quinta-feira, 8 de outubro de 2015

Trilogias são como uma viagem à terra prometida dos Mormons!

Recentemente estive a ler um dos posts de Veronica Roth (um daqueles que me faz sempre pensar “oh, tens toda a razão…” e me faz ter coragem para retomar a minha escrita) e houve um em particular que me chamou à atenção. O facto de uma trilogia ser parecido a uma relação poligâmica. 

Não posso afirmar saber quais são as bases de uma relação poligâmica, o meu endereço permanente não contém o estado de Utah -- mas avisarei quando aceitar o convite de um amigo que conheci hoje do Utah para ser a sua quinta esposa -- e programas sobre a vida real não constam no meu reportório televisivo.

Mas segundo a analogia de Roth, consiste no facto de quando um homem está numa relação poligâmica este é forçado a gostar das duas – ou sete – mulheres da mesma maneira

E o mesmo acontece quando se escreve numa trilogia. 

Todos nós sabemos que isto não acontece na vida real. Irá sempre existir aquela que se gosta um bocadinho mais. Até mesmo com os filhos acontece (é mentira, a minha mãe gosta dos filhos todos por igual, mas todos sabem que eu sou a preferida (jokin’)), porque razão não haveria de acontecer com tudo o resto? O que quero dizer com isto é que numa relação poligâmica todas as mulheres merecem o mesmo tipo de dedicação, e por vezes é algo difícil de atingir.

Com o primeiro livro de “Sombras” coloquei bastante de mim nas suas páginas, os meus medos e histórias escondidos em pequenas frases e insinuações que só mesmo eu consigo decifrar o seu significado. Ter o mesmo tipo de dedicação em tudo o que escrevo é algo difícil, e não se repetir quando já tanto foi dito quase impossível. 

“Sombras” era para ser inicialmente um plano de apenas um livro com princípio, meio e fim, mas com o passar das páginas ainda havia tanto para ser contado e a história de Lilly, Liam e Louis não podia ser apressada…

Por isso decidi embarcar numa aventura para a qual não sabia se estava preparada como escritora. 

Quando tinha doze anos, um autor português, João Aguiar, veio à nossa escola para uma entrevista e disse algo que nunca me vou esquecer. “Geralmente, os autores que começam jovens têm a sorte de finalizar um livro, mas é raro voltarem a escrever outro.” 

Eu estava no processo de começar o meu primeiro livro. Que significava aquilo? Que não o ia acabar? Que se o acabasse nunca ia escrever outro? Que significavam aquelas palavras para uma adolescente que sonhava desde cedo ser escritora e tencionava começar a sua carreira cedo?

Decidi fazer aquilo que sempre faço cada vez que um conselho não me agrada: ignorá-lo e fazer o que raio me apetece.

E resultou. Acabei de facto o tal livro, comecei um outro (e muitos outros, entretanto que nunca foram finalizados) e estou agora no processo de acabar o terceiro. 

Mas não posso dizer que gostava deste tanto quanto amava “Sombras” no princípio. “No princípio tudo é promissor, o truque consiste em manter-lo dessa forma.” Quem disse isso estava a falar de relações amorosas, mas este post relaciona a escrita com relações amorosas, não relaciona? 

E posso confirmar agora quase no final de mais uma revisão da sequela de “Sombras” que finalmente me voltei a apaixonar pela sua segunda esposa, o truque está em ver o produto como um todo. Tal como Veronica diz não ver a trilogia como três livros individuais, mas algo maior e melhor, um livro completo… mas gostaria de ir mais longe, e para não correr o risco de ser repetitiva, dizer que consiste também em procurar outras formas de introspecção. Incluir outros medos, outras falhas, outras experiências, apreciar aquilo que os torna diferentes. E lembrar-mo-nos que no final de contas, “um escritor é a soma das suas experiências” e se não deixarmos de as procurar, se não pararmos de viver nunca teremos razões para deixar de escrever.

Sem comentários:

Enviar um comentário