sexta-feira, 23 de outubro de 2015

Soundtrack de «Sombras» - Devil Within

Já falei várias vezes acerca da importância que a música tem no meu processo criativo. Não consigo enumerar a quantidade de vezes que fui dar uma volta no meio de uma floresta em Londres, ou dos montes que existem ao redor da minha casa em Portugal com os fones nos ouvidos e de repente uma ideia (que considero genial) aparece do nada. 

É certo que por vezes não consigo concentrar-me ao deparar-me com uma tarefa particularmente exigente se a música estiver a chatear-me por trás e nessas ocasiões preciso de extremo silêncio. Mas em geral, música e movimento são os melhores amigos da criatividade. 

Por isso decidi começar uma nova série de posts onde descrevo como certas músicas em particular afetam o enredo de «Sombras».

E a primeira é "Digital Daggers - Devil Within", porque não sei que outra música usar que melhor descreva um cenário de vampiros. Acho que é um "must" para qualquer pessoa que queira escrever algo eletrizante. Desde as suas batidas inicias que proporcionam um clima misterioso e sombrio até às suas letras.

"You won't see me in the mirror
But I crept into your heart
You can't make me disappear 
Till I make you
[...]

I made myself a promise 
You will never see me cry
Till I make you

You'll never know what hit you
Won't see me closing in 
I'm gonna make you suffer
This hell you put me in 
I'm underneath your skin
The Devil Within.
[...]

Look what you've made of me
I'll make you see"

Para mim esta canção é particularmente interessante depois dos acontecimentos com Anya. Lilly é controlada por uma raiva que a move e faz destruir tudo o que lhe aparece no caminho e fica decidida a destruir a rede que lhe causou tamanha dor. 

Para ver o soundtrack completo lê este post.


E não se esqueçam de entrar no mundo fantástico de «Sombras» a partir do excerto disponível em http://bit.ly/1vsqkSJ ou em http://www.coolbooks.pt/sombras 


E vocês têm alguma música deste género que possa utilizar nos meus futuros processos criativos? Comentem se souberem de alguma.

terça-feira, 20 de outubro de 2015

50 Dicas para Escrever Melhor - Dica Nº19

Dica nº19: Empresta a mente a todos os teus personagens.

Aqui está algo que, na minha opinião, por vezes torna-se difícil de executar. 


Muitas vezes quando leio um livro e por alguma razão não consigo conetar com os outros personagens deve-se apenas a um facto: não têm personalidades próprias. O enredo de personagens acaba por ser apenas uma fotocópia uns dos outros e onde só as suas aparências parecem mudar. Isto acontece particularmente quando o autor tenta escrever em diferentes POV (Point of view – Pontos de vista) e torna-se bastante difícil de destingir quem participa no quê e quem foi o responsável por ter dado cabo do couro a quem se não tivermos o vilão a gritar pelo nome do personagem vezes sem conta.

Eu digo isto sabendo perfeitamente que também caiu vítima desta falha vezes sem conta. É difícil não utilizarmos versões nossas para todos os nossos personagens, afinal de contas são fruto da nossa imaginação. Mas se existe algo do qual me orgulho é das repetidas vezes que as pessoas me dizem que não sou aquilo que elas esperavam de mim, que pareço mais de uma pessoa enfiada num só corpo (não, ainda não fui diagnosticada com múltiplas personalidades). O ser humano é muito mais complexo do que preto no branco, queres mesmo acreditar que não consegues ver uma situação de perspectivas diferentes e utilizando duas mentes?

Um exercício que me ajudou bastante quando estava a tentar criar mais de vinte personagens (já perdi a conta a quantos são) foi escrever a mesma cena de “Sombras” nas perspetivas de diferentes personagens e ver onde estava a repetir-me demasiado na escrita e onde eles se diferenciavam.

Nota: é onde eles se diferenciam que te deves focar.

quinta-feira, 8 de outubro de 2015

Trilogias são como uma viagem à terra prometida dos Mormons!

Recentemente estive a ler um dos posts de Veronica Roth (um daqueles que me faz sempre pensar “oh, tens toda a razão…” e me faz ter coragem para retomar a minha escrita) e houve um em particular que me chamou à atenção. O facto de uma trilogia ser parecido a uma relação poligâmica. 

Não posso afirmar saber quais são as bases de uma relação poligâmica, o meu endereço permanente não contém o estado de Utah -- mas avisarei quando aceitar o convite de um amigo que conheci hoje do Utah para ser a sua quinta esposa -- e programas sobre a vida real não constam no meu reportório televisivo.

Mas segundo a analogia de Roth, consiste no facto de quando um homem está numa relação poligâmica este é forçado a gostar das duas – ou sete – mulheres da mesma maneira

E o mesmo acontece quando se escreve numa trilogia. 

Todos nós sabemos que isto não acontece na vida real. Irá sempre existir aquela que se gosta um bocadinho mais. Até mesmo com os filhos acontece (é mentira, a minha mãe gosta dos filhos todos por igual, mas todos sabem que eu sou a preferida (jokin’)), porque razão não haveria de acontecer com tudo o resto? O que quero dizer com isto é que numa relação poligâmica todas as mulheres merecem o mesmo tipo de dedicação, e por vezes é algo difícil de atingir.

Com o primeiro livro de “Sombras” coloquei bastante de mim nas suas páginas, os meus medos e histórias escondidos em pequenas frases e insinuações que só mesmo eu consigo decifrar o seu significado. Ter o mesmo tipo de dedicação em tudo o que escrevo é algo difícil, e não se repetir quando já tanto foi dito quase impossível. 

“Sombras” era para ser inicialmente um plano de apenas um livro com princípio, meio e fim, mas com o passar das páginas ainda havia tanto para ser contado e a história de Lilly, Liam e Louis não podia ser apressada…

Por isso decidi embarcar numa aventura para a qual não sabia se estava preparada como escritora. 

Quando tinha doze anos, um autor português, João Aguiar, veio à nossa escola para uma entrevista e disse algo que nunca me vou esquecer. “Geralmente, os autores que começam jovens têm a sorte de finalizar um livro, mas é raro voltarem a escrever outro.” 

Eu estava no processo de começar o meu primeiro livro. Que significava aquilo? Que não o ia acabar? Que se o acabasse nunca ia escrever outro? Que significavam aquelas palavras para uma adolescente que sonhava desde cedo ser escritora e tencionava começar a sua carreira cedo?

Decidi fazer aquilo que sempre faço cada vez que um conselho não me agrada: ignorá-lo e fazer o que raio me apetece.

E resultou. Acabei de facto o tal livro, comecei um outro (e muitos outros, entretanto que nunca foram finalizados) e estou agora no processo de acabar o terceiro. 

Mas não posso dizer que gostava deste tanto quanto amava “Sombras” no princípio. “No princípio tudo é promissor, o truque consiste em manter-lo dessa forma.” Quem disse isso estava a falar de relações amorosas, mas este post relaciona a escrita com relações amorosas, não relaciona? 

E posso confirmar agora quase no final de mais uma revisão da sequela de “Sombras” que finalmente me voltei a apaixonar pela sua segunda esposa, o truque está em ver o produto como um todo. Tal como Veronica diz não ver a trilogia como três livros individuais, mas algo maior e melhor, um livro completo… mas gostaria de ir mais longe, e para não correr o risco de ser repetitiva, dizer que consiste também em procurar outras formas de introspecção. Incluir outros medos, outras falhas, outras experiências, apreciar aquilo que os torna diferentes. E lembrar-mo-nos que no final de contas, “um escritor é a soma das suas experiências” e se não deixarmos de as procurar, se não pararmos de viver nunca teremos razões para deixar de escrever.