim, importa, nunca sabemos quem é que podemos estar a inspirar. 



                                               

sexta-feira, 20 de fevereiro de 2015

Vamos falar de diários!

Normal people have scrapbooks or photo albums on their phones. Writers have notebooks in the shrewd back corners of our minds.


“Oh, és escritor/a! Tens um caderno de apontamento?”

“Um? UM? Deves estar a brincar comigo!”

Tinha eu 14 anos de idade quando minha mãe me deu um caderno de apontamentos pela primeira vez. Tendo uma imaginação muito fértil, andava sempre a escrevinhar nos cadernos da escola e em todos os pedaços de papel que conseguia encontrar, até que um dia vi um pequeno caderno de ganga com um panda na capa (sim, era do canal panda, mas não tenho culpa que o panda seja o meu animal preferido, e eu queria mesmo ter um caderno de apontamentos com um panda) e mencionei à minha mãe, como quem não quer a coisa, que gostava dele. Dias mais tarde, ela apareceu com o caderno em casa. 


Ora, na altura já tinha este sonho de um dia escrever um livro (na verdade estava já a escrever um livro), mas nunca sequer imaginei em fazer pesquisas do género “como ser escritor” ou “dicas para ser escritor”, agia apenas por instinto e o meu primeiro instinto foi manter um caderno onde pudesse colocar todas as minhas ideias. Não é surpresa nenhuma ver que a primeira palavra que alguma vez escrevi no caderno foi “sacerdotisa-chefe” seguida de uma descrição e um pequeno desenho de como elas se vestiam na minha mente.

Deves manter um caderno de apontamentos para as tuas ideias? 

Cada pessoa tem o seu método de trabalho e a sua maneira de extrair criatividade, mas por esta altura já deves ter percebido que sou fã de cadernos de apontamentos. Não tenho só um. Tenho o diário para limpar a mente de pensamentos pessoais. Um caderno de recortes para a pesquisa de criaturas sobrenaturais e um caderno de apontamentos para as ideias diárias. 

Nunca sabes quando é que te vais sentir inspirado/a por isso convém estar sempre preparado/a. Já me aconteceu não ter o meu caderno comigo e ser obrigada a passar o voo inteiro, Lisboa-Londres, a escrevinhar num saco de enjoo. 

Quem sabe, aquela pequena frase que te veio à cabeça de repente pode ser apenas o início de algo muito maior. Houve uma vez que uma simples frase veio-me à cabeça e quando me sentei para a anotar deu origem a uma página de 200 palavras que poderão um dia mais tarde dar origem a um livro se a oportunidade surgir.

O caderno de apontamentos é algo privado, tal como um diário, por isso não te preocupes com organização, não tenhas medo de escrever o que sentes, ou os teus medos. Escreve tudo aquilo que achas que é preciso ser anotado. Não importa se é desorganizado ou informal, é suposto.

Anota tudo. Ideias pequenas ou grandes. “Mas o meu notebook vai ficar uma confusão e nunca vou poder encontrar nada” (disse algum bebé chorão). Vê as coisas desta maneira: se anotares, existe uma grande probabilidade que vás ter de passar horas a rever tudo à procura daquele pequeno pensamento que tu sabes que está lá! Se não anotares, irás esquecer e nunca mais o encontrarás.

Não é preciso escrever apenas sobre escrita. Podes incluir o que quiseres nos teus cadernos, frases que te inspiram. Pequenas pesquisas. Factos engraçados. Uma piada que alguém disse ou uma conversa que alguém teve. O meu incluí o ABC da amizade (eu tinha 14 anos!!!) Nomes engraçados de fobias e Gibb’s Rules (NCIS). 

Ok, ok, eu admito, este post foi escrito apenas para eu poder ter uma oportunidade para exibir o meu novo caderno e a fabulosa caneta do Harry Potter que me ofereceram pelo Natal!

quinta-feira, 19 de fevereiro de 2015

Why writers lead better lives than others

As I was reading an article on writing I came up with an advice that said “turn the lights and music off, and listen to the rain”. This advice especially moved because on that very same day as I was leaving the house I had been attentively paying attention to what I like to call “the sounds of London”, my brain just kept working as I was trying to absorb all in and trying to come up with ways to describe how the two floor bus sounds different from the everyday car, and how the planes fly over my head …

Later that day I went to my bedroom and sat on my bed, that normally causes me to face a wall of pictures and memories, but it was raining and there were small drops on my window. I did not want to face a white wall, I wanted to look outside and see the naked branches dance unrithmically against each other. I wanted to see the tall pikes of the nearby church visible from my bedroom trying to touch the grey sky, and I wanted to see that black small bird that had already wandered too much from its tree.

The point is, I did not needed to follow that advice, I was already doing it. And yes, Beethoven’s Spring Sonata may have been playing in the background but that was because the rain was a simple pitter-patter.

Writers, just like artists, find beauty in the outmost ordinary things in life. My mum’s green eyes smudged with brown near its iris amazes me. The cold seaweed smell of the ocean soothes me. The way each note is played in a piano sends shivers down my spine and the drumming of a djembe feels me with energy. We just record everything in our minds and find beauty in what is simple.

A fellow writer once told me “writing is the only form of art that does not require sense”. People need their ears to listen to music, their eyes or touch to see and feel art, their mouths to sing and their bodies to dance. Writers just feel all of those senses intensely but do need none in order to perform their art, they just put one letter after the other and make people feel with their imagination… is imagination a sense? I do not recall learning that in school. 

quinta-feira, 12 de fevereiro de 2015

Porque o amor é para ser celebrado aos pares


For this was seynt Volantynys day when euery bryd comyth there to chese his make.
Primeiro poema do dia de São Valentim



Reza a lenda que São Valentim foi condenado à morte por realizar cerimónias de casamento a soldados proibidos de se casarem. Durante o seu encarceramento, Valentim salvou a filha do seu carcereiro e ao escrever a sua carta de despedida, antes de ser executado, assinou-a "O teu Valentim".

O Dia dos Namorados está repleto de folclore e, por esta razão, porque não aproveitar para desfrutar com uma mistura de romance e mitologia ao ler "Sombras". (Lê o excerto grátis)

A Coolboks tem agora uma campanha perfeita para a ocasião: na compra de um leva outro.






Promoção válida para encomendas registadas entre as 00h00 de dia 11.02.2015 e as 23h59 do dia 17.02.2015 (GMT+1), nos livros que integram esta seleção.
Por cada compra de dois livros que efetue oferecemos-lhe o de menor valor.

Prova que os livros são melhores que os filmes - O Lado Selvagem

Todos nós, por mais que lutemos contra tal, somos controlados por fatores na nossa vida pessoal que dominam tudo o resto que fazemos, seja estudar, trabalhar ou até mesmo coisas que fazemos por prazer como ler. Não tenho problemas em admitir que apesar de ler ser uma das minhas maiores  paixões, muitas vezes torna-se tão entediante quanto fazer os T.P.C’s quando andava na primária e o que eu queria mesmo era brincar na rua. Tenho um certo objetivo de livros lidos que quero atingir por ano e preciso de o cumprir de forma a manter-me motivada. 

No entanto, existe alturas que acertas no jackpot da leitura. Muitas vezes isso pode acontecer quando te atreves a sair do teu género de conforto.

O que me levou à descoberta de Into the Wild (O Lado Selvagem) de Jon Krakauer.

Título Original: Into the Wild (pensava que já tinha dito)
Autor: Jon Krakauer (se bem me lembro também já foi mencionado)
Editora: Editorial Presença (se tivessem clicado no link para o website da Wook também sabiam este detalhe)
Páginas: 224 (este pormenor importa? Depois de tudo o que vou dizer vais continuar sem lê-lo?)

Sinopse: Baseado no caso real de Christopher McCandless, um jovem de vinte e dois anos que, ao terminar a faculdade, doou todo o seu dinheiro a uma instituição de caridade, mudou de identidade e partiu em busca de uma experiência genuína que transcendesse o materialismo do quotidiano. Começando a sua viagem pelo Oeste americano, Christopher dá igualmente início a uma aventura que mais tarde viria a encher as páginas dos jornais e que termina com a sua morte no Alasca. Uma morte misteriosa… Acidental ou propositada? Um livro comovente que cativa o leitor pela forma como é retratada a força indomável de um espírito rebelde e lírico.

Opinião: Quem me conhece sabe que adoro tudo o que esteja relacionado com aventura e natureza, e é talvez por essa razão que esta história me comoveu tanto. Não tenho por hábito ler livros que não se lêem de uma maneira convencional. Leio uns quantos capítulos de livros escolares ou assim, mas nada deste género; que se começa sabendo já o fim, e que não tem o original conflito e final feliz a que estamos habituados.

Jon Krakauer (ainda se lembram quem é ele? O autor do livro?) sentiu-se extremamente emocionado ao ouvir a história do jovem Chris McCandless e foi subitamente inundado por uma grande curiosidade em saber mais. O que levou este peregrino a embarcar em tal aventura? Como foi ali parar e o que correu mal?

A minha afinidade para com este livro não vem do desejo de ser como ele. Ele não é um herói no sentido que derrota o vilão da história como tantos livros que lemos. A minha afinidade provém das semelhanças que vejo. Um personagem fora do vulgar, com gostos e paixões semelhantes às minhas, que possui no entanto uma personalidade única e fortes princípios e que me faz desejar ser mais como ele.

Chris “Alexander Supertramp” McCandless é um amante do selvagem e ensina-nos que, apesar de admirável no seu estado mais puro e indomável, a natureza não deve ser tratada como uma amiga, mas com respeito e puro fascínio.

Jon Krakauer tem um talento nato para escolher as citações mais apropriadas no início de cada capítulo de forma a deixar-nos a ansiar por mais e eu relacionei-me pessoalmente com algumas delas

quarta-feira, 11 de fevereiro de 2015

DIZ NÃO À PROCRASTINAÇÃO!

Não faças hoje o que podes deixar para amanhã.
Oh, raios, não é assim que se diz? Ia jurar que sim!

Recentemente tive uma conversa com uma amiga acerca de procrastinação. Ela dizia que não estudava porque não tinha vontade, nem via séries porque se sentia culpada por não estar a estudar. Ao que eu respondi: “já que não vais estudar, ao menos faz algo que gostes”. Mas na prática não é bem assim, pois não? Se calhar nem queremos ver o episódio de Sobrenatural pela milésima vez, só não nos apetece fazer aquilo que deveríamos estar a fazer em primeiro lugar.

A palavra procrastinação é uma das preferidas de muitos estudantes universitários, hell, eu nem sabia o significado dessa palavra até começar a universidade. Mas, infelizmente, é algo que muitos escritores também fazem. Por essa razão decidi começar a ler um pouco sobre o assunto e o que descobri foi:

Existe uma razão pela qual procrastinamos. Descobre qual é e elimina-a.

Lembra-te das palavras de Confucius “escolhe um trabalho que adores e nunca mais terás de trabalhar na tua vida”. Não gostas de escrever? Então estás na profissão errada.
      (Fixe, não é?)                                                                                                                          (Mas eu prefiro o meu cantinho)
Conforto. Muitas vezes o sítio onde trabalhamos tem fortes influências na nossa disposição para trabalhar. Certifica-te que estás confortável, que o sítio que escolheste é do teu agrado. Elimina os ruídos irritantes. E arruma. Certifica-te que tudo à tua volta está limpo, as gavetas organizadas, o armário, a secretária de trabalho e tudo o resto. Depois de tudo estar limpo não existem desculpas para te levantares novamente porque aquela gaveta dos documentos está uma confusão e já andas a dizer à vinte mil anos que a vais limpar. Acabou!

Estabelece horários. Estabelece um certo horário para te levantares, lavar os dentes e a cara (não importa se vais escrever de pijama e robe – o meu caso – ou se vais vestir um vestido de gala, o quer que seja confortável para ti) e tomar o pequeno-almoço (isto dependendo do horário que preferes trabalhar, existem pessoas que são mais produtivas à tarde). Promete a ti mesmo que irás trabalhar de x horas a y horas, por isso enquanto o ponteiro pequeno e o ponteiro grande do relógio ainda não tiverem passado por aqueles números mágicos, a viagem para a Tailândia que andas a planear vai ter de esperar.

Listas. Yeeeeei!!!! "Gostamos de listas porque não queremos morrer"~Umberto Eco

  •  Lista principal – esta lista é mãe de todas as listas. Escreve tudo aquilo que precisas de fazer. A tal viagem para a Tailândia? Check. Mandar aquele e-mail que andas a adiar? Check. Cortar as unhas dos pés? Check. Trabalhar no teu livro? Double check. Escreve desde as coisas pequenas que precisas de fazer às coisas grandes.
  •  Lista mensal – coisas que precisam de ser completadas dentro do mês.
  • Lista semanal – coisas que precisam de ser completadas… adivinha para quando? Iá! Para a semana. Olha para a lista mensal e vê quais são aquelas que têm maior prioridade e começa já a trabalhar nelas.
  •  Lista diária – durante a noite lista tudo aquilo que tens para fazer no dia seguinte para não acordares no dia a seguir a pensar “eu tinha algo para fazer hoje, mas como não me lembro vou ver mais um episódio de Dr. House”. 



Bem, agora de volta ao trabalho e toca a escrever!